segunda-feira, 14 de junho de 2010

Plástico Lunar- Coleção de Viagens Espaciais(2009)



Nome:Coleção de Viagens Espaciais
Ano:2009
Produção:Leo Airplane
Músicos:Daniel Torres(voz e guitarra), Plástico Jr.(baixo e vocais), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados, efeitos e vocais), Marcos Odara(bateria e vocais)
Faixas:
1.Moderna
2.Formato cereja
3.Boca aberta
4.Sua casa é o seu paletó
5.Quarto azul
6.Tudo do seu jeito
7.Próxima parada
8.Banquete dos gafanhotos
9.Cínico arrependido
10.Gargantas do deserto
11.Coleção de viagens espaciais
12.Vestígios da noite passada
13.Você vê o Sol se por

Uma coisa que acho que eu nunca deixei claro aqui no blog é que apoio e procuro frequentemente por bandas do cenário independente. No mês passado, quando fui à edição Friburguense do festival Fora do Eixo, comprei por indicação do Alexandre, guitarrista do Mini Box Lunar esse cd do Plástico Lunar. Falando um pouco da banda, eles são de Aracajú-SE e tem em sua formação os integrantes Daniel Torres(guitarra e vocal), Plástico Jr(baixo), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados) e Marcos Odara(bateria). O som da banda é uma soma de elementos do rock psicodélico dos anos 70 com R&B e um pouco de jazz e as letras são realmente boas viagens. Se eu fosse citar alguns artistas que fazem um som parecido, diria que são os gaúchos do Cachorro Grande e o cantor Júpiter Maçã(ou Apple, como preferir). O disco mostra bem todos esses fatores já começando com "Moderna", canção que abre o disco, um jazz-rock com grande destaque para o baixo, que possui linhas bem características do estilo. Algumas canções tem um lado beat com bastante efeitos, como "Formato cereja" e "Banquete dos gafanhotos", hits que tem letras bem psicodélicas. Um lado mais pesado também está presente nesse disco, mostrado pelas canções "Coleção de viagens espaciais" e "Próxima parada" e o lado setentista com músicas como "Sua casa é o seu paletó" e "Gargantas do deserto", além de "Boca aberta", que me lembrou o som da fenomenal banda Casa das Máquinas. Em "Tudo do seu jeito", canção "romântica" ao seu modo, citam a ilustre "Balada do Louco", dos Mutantes. Para finalizar, o lado blues da banda fica ilustrado em "Vestígios da noite passada" e a grande influência psicodélica pode ser notada em "Cínico arrependido" e na progressiva "Você vê o Sol se por", que conta com uma centena de efeitos e linhas instrumentais muito bem trabalhadas. Resumindo, esse álbum é uma prova de que o rock brasileiro não acabou e que existem boas bandas surgindo de diversos lugares do Brasil que a gente nem imagina. Dá para dar uma sacada do som no myspace dos caras e quem quiser adquirir o álbum, compre através do site www.baratosafins.com.br. Vale muito a pena, os caras estão de parabéns!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nirvana- Nevermind(1991)



Nome:Nevermind
Ano:1991
Produção:Butch Vig
Músicos:Kurt Cobain(vocal e guitarra), Krist Novoselic(baixo e vocais), Dave Grohl(bateria e vocais), Kirk Canning(cello)
Faixas:
1.Smells Like Teen Spirit
2.In Bloom
3.Come as You Are
4.Breed
5.Lithium
6.Polly
7.Territorial Pissings
8.Drain You
9.Lounge Act
10.Stay Away
11.On a Plain
12.Something in the Way

