quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gilberto Gil- Expresso 2222(1972)



Nome:Expresso 2222
Ano:1972
Produção:Guilherme Araújo
Músicos:Gilberto Gil(vocal e violão), Lanny Gordin(guitarra e baixo), Bruce Henry(baixo), Antônio Perna(piano e celesta) e Tutty Moreno(bateria e percussão)
Faixas:
1.Pipoca Moderna
2.Back in Bahia
3.O Canto da ema
4.Chiclete com banana
5.Ele e eu
6.Sai do sereno
7.Expresso 2222
8.O sonho acabou
9.Oriente
10.Cada macaco no seu galho(chô,chuá)
11.Vamos passear no astral
12.Está na cara, está na cura


Gil e Caetano foram presos no ano de 1968 e foram mandados para o exílio acompanhados de suas esposas e do maestro Rogério Duprat. Escolheram ficar na cidade de Londres, capital inglesa. Durante o período de exílio, Gil comprou sua primeira guitarra, uma Gibson 335 e logo começou a estudar o instrumento. Gil assistiu muitos concertos de rock também nesse período, como os Rolling Stones, Jimi Hendrix, John Lennon & The Plastic Ono Band, além de ter ido junto de Caetano à dois festivais da ilha de Wight. Este mostrou ser um período muito produtivo para ambos. Em 1972, voltaram ao Brasil com novas canções e Gil ainda trouxe na bagagem mais duas guitarras elétricas e um filho, Pedro, que é o garoto na capa do álbum. Gil voltou do exílio mudado. Tudo que viu, ouviu e viveu no exílio o influenciou nas composições presentes nesse álbum, que contou com um quarteto que fez grandes trabalhos na época, formado pelo guitarrista Lanny Gordin, o baixista Bruce Henry, o batera Tutty Moreno e o pianista Antônio Perna, que gravaram também com Jards Macalé e acompanharam Gal em seu show histórico em 1971. Gil mostrava agora um lado mais pop, embalado pelo som do rock e, claro, sem perder as raízes baianas que ficaram mais intensas com a saudade de sua terra natal. E, falando em raízes, o disco começa com a música instrumental "Pipoca moderna", tocada com a Banda de Pífanos de Caruaru, grupo com o qual Gil queria gravar há tempos e finalmente pode realizar esse sonho. A segunda canção, "Back in Bahia", uma das minhas favoritas do cantor, era a escolhida para abrir seus shows conhecidos como "shows da volta", foi feita em uma festa realizada na casa dos pais de Caetano e fala sobre sua saudade do Brasil além de mostrar toda a influência da música inglesa nas suas composições(veja o Gil tocando essa música no primeiro show dele de volta ao exílio aqui). "O canto da ema" traz a interpretação de Gil da música de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale transformando a canção num samba com guitarra elétrica e um ótimo solo de baixo do Bruce Henry. "Chiclete com banana", uma leve demonstração da influência do Jazz nessa música que ainda mescla elementos do Samba e da Bossa Nova, ou como o Gil chama na música "o Samba-Rock", a letra fala sobre a mistura dos elementos brasileiros com os americanos e é de autoria de Gordurinha e Almira Castilho. "Sai do sereno", uma união do forró e do baião com a guitarra, conta com a participação de Gal Costa, grande amiga do cantor. Bem no estilo violão e voz(porém, com percussão), vem a canção que dá título ao álbum, "Expresso 2222", uma homenagem de Gil à um trem que ia para Salvador e com certeza, um dos clássicos do cantor. A próxima canção, "O sonho acabou", foi escrita em 1971, na cidade de Glastonbury, onde Gil estava em um festival considerado o último da era Hippie e sentindo que tudo aquilo estava chegando ao fim, Gil se inspirou na famosa frase de John Lennon para compor essa música que também foi parte do repertório dos shows da volta. Outro grande hit desse álbum, foi a canção "Oriente", uma canção reflexiva que mostrava bem agora a forma como Gil tocava seu violão, que se mostrava diferente do que nos tempos do Tropicalismo. Com a participação do seu grande amigo Caetano, Gil gravou a canção "Cada macaco no seu galho"*, que mostrava que embora já fosse uma "página virada", toda a sonoridade tropicalista ainda estava presente nos compositores. Finalizando o disco, Gil mostra duas canções no estilo "frevo-marchinha" sendo elas "Vamos passear no astral"*, abordando os temas carnaval e galáxia e a última, "Está na cara, está na cura", que passa a mensagem que a grande doença da gente é ter medo, porque "a caretice está no medo". Esse disco é uma prova de que a gente pode crescer bastante em situações ruins, embora os nossos mestres tropicalistas aproveitaram bastante o exílio, ficava estampado na cara deles(principalmente na de Caetano), que estar longe do seu país não era algo agradável para eles. Porém, dessa experiência veio esse disco fabuloso, atingindo o 26º lugar dos 100 maiores álbuns de música brasileira, lista sempre comentada aqui no blog feita pela revista Rolling Stone.

*Essas três canções foram marcadas pois pertencem somente a versão em CD do álbum, na versão em LP, estão presentes todas as canções até a faixa 9(Oriente)

terça-feira, 25 de maio de 2010

The Beatles- Let it Be(1970)




Nome:Let it Be
Ano:1970
Produção:George Martin e Phil Spector
Músicos:John Lennon(vocal, guitarra, lap steel, violão e baixo 6 cordas), Paul McCartney (vocal, baixo, piano, violão, órgão Hammond e piano elétrico), George Harrison( vocal, guitarra, violão, tambura e baixo 6 cordas), Ringo Starr(bateria e percussão) e Billy Preston(piano elétrico e órgão Hammond).
Faixas:
1.Two of Us
2.Dig a Pony
3.Across the Universe
4.I Me Mine
5.Dig It
6.Let It Be
7.Maggie Mae
8.I've Got a Feeling
9.One After 909
10.The Long and Winding Road
11.For You Blue
12.Get Back

O último álbum lançado dos "Fab4", chegou às lojas em Maio de 1970. Incialmente chamado de projeto "Get Back", foi uma idéia do McCartney de tentar fazer os Beatles "serem uma banda de novo". Nesse projeto seriam gravados um disco e um documentário. Mas o clima era "tenso". Harisson já declarava que queria sair da banda. Lennon chegou a dizer que colocaria Eric Clapton em seu lugar. No final das contas, eles decidiram que iria rolar e ainda chamaram BIlly Preston para participar das gravações do projeto, que iniciou-se no início de 1969. No dia 30 de Janeiro de 1970, eles fizeram sua última apresentação ao vivo juntos, no topo do prédio da Apple e as cenas do show(que ficou conhecido como Rooftop Concert) entraram para o documentário e 3 das 7 músicas gravadas desse show entraram no álbum, sendo elas "One After 909", "Dig a Pony" e "I've Got a Feeling". Durante os ensaios desse projeto, acabou surgindo outro disco: Abbey Road, lançado em Setembro daquele ano. Depois dessa sessão de gravações, ainda entraram as canções "Across The Universe", que foi remixada e "I, Me, Mine", já sem o Lennon na banda. Três outras canções do álbum foram gravadas de forma ao vivo: "Two of Us", "Dig it" e "Maggie Mae". O projeto acabou trocando de nome e se tornou Let it Be. Muita gente critica esse álbum, fala que "poderia passar sem essa" mas eu digo que o recém-quarentão álbum dos Beatles é um dos meus três favoritos da banda, juntos ao Magical Mystery Tour e ao Abbey Road. "Two of Us", uma canção folk, em que os Beatles mostram toda a sua genialidade com suas melodias bem feitas e a letra falando sobre viagens e estradas. "Dig a Pony", uma ótima canção que o John detestava, feita sobre a filosofia do "você pode fazer o que quiser". A primeira canção executada fora da Terra, uma das melhores composições que alguém poderia ter feito é a terceira canção desse disco e chama-se "Across The Universe". John Lennon compôs essa canção quando estava em um retiro na Índia em 1968 e na canção podemos ouvir a frase "Jai Guru Deva Om", que significa algo próximo de "Vida longa ao guru Dev". A quarta música do álbum e última gravada pela banda(sem o John Lennon já), foi "I Me Mine", que fala sobre o egoísmo(um problema que a banda enfrentava, até então). Pulando para a canção título do álbum, um certo dia Paul sonhou que sua mãe-que falecera quando ele era novo devido a um câncer-virou pra ele e disse "Let it Be". Quando Paul acordou, já tinha a melodia praticamente pronta, e daí surgiu essa canção maravilhosa. A canção "Maggie Mae" conta a história de uma prostituta e aparece no álbum em uma versão de 41 segundos, mas, segundo Lennon, essa música era mais extensa. A canção tem a sua sonoridade bem parecida com as canções Folk americanas. Uma declaração de Paul para Linda, "I've Got a Feeling", que se "fundiu" à uma canção do John (que ficou inacabada) chamada "Everybody Had a Hard Year" e, a parte que eu acredito que seja a dessa música, para mim é a melhor dela("Everybody had a hard year/Everybody had a good time/Everybody had a wet dream/Everybody saw the sunshine/Everyobdy had a good year/Everybody let their hair down/Everybody pulled the socks up/Everybody put their foot down"). Com forte influência de R&B, temos "One After 909", composta por John e Paul quando ainda eram adolescentes. Outra belíssima canção do Paul(puta pleonasmo, não?), "The Long and Winding Road", foi escrita por ele em sua fazenda na Escócia e expressa seu sentimento pelo que estava acontecendo com os Beatles na época, a canção tem como a base a linha de piano do Paul. Porém, este não gostou da versão que entrou no disco, que foi totalmente editado pelo Phil Spector. Em 2003 saiu o "Let it Be...Naked", o álbum da forma que o Paul gostaria que tivesse sido lançado. Em "For You Blue", George traz toda a sua sonoridade e seus instrumentos indianos nessa sua ótima composição, somadas ao lap steel executado por John. Por último, "Get Back", a última música, do último lado, do último disco dos Beatles. Digamos, os Beatles fecharam com chave de ouro. A melodia da canção é bem simples, com marcação presente do baixo e da bateria. A letra fala sobre algumas atitudes provavelmente de "jovens revoltados" e segundo George, Paul cantava a parte do refrão que diz "Get back to where you once belong"("volte de onde você veio") com um olhar penetrante para Yoko Ono. E antes de terminar essa resenha, queria dizer ao Paul(que provavelmente não lerá isso) que eu entendo ele por não gostar da Yoko (Y).

domingo, 9 de maio de 2010

Novos Baianos- Acabou Chorare(1972)



Nome:Acabou Chorare
Ano:1972
Produção:Eustáquio Sena
Músicos:Moraes Moreira(violão, vocais e arranjos), Pepeu Gomes(guitarra, violão, craviola, vocais e arranjos), Baby Consuelo(vocais e percussão), Paulinho Boca de Cantor(vocais e pandeiro), Dadi Carvalho(baixo), Jorginho Gomes(bateria e cavaquinho), Baixinho(bumbo, bateria e bongô) e Bolacha(bongô)
Faixas:
1.Brasil Pandeiro
2.Preta, Pretinha
3.Tinindo Trincando
4.Swing de Campo Grande
5.Acabou Chorare
6.Mistério do Planeta
7.A Menina Dança
8.Besta é Tú
9.Um Bilhete pra Didi
10.Preta Pretinha

"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor", dizem os primeiros versos de "Brasil Pandeiro", canção de Assis Valente que abre o disco. Disco este que se posiciona no 1º lugar da lista dos 100 álbuns mais importantes da música brasileira e é a obra prima dos Novos Baianos. Lançado em 1972, Acabou Chorare, o sucessor de É Ferro na Boneca, primeiro disco da banda lançada em 1970, realmente mostrou o valor dessa gente bronzeada. Tem gente que define o grupo como "Neo-Tropicalista", uma definição até válida, porém definir o estilo desta banda é complicado. O disco trouxe grandes composições principalmente da dupla Galvão/Moraes Moreira, além de uma grande variedade de estilos musicais misturando, entre outros, rock, baião, frevo, bossa nova e samba. "Brasil Pandeiro", é uma declaração da paixão do brasileiro pelo samba e da "descoberta" do samba pelos gringos. "Eu ia lhe chamar/enquanto corria a barca"(x1000), essa é a canção "Preta, Pretinha"!rsrs. Essa canção foi, é e sempre será um dos maiores clássicos da banda e mostra bem a mistura dos ritmos que citei. "Tinindo Trincando", cantada pela Baby e com destaque para a guitarra de Pepeu, é uma das minhas canções favoritas do álbum, forte demonstração da presença do rock na musicalidade do grupo. "Swing de Campo Grande" um "sambão" sobre malandragem e carnaval, com backing vocals muito legais no refrão é uma composição de Paulinho Boca de Cantor junto com Moraes e Galvão. A quinta faixa, que dá título ao álbum, "Acabou Chorare" é de longe uma das composições mais bonitas que já ouvi, uma bossa de Galvão e Moraes que também foi grande sucesso nos anos 70(santa década!rs). "Mistério do Planeta", cantada pelo Paulinho Boca de Cantor, talvez seja uma visão "hippie-brasileira" do universo. "A Menina Dança" outra cantada pela Baby Consuelo, uma balada meio rock com elementos de baião(eu me pergunto como cabe tanta coisa numa música só!rs). A letra parece retratar a própria Baby e mais tarde essa canção foi regravada pela Marisa Monte, que como já era de se esperar dela, não fez feio com a música. Depois vem "Besta é Tú", um "samba-choro" de Moraes, Pepeu e Galvão, que diz que apesar dos apesares, "o mundo é bom, Sebastião" e temos que aproveitá-lo, já que estamos nele e não tem jeito. Um tema instrumental, de um cara que era um dos melhores instrumentistas da banda, Jorginho Gomes, o baterista. "Bilhete pra Didi" é uma síntese da sonoridade da banda, aonde eles fazem uma grande mistura de ritmos que dá um resultado incrível e todos os instrumentistas mandam muito bem por aqui.Para encerrar o álbum, mais 3 minutos e meio de "Preta Pretinha" rsrs. Embora muita gente implique e "tire sarro" com essa música pela repetição dos versos "Eu ia lhe chamar/Enquanto corria a barca"(vide Maria Gabi Gabiherpes) eu acho essa música espetacular e a letra é muito bonita, vale a pena conferir. Acho que não tenho muito mais a dizer sobre esse álbum, querem um desafio? Ouçam e tentem ficar parados ;]

Até breve, eu espero!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Terço- Criaturas da Noite(1975)



Nome:Criaturas da Noite
Ano:1975
Produção:O Terço, Santiago Malnati e Mario Buonfiglio
Músicos:Sérgio Hinds(vocal, guitarra e viola), Sérgio Magrão(baixo e vocal), Luiz Moreno(percussão e vocal) e Flávio Venturini(piano, órgão, sintetizador, viola e vocal)
Faixas:
1.Hey Amigo
2.Queimada
3.Pano de Fundo
4.Ponto Final
5.Volte Na Próxima Semana
6.Criaturas da Noite
7.Jogo das Pedras
8.1974

Uma das mais importantes e emblemáticas bandas da nossa cena de rock progressivo nos anos 70, o grupo O Terço lançou sua obra prima no ano de 1975. Criaturas da Noite é o terceiro álbum da banda em que ela se encontrava no seu auge tanto em criatividade quanto na habilidade dos músicos. Contudo, ainda é importante falar-se de dois outros músicos que integraram o grupo. A formação que quero destacar em si, contava com Sérgio Hinds na guitarra, Cesar de Mercês no baixo, Vinícius Cantuária na bateria e o ilustre Jorge Amiden, na "tritarra". Junto com o Guarabyra, integrante do trio de Rock Rural Sá, Rodrix e Guarabyra, criaram esses dois instrumentos inovadores: a já citada Tritarra e o violoncelo elétrico(na época tocado pelo Sérgio Hinds) o que passou a dar uma sonoridade ímpar ao grupo. A Tritarra consistia numa guitarra de três braços(isso mesmo) e o detalhe maior é que nessa época Jimmy Page ainda não usava a Gibson de dois braços dele! Amiden era a mente do grupo, porém após algumas confusões com os integrantes, ele abandonou o grupo e formou o Karma, que não durou muito e desde então sumiu =/. Voltando ao disco, ele se mostra diferente dos trabalhos anteriores do Terço, mesclando o Rock Rural com o já adotado estilo Progressivo da banda. O Cesar de Mercês, mesmo não integrando mais o grupo, foi bastante presente no álbum com suas composições. Nessa época, passou a integrar o grupo o futuro 14 Bis Flávio Venturini, que trouxe novas composições e deu um caráter mais melodioso ao grupo. A primeira canção "Hey Amigo", composição do Cesar de Mercês, fala sobre amizade(oooh, jura?) e compaixão, sobre como se nos uníssemos poderíamos tornar o mundo um lugar muito melhor. "Queimada" é um tema bem acústico de parceria do Venturini com o Mercês no estilo música para acampamento e fogueira. O virtuosismo do grupo começa a aparecer em "Pano de Fundo", que possui uma letra simples mas uma melodia muito bem elaborada, composta por Magrão e Mercês. Um belíssimo tema de um dos grandes bateristas brasileiros, Luiz Moreno, possui um coro vocal e uma introdução do teclado de Venturini que dão todo um ar clássico à música em que este mesmo é o destaque da faixa "Ponto Final". O fim do lado A, ficou por conta da composição de Sérgio Hinds "Volte na Próxima Semana" onde o pessoal do grupo "desceu a lenha" tanto tocando quanto protestando sobre o momento e como as coisas estavam acontecendo. E lá estava de novo o Rock Rural no lado B. A canção que dá título ao álbum, "Criaturas da Noite" foi composta por uma dupla sensacional, Venturini e Luís Carlos Sá(o Sá que precede o Rodrix e o Guarabyra no nome do trio). A canção possui uma letra linda e os arranjos de orquestra, enfim, apenas um nome: Rogério Duprat. A penúltima música, que mostra mais um pouco do lado "calmo" da banda, chama-se "Jogo das Pedras" e é mais uma obra de arte da parceria de Venturini com o Mercês. Para fechar o disco, temos um fenomenal tema instrumental de mais de 12 minutos chamado "1974". Uma belíssima melodia composta pelo Venturini que talvez sintetize tudo que está no disco sem dizer uma palavra. Ah, e para os que ficaram curiosos, aqui está o grupo com Amiden na Tritarra e Hinds no violoncelo elétrico. A arte da capa ficou por conta do já citado artista plástico Antonio Peticov e de seu irmão André e leva o título de "A Compreensão". O disco foi gravado em 16 canais e como eu já disse inclui arranjos de orquestra do maestro Rogério Duprat, mais um motivo para cultuá-lo, não?

sábado, 10 de abril de 2010

Barão Vermelho- Barão Vermelho (1982)




Nome:Barão Vermelho
Ano:1982
Produção:Ezequiel Neves e Guto Graça Mello
Músicos:Cazuza(vocal),Roberto Frejat(guitarra), Dé Palmeira(baixo), Maurício Barros(teclado e piano) e Guto Goffi(bateria e percussão)
Faixas:
1.Posando de Star
2.Rock N' Geral
3.Down em Mim
4.Billy Negão
5.Certo Dia Na Cidade
6.Conto de Fadas
7.Ponto Fraco
8.Todo Amor Que Houver Nessa Vida
9.Por Aí
10.Bilhetinho Azul


O disco de estréia da banda do Agenor, foi lançado em Setembro de 1982 pela Som Livre e segundo a crítica da época "Seria melhor se os rapazes da banda tivessem chamado o público para um tradicional ensaio de garagem" e faço das palavras dos caras do grupo a minha "Jornal de ontem, notícia de anteontem!". É um disco dos anos 80 que carregava um pouco dos anos 70, com grande influência do blues. E falando em blues, duas faixas do álbum foram feitas para dois aspirantes do gênero. Uma chama-se "Certo Dia Na Cidade", composição de Guto, Frejat e Cazuza e escrita no encarte "para Jimi Hendrix". A outra, é a terceira faixa, "Down em Mim", que, mesmo não escrito no encarte do álbum, no filme biográfico "Cazuza- O Tempo Não Pára" o fulano diz que estava com a Janis Joplin na cabeça quando compôs a música. As músicas clássicas desse álbum são a já citada "Down em Mim", "Billy Negão", "Ponto Fraco", "Todo Amor Que Houve Nessa Vida" e "Por Aí". O álbum tem como característica as melodias simples, marcantes, com uma banda excelente e as letras verdadeiras poesias cantadas. As letras, a maioria composta pela dupla Frejat e Cazuza, abordam temas como a solidão, tristeza, o próprio estilo rock e o amor. A canção "Billy Negão" ainda aborda a história de um bandido que rouba para sorrir cheio de dentes para o seu amor. "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", uma das melhores composições do Cazuza, foi adicionada ao repertório de Caetano Veloso que o citou como o poeta daquela geração. Mais tarde, a música ainda entrou no repertório da cantora Cássia Eller, que deu uma roupagem especial à música. Quanto ao som do grupo, destaco os teclados e a guitarra de Maurício e Frejat, somados ao sincronismo da bateria de Guto e as linhas de baixo do Dé, e o vocal rasgado e ao mesmo tempo suave do Cazuza. Um álbum que foi praticamente o pioneiro do rock nos anos 80 e marcante, pois nele esses grandes músicos já mostravam seu talento que se faz presente no rock brasileiro até hoje. Let's rock, baby!

sábado, 27 de março de 2010

AC/DC- High Voltage(1976)




Nome:High Voltage
Ano:1976
Produção:George Young, Harry Vanda
Músicos:Bon Scott(vocal), Angus Young(guitarra), Malcolm Young(guitarra), Mark Evans(baixo), Phil Rudd(bateria)
Faixas:
01.It’s a Long Way to the Top
02.Rock & Roll Singer
03.The Jack
04.Live Wire
05.T.N.T.
06.Can I Sit Next to You Girl
07.Little Lover
08.She's Got Balls
09.High Voltage

Vindos da Austrália, com o vocal único de Bon Scott(mau aê, Brian Johnson!), os solos, a dancinha,a roupa de estudante e a guitarra SG de Angus, as bases de Malcolm, a marcação do baixo de Mark Evans(que usava um Rickenbacker 8D) e a pegada da bateria de Phil Rudd, este era o AC/DC, com um som "cru" que mistura Hard Rock e Blues claramente expressas nesse álbum que é o meu favorito da banda. High Voltage foi o primeiro álbum da banda lançado internacionalmente, que já emplacava vários hits, como a faixa de abertura "It's a Long Way to the Top", com sua letra sobre como é difícil chegar ao topo indo pelo caminho do Rock N' Roll(bem, acho que pra eles não né) e um riff de teclado que sabe se lá quem tocou(informação não encontrada ;/), "Rock N' Roll Singer" fala sobre coisas que muitos(inclusive este que vos fala) já quis fazer, como largar a escola e se tornar um "Rock N' Roll Star", a minha favorita, "The Jack" uma bela linha de blues onde todos os instrumentos trabalham perfeitamente, as bases e os solos dos irmãos Young funcionando perfeitamente e Scott arrebentando no vocal. Acho que meu primeiro contato com a banda veio através dessa música, presente na trilha sonora de algum jogo da série "Tony Hawk's Pro Skater", "T.N.T", de riff simples e por sua vez, clássico. "Little Lover" e "She's Got Balls" mostram o lado "banda de garagem" da turma e, por último a música que carrega o título do álbum, "High Voltage" que junto com o álbum todo parece dizer "Conseguimos, olhem pra nós, nós existimos(e somos bons)".

*Dedico esse post ao Hippie Marcelo, que me disse que o Angus Young foi o maior guitarrista que ele tinha ouvido na vida. Vá em paz, Bob!07/04/2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Milton Nascimento e Lô Borges- Clube da Esquina(1972)


Nome:Clube da Esquina
Ano:1972
Produção:Milton Miranda
Músicos:
Voz- Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Alaíde Costa( em "Me Deixa Em Paz"),
Violão- Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta, Tavito e Beto Guedes (viola de 12 cordas)
Baixo- Beto Guedes, Luiz Alves(elétrico e arco) e Toninho Horta
Guitarra- Tavito(6 e 12 cordas), Lô Borges, Toninho Horta, Nelson Angelo e Beto Guedes
Piano- Milton Nascimento, Wagner Tiso, Lô Borges e Nelson Angelo
Órgão- Wagner Tiso
Bateria- Robertinho Silva e Rubinho
Percussão- Luiz Alves, Rubinho, Robertinho Silva, Toninho Horta, Lô Borges, Paulinho Braga, Beto Guedes, Nelson Angelo e Tavito
Vocais- Wagner Tiso, Toninho Horta, Robertinho Silva, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga Jr., Beto Guedes, Lô Borges e "O Povo"
Arranjos- Wagner Tiso e Eumir Deodato
Regência- Paulo Moura
Faixas:
1.Tudo Que Você Podia Ser
2.Cais
3.O Trem Azul
4.Saídas e Bandeiras nº 1
5.Nuvem Cigana
6.Cravo e Canela
7.Dos Cruces
8.Um Girassol Da Cor De Seu Cabelo
9.San Vicente
10.Estrelas
11.Clube da Esquina nº 2
12.Paisagem Na Janela
13.Me Deixa Em Paz
14.Os Povos
15.Saídas e Bandeiras nº 2
16.Um Gosto De Sol
17.Pelo Amor De Deus
18.Lilia
19.Trem De Doido
20.Nada Será Como Antes
21.Ao Que Vai Nascer

"Pingo:Caramba Léo, você ainda tem o LP do Clube da Esquina?? Eu perdi o meu!
Léo:Esse é o seu."

(Trecho da minissérie Queridos Amigos, exibida pela G***, em 2008)