Uns massacram, outros ovacionam. Eu sou um dos que vão pela segunda opção. Embora alguns odeiem e digam que o Nirvana é uma banda sem criatividade, embora qualquer um consiga tocar "Come as You Are" no violão, embora milhões de posers sejam aficcionados pelo Nirvana e mesmo que quase ninguém reconheça o Krist como um puta baixista, eu sou um grande fã do Nirvana. Tirando o Mangue Beat, o Nirvana é o que mais curto relacionado a música dos anos 90. As linhas dos instrumentos não são complexas, não são riffs de 1000 notas. Mas quem não pira ouvindo clássicos desse álbum como as mais famosinhas "Smells Like Teen Spirit" e a própria "Come as You Are"? Lançado em 1991, Nevermind é o meu álbum favorito do movimento Grunge e traz melodias muito simples e grandes sucessos do Nirvana. O álbum tem a clássica capa com um bebê nú que parece ir na direção de um dólar preso a um anzol, uma crítica direta ao capitalimo. O álbum traz as características canções pesadas, como a já citada "Smells Like Teen Spirit", a sarcástica "Territorial Pissings" e também "Breed" e "In Bloom". Músicas calmas também estão presentes, como a fenomenal "Polly", que para mim é uma das melhores canções acústicas da banda e "Something in the Way", que soa num tom depressivo com uma letra carregada de significados e ainda conta com um cello tocado pelo Kirk Canning. Uma outra que é tão calma quanto não é e que talvez seja a minha favorita da banda chama-se "Lithium", que deve ser uma declaração muito pessoal do Kurt pelo que a letra demonstra. Como eu disse, virtuosismo nem sempre é tudo e o Nirvana mostra bem isso. A bateria de Dave Grohl soa muito bem na faixa "Lithium" que eu citei, Krist faz um bom trabalho também com seu baixo em "Lounge Act"(que provavelmente era um Gibson *-*), fora "Stay Away", em que ambos mandam bem na intro. Kurt disfere riffs em sua guitarra que ditaram o que grunge era e influenciou muitas bandas que surgiram depois com seu som pesado, agressivo e ao mesmo tempo calmo, ilustado com seu timbre característico de voz e suas composições extraordinárias e muitas vezes incompreendidas, junto a ele estava Krist com suas linhas de baixo simples que encaixavam perfeitamente ao som da banda e a pegada pesada da bateria de Dave Grohl e somando isso tudo "ganhamos" em 1991 este álbum, o 17º mais importante álbum de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.

sábado, 5 de junho de 2010

Erasmo Carlos- Rock N' Roll(2009)



Nome:Rock N' Roll
Ano:2009
Produção:Liminha
Músicos:Liminha(guitarra, baixo e ukulele), Dadi (guitarra e baixo), Alex Veley(teclado), Erasmo(violão e voz), Pedro Dias e Luiz Lopez(vocais)
Faixas:
1.Jogo Sujo
2.Cover
3.Chuva Ácida
4.Olhar de Mangá
5.Noite Perfeita(Uma Farra No Tempo)
6.A Guitarra é uma Mulher
7.Um Beijo é um Tiro
8.Vozes da Solidão
9.Mar Vermelho
10.Noturno Carioca
11.Encontro às Escuras
12.Celebridade

Rock N' Roll é o primeiro disco de inéditas de Erasmo "Tremendão" Carlos desde 2004, quando lançou "Santa Música" seu disco que é considerado o mais autoral, visto que só possui composições suas, sem parcerias com ninguém. O álbum foi lançado há exatamente um ano, no dia 5 de Junho, quando a fera completou 68 anos de idade. O disco traz 5 composições suas, sendo elas "Jogo Sujo", uma canção onde Erasmo faz uso de metáforas, usando jogo de cartas como tema e fala sobre problemáticas da vida humana. A canção foi parte da trilha de alguma novela da rede G*** que eu não assisti(e me orgulho disso :) e no seu clipe ainda tem os integrantes da banda Skank vestido à la Laranja Mecânica. "Cover", um dos hits onde Erasmo conta que já viu cover de vários artistas, porém nenhum seu, então ele seria este "autocover" e ainda joga na dedicatória do disco: "Dedico este disco ao meu cover, que sou eu mesmo". Depois vem "Olhar de Mangá", a minha música favorita no disco, em que Erasmo relaciona o olhar das mulheres com dos personagens dos quadrinhos japoneses, que são os mangás e considera este um olhar "pidão". Erasmo depois canta uma canção bem pessoal, "Vozes da Solidão", um olhar seu das coisas em uma fase na qual andava bem depressivo e sua última composição 100% própria, uma balada chamada "Encontro às Escuras". Além das composições próprias, Erasmo conta com duas músicas em parceria com Nando Reis, sendo elas "O Beijo é um Tiro", em que Nando compara o beijo com um tiro(e pelas palavras do Erasmo "A inspiração do poeta não se discute") e "Mar Vermelho", com grande presença do órgão e o paralama João Barone tocando bateria, duas composições com o grande Nelson Motta, que são "Chuva Ácida", uma balada em que mesclam o problema das chuvas com amor e "Noturno Carioca", uma canção bem no estilo de música havaiana, algo que fica bem ilustrado nos ukuleles de Liminha. Mais duas canções em parceria são "Noite Perfeita" uma balada sobre noitadas, onde Gil Eduardo, filho do Erasmo toca bateria e o arranjo vocal presente aqui foi muito bem feito e "A Guitarra é uma Mulher", onde quem faz os solos é o guitarrista Billy Brandão que explora bastante diferentes timbres de guitarra, ambas compostas em parceria com Chico Amaral. Ainda tem a canção "Celebridade", com a letra feita pelo Liminha em parceria da Patrícia Travassos, onde conta a história de um homem apaixonado por uma mulher que gosta muito de aparecer e faz tudo pela fama. No geral, o disco tem a sonoridade no estilo do Folk Rock dos anos 60, com leves influências do blues sempre com melodias simples. Um ótimo trabalho de produção do Liminha, além da participação dos músicos da banda Filhos da Judith, que tem um som que eu particularmente curto muito(quem quiser conferir o som dos caras ouça no myspace deles). Um boa curtição esse álbum, de certeza um dos melhores de 2009(mesmo que sejam poucos os bons!)

The Doors- Morrison Hotel(1970)



Nome:Morrison Hotel
Ano:1970
Produção:Paul A.Rothchild
Músicos:Jim Morrison(vocal), Robby Krieger(guitarra), Ray Manzarek(piano, órgão, e baixo*), John Densmore(bateria)
Faixas:
1.Roadhouse Blues
2.Waiting For The Sun
3.You Make Me Real
4.Peace Frog
5.Blue Sunday
6.Ship of Fools
7.Land Ho!
8.The Spy
9.Queen of the Highway
10.Indian Summer
11.Maggie M'Gill

Eis aqui o quinto álbum da gigante banda The Doors. Lançado em fevereiro de 1970, mostra todos os motivos para idolatrarem a voz única do Morrison, toda a pegada de guitarra de Krieger, a forma com que Ray Manzarek domina seus teclados, e porque não, Densmore e sua bateria. Alguns referem-se a este álbum como "Hard Rock Cafe", pois era assim que era chamado o primeiro lado do seu LP(e o segundo, de "Morrison Hotel"). A sonoridade do álbum, mostra fortemente a influência do blues, somado às inovações das teclas de Manzarek e as letras, em sua maioria compostas pelo Morrison. Temos a participação do grande bluesman Lonnie Mack tocando baixo e um tal G.Puglese que não é ninguém mais, ninguém menos que John Sebastian, lendário por sua apresentação no festival de Woodstock e ex-integrante do grupo The Lovin' Spoonful tocando harmônica, num dos grandes hits da banda, "Roadhouse Blues", uma canção num estilo de blues clássico e a letra sobre dirigir por estradas e hotelarias. Amor ao Sol e um pouco de agonia é o principal tema de "Waiting for the Sun", canção que tem também uma melodia lenta com passagens mais pesadas. Desejo louco por uma mulher e a base de piano são os elementos que compõem "You Make Me Real", que é seguida por "Peace Frog", mostrando o bom desempenho da banda em sua totalidade e sua letra macabra, falando sobre sangue e coisas do tipo. "Blue Sunday" já é uma canção mais lenta e introspectiva, com os sons de órgão e guitarra no fundo, acompanhados da bateria. Depois de "Blues Sunday", vem de contrapeso duas composições da parceria Krieger-Morrison. Mais rapidinha que a canção anterior, uma balada com uma pitada de blues chamada "Ship of Fools", que traduzindo seria "Navio dos Insensatos", um conto sobre os insensatos, digo, humanos e depois "Land Ho!" com a melodia no mesmo estilo da anterior, com uma letra também falando de navios, porém a música é a história de um neto falando sobre seu avô marinheiro. "The Spy", outro blues lento com base no piano fala sobre "um espião na casa do amor". Mais uma de Morrison e Krieger, "Queen of the Highway", com um solinho do Krieger, um blues com uma cara de anos 70. "Indian Summer", também da dupla, uma bem lentinha, no estilo de "The End", uma declaração de amor incondicional. E para fechar o álbum, a canção "Maggie M'Gill" já entra com a guitarra e bateria marcando esse blues com o vocal de Morrison meio rasgado e forte somados uma letra que mescla consumismo e "tietagem". Com certeza este é um álbum importante para o The Doors, o precedente de L.A. Woman, álbum em que a banda explorou ferozmente o blues. Embora talvez não seja um dos maiores clássicos do The Doors, acho este fabuloso, então "Let it roll, baby, roll"!