Desse episódio a garimpar os vinis do meu pai, foram questão de horas. O vinil citado pelo Pingo(Joelson Medeiros) no entanto, era o álbum "Clube da Esquina 2", outro fruto dos mineiros,lançado em 78. Escrever sobre esse álbum pra mim é quase impossível, pois a sensação de ouví-lo é única.
O movimento Clube da Esquina surgiu nos idos dos anos 60 quando Milton conheceu os irmãos Borges(Lô, Marilton e Márcio). O motivo do nome Clube da Esquina veio das reuniões que eles costumavam fazer na esquina da rua Divinópolis com a Paraisópolis, onde sentavam para compor e tocar violão e jogar bola. Além de Milton e dos irmãos Borges, frequentavam o clube o parceiro de "beatlemania" de Lô, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, os integrantes do 14 Bis e muitos outros nomes da nossa música. Assim como o Tropicalismo teve Torquato e Capinan, que eram parceiros constantes de composição dos Tropicalistas, o clube teve Ronaldo Bastos e Fernando Brant, que compuseram em parceria, principalmente, com Milton e Lô grandes clássicos do Clube. O disco duplo, lançado em 1972, trazia fenomenais composições dessa turma, com melodias bem feitas, letras belas e um pouco complexas(afinal, qual a dificuldade que "os ratos sentem pra não saber morrer nas calçadas?"). "Tudo Que Você Podia Ser", parceria dos irmãos Márcio e Lô abre o disco e eu arrisco meu pescoço ao chamá-la de "Like a Rolling Stone brasileira". Pulando para "Trem Azul(The Blue Train)", com letra do Ronaldo Bastos e música do Lô, uma canção sobre saudade, lembranças e coisas que a gente pensa "viajando", uma das minhas favoritas do álbum, uma mistura da música folk dos americanos com a nossa MPB, essa canção foi gravada também por Tom Jobim. A nossa quarta faixa é "Saídas e Bandeiras Nº1" uma canção curta que nos indaga sobre nosso futuro e caminhos a seguir. "Nuvem Cigana(Gipsy Cloud)" relata em seus versos a declaração de alguém que vai proteger aquele que "deixar o coração bater sem medo". Segundo o Milton, a canção italiana "Dos Cruces" não era brasileira mas relatava bem o jeitinho de Minas. Para gravar "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", Lô sentou ao piano e fez uma das faixas mais incríveis do disco, que começa poética e melodiosa e tem um final extraordinário. A presença dos ritmos latinos misturados ao violão de Tavito, eterno parceiro de Zé Rodrix em "San Vicente" mostra que na proposta do Clube também estava presente a ideologia de tornar a nossa música mais "universal", mesmo que os caras de lá não vissem o lado ocidental dos mineiros. Outro momento maravilhoso desse álbum que eu não poderia esquecer é a versão instrumental da música "Clube Da Esquina Nº2", que puts, que arranjo! Só ouvindo. "Clube da Esquina Nº 2" é seguida de outro grande clássico do Clube, "Paisagem na Janela", cantada por Lô. Junto com "O Trem Azul", essa música mostra a influência do movimento Beatnik sobre os mineiros. Com participação de Alaíde Costa, Milton faz uma extraordinaria interpretação de "Me Deixa Em Paz". A atuação dos músicos também se faz notável nessa faixa, com uma melodia meio mesclada entre a Bossa e a música Africana. Em "Saídas e Bandeiras Nº2", a melodia da primeira é mantida, porém sua letra é mudada, mas a proposta ainda é a mesma. Ainda à esta é adicionada um modesto solo de baixo executado pelo Beto Guedes. "Um Gosto de Sol" com piano executado por Milton traz uma letra complexa e um belo arranjo de orquestra feito por Eumir Deodato. Piano elétrico, órgão e todos os efeitos psicodélicos que adoro, estão presentes em "Pelo Amor de Deus", melodia e letras ótimas, parceria de Milton e Fernando Brant, contando com vocal de Lô no final. "Lilia" começa com uma balada bem rítmica com a percussão acompanhada pelo violão e o solfejo de Milton, ainda conta com um belo arranjo de órgão de Wagner Tiso. "Trem de Doido" com uma levada de rock muito bem elaborada e o destaque da guitarra de Beto Guedes. Todos os músicos atuam bem aqui, junto com a letra que trás o intrigante verso "os ratos não sabem morrer na calçada" e os trens são citados outra vez. "Nada Será Como Antes", a música que tocava na abertura de Queridos Amigos, uma balada que fala sobre partida e saudade dos amigos e pessoas deixadas para trás. Fechando com chave de ouro, a faixa "Ao Que Vai Nascer", música com compassos híbridos e uma letra muito bem trabalhada. A foto da capa do álbum, em que estão dois meninos, um negro e um branco, provavelmente para representar Milton e Lô, foi tirada em Nova Friburgo, cidade da qual Beto fez uma música para um de seus distritos, Lumiar. Uma das obras primas da cultura brasileira, esse disco alcançou o 7º lugar na lista dos 100 Maiores Álbuns de Música Brasileira da revista Rolling Stone. E ainda tem gente por aí que ouve fanque...