*Marquei "baixo" no nome do Manzarek pelo fato deste fazer as linhas de baixo no teclado(nem parece, né não?)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gilberto Gil- Expresso 2222(1972)



Nome:Expresso 2222
Ano:1972
Produção:Guilherme Araújo
Músicos:Gilberto Gil(vocal e violão), Lanny Gordin(guitarra e baixo), Bruce Henry(baixo), Antônio Perna(piano e celesta) e Tutty Moreno(bateria e percussão)
Faixas:
1.Pipoca Moderna
2.Back in Bahia
3.O Canto da ema
4.Chiclete com banana
5.Ele e eu
6.Sai do sereno
7.Expresso 2222
8.O sonho acabou
9.Oriente
10.Cada macaco no seu galho(chô,chuá)
11.Vamos passear no astral
12.Está na cara, está na cura


Gil e Caetano foram presos no ano de 1968 e foram mandados para o exílio acompanhados de suas esposas e do maestro Rogério Duprat. Escolheram ficar na cidade de Londres, capital inglesa. Durante o período de exílio, Gil comprou sua primeira guitarra, uma Gibson 335 e logo começou a estudar o instrumento. Gil assistiu muitos concertos de rock também nesse período, como os Rolling Stones, Jimi Hendrix, John Lennon & The Plastic Ono Band, além de ter ido junto de Caetano à dois festivais da ilha de Wight. Este mostrou ser um período muito produtivo para ambos. Em 1972, voltaram ao Brasil com novas canções e Gil ainda trouxe na bagagem mais duas guitarras elétricas e um filho, Pedro, que é o garoto na capa do álbum. Gil voltou do exílio mudado. Tudo que viu, ouviu e viveu no exílio o influenciou nas composições presentes nesse álbum, que contou com um quarteto que fez grandes trabalhos na época, formado pelo guitarrista Lanny Gordin, o baixista Bruce Henry, o batera Tutty Moreno e o pianista Antônio Perna, que gravaram também com Jards Macalé e acompanharam Gal em seu show histórico em 1971. Gil mostrava agora um lado mais pop, embalado pelo som do rock e, claro, sem perder as raízes baianas que ficaram mais intensas com a saudade de sua terra natal. E, falando em raízes, o disco começa com a música instrumental "Pipoca moderna", tocada com a Banda de Pífanos de Caruaru, grupo com o qual Gil queria gravar há tempos e finalmente pode realizar esse sonho. A segunda canção, "Back in Bahia", uma das minhas favoritas do cantor, era a escolhida para abrir seus shows conhecidos como "shows da volta", foi feita em uma festa realizada na casa dos pais de Caetano e fala sobre sua saudade do Brasil além de mostrar toda a influência da música inglesa nas suas composições(veja o Gil tocando essa música no primeiro show dele de volta ao exílio aqui). "O canto da ema" traz a interpretação de Gil da música de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale transformando a canção num samba com guitarra elétrica e um ótimo solo de baixo do Bruce Henry. "Chiclete com banana", uma leve demonstração da influência do Jazz nessa música que ainda mescla elementos do Samba e da Bossa Nova, ou como o Gil chama na música "o Samba-Rock", a letra fala sobre a mistura dos elementos brasileiros com os americanos e é de autoria de Gordurinha e Almira Castilho. "Sai do sereno", uma união do forró e do baião com a guitarra, conta com a participação de Gal Costa, grande amiga do cantor. Bem no estilo violão e voz(porém, com percussão), vem a canção que dá título ao álbum, "Expresso 2222", uma homenagem de Gil à um trem que ia para Salvador e com certeza, um dos clássicos do cantor. A próxima canção, "O sonho acabou", foi escrita em 1971, na cidade de Glastonbury, onde Gil estava em um festival considerado o último da era Hippie e sentindo que tudo aquilo estava chegando ao fim, Gil se inspirou na famosa frase de John Lennon para compor essa música que também foi parte do repertório dos shows da volta. Outro grande hit desse álbum, foi a canção "Oriente", uma canção reflexiva que mostrava bem agora a forma como Gil tocava seu violão, que se mostrava diferente do que nos tempos do Tropicalismo. Com a participação do seu grande amigo Caetano, Gil gravou a canção "Cada macaco no seu galho"*, que mostrava que embora já fosse uma "página virada", toda a sonoridade tropicalista ainda estava presente nos compositores. Finalizando o disco, Gil mostra duas canções no estilo "frevo-marchinha" sendo elas "Vamos passear no astral"*, abordando os temas carnaval e galáxia e a última, "Está na cara, está na cura", que passa a mensagem que a grande doença da gente é ter medo, porque "a caretice está no medo". Esse disco é uma prova de que a gente pode crescer bastante em situações ruins, embora os nossos mestres tropicalistas aproveitaram bastante o exílio, ficava estampado na cara deles(principalmente na de Caetano), que estar longe do seu país não era algo agradável para eles. Porém, dessa experiência veio esse disco fabuloso, atingindo o 26º lugar dos 100 maiores álbuns de música brasileira, lista sempre comentada aqui no blog feita pela revista Rolling Stone.

*Essas três canções foram marcadas pois pertencem somente a versão em CD do álbum, na versão em LP, estão presentes todas as canções até a faixa 9(Oriente)

terça-feira, 25 de maio de 2010

The Beatles- Let it Be(1970)




Nome:Let it Be
Ano:1970
Produção:George Martin e Phil Spector
Músicos:John Lennon(vocal, guitarra, lap steel, violão e baixo 6 cordas), Paul McCartney (vocal, baixo, piano, violão, órgão Hammond e piano elétrico), George Harrison( vocal, guitarra, violão, tambura e baixo 6 cordas), Ringo Starr(bateria e percussão) e Billy Preston(piano elétrico e órgão Hammond).
Faixas:
1.Two of Us
2.Dig a Pony
3.Across the Universe
4.I Me Mine
5.Dig It
6.Let It Be
7.Maggie Mae
8.I've Got a Feeling
9.One After 909
10.The Long and Winding Road
11.For You Blue
12.Get Back

O último álbum lançado dos "Fab4", chegou às lojas em Maio de 1970. Incialmente chamado de projeto "Get Back", foi uma idéia do McCartney de tentar fazer os Beatles "serem uma banda de novo". Nesse projeto seriam gravados um disco e um documentário. Mas o clima era "tenso". Harisson já declarava que queria sair da banda. Lennon chegou a dizer que colocaria Eric Clapton em seu lugar. No final das contas, eles decidiram que iria rolar e ainda chamaram BIlly Preston para participar das gravações do projeto, que iniciou-se no início de 1969. No dia 30 de Janeiro de 1970, eles fizeram sua última apresentação ao vivo juntos, no topo do prédio da Apple e as cenas do show(que ficou conhecido como Rooftop Concert) entraram para o documentário e 3 das 7 músicas gravadas desse show entraram no álbum, sendo elas "One After 909", "Dig a Pony" e "I've Got a Feeling". Durante os ensaios desse projeto, acabou surgindo outro disco: Abbey Road, lançado em Setembro daquele ano. Depois dessa sessão de gravações, ainda entraram as canções "Across The Universe", que foi remixada e "I, Me, Mine", já sem o Lennon na banda. Três outras canções do álbum foram gravadas de forma ao vivo: "Two of Us", "Dig it" e "Maggie Mae". O projeto acabou trocando de nome e se tornou Let it Be. Muita gente critica esse álbum, fala que "poderia passar sem essa" mas eu digo que o recém-quarentão álbum dos Beatles é um dos meus três favoritos da banda, juntos ao Magical Mystery Tour e ao Abbey Road. "Two of Us", uma canção folk, em que os Beatles mostram toda a sua genialidade com suas melodias bem feitas e a letra falando sobre viagens e estradas. "Dig a Pony", uma ótima canção que o John detestava, feita sobre a filosofia do "você pode fazer o que quiser". A primeira canção executada fora da Terra, uma das melhores composições que alguém poderia ter feito é a terceira canção desse disco e chama-se "Across The Universe". John Lennon compôs essa canção quando estava em um retiro na Índia em 1968 e na canção podemos ouvir a frase "Jai Guru Deva Om", que significa algo próximo de "Vida longa ao guru Dev". A quarta música do álbum e última gravada pela banda(sem o John Lennon já), foi "I Me Mine", que fala sobre o egoísmo(um problema que a banda enfrentava, até então). Pulando para a canção título do álbum, um certo dia Paul sonhou que sua mãe-que falecera quando ele era novo devido a um câncer-virou pra ele e disse "Let it Be". Quando Paul acordou, já tinha a melodia praticamente pronta, e daí surgiu essa canção maravilhosa. A canção "Maggie Mae" conta a história de uma prostituta e aparece no álbum em uma versão de 41 segundos, mas, segundo Lennon, essa música era mais extensa. A canção tem a sua sonoridade bem parecida com as canções Folk americanas. Uma declaração de Paul para Linda, "I've Got a Feeling", que se "fundiu" à uma canção do John (que ficou inacabada) chamada "Everybody Had a Hard Year" e, a parte que eu acredito que seja a dessa música, para mim é a melhor dela("Everybody had a hard year/Everybody had a good time/Everybody had a wet dream/Everybody saw the sunshine/Everyobdy had a good year/Everybody let their hair down/Everybody pulled the socks up/Everybody put their foot down"). Com forte influência de R&B, temos "One After 909", composta por John e Paul quando ainda eram adolescentes. Outra belíssima canção do Paul(puta pleonasmo, não?), "The Long and Winding Road", foi escrita por ele em sua fazenda na Escócia e expressa seu sentimento pelo que estava acontecendo com os Beatles na época, a canção tem como a base a linha de piano do Paul. Porém, este não gostou da versão que entrou no disco, que foi totalmente editado pelo Phil Spector. Em 2003 saiu o "Let it Be...Naked", o álbum da forma que o Paul gostaria que tivesse sido lançado. Em "For You Blue", George traz toda a sua sonoridade e seus instrumentos indianos nessa sua ótima composição, somadas ao lap steel executado por John. Por último, "Get Back", a última música, do último lado, do último disco dos Beatles. Digamos, os Beatles fecharam com chave de ouro. A melodia da canção é bem simples, com marcação presente do baixo e da bateria. A letra fala sobre algumas atitudes provavelmente de "jovens revoltados" e segundo George, Paul cantava a parte do refrão que diz "Get back to where you once belong"("volte de onde você veio") com um olhar penetrante para Yoko Ono. E antes de terminar essa resenha, queria dizer ao Paul(que provavelmente não lerá isso) que eu entendo ele por não gostar da Yoko (Y).

domingo, 9 de maio de 2010

Novos Baianos- Acabou Chorare(1972)



Nome:Acabou Chorare
Ano:1972
Produção:Eustáquio Sena
Músicos:Moraes Moreira(violão, vocais e arranjos), Pepeu Gomes(guitarra, violão, craviola, vocais e arranjos), Baby Consuelo(vocais e percussão), Paulinho Boca de Cantor(vocais e pandeiro), Dadi Carvalho(baixo), Jorginho Gomes(bateria e cavaquinho), Baixinho(bumbo, bateria e bongô) e Bolacha(bongô)
Faixas:
1.Brasil Pandeiro
2.Preta, Pretinha
3.Tinindo Trincando
4.Swing de Campo Grande
5.Acabou Chorare
6.Mistério do Planeta
7.A Menina Dança
8.Besta é Tú
9.Um Bilhete pra Didi
10.Preta Pretinha

"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor", dizem os primeiros versos de "Brasil Pandeiro", canção de Assis Valente que abre o disco. Disco este que se posiciona no 1º lugar da lista dos 100 álbuns mais importantes da música brasileira e é a obra prima dos Novos Baianos. Lançado em 1972, Acabou Chorare, o sucessor de É Ferro na Boneca, primeiro disco da banda lançada em 1970, realmente mostrou o valor dessa gente bronzeada. Tem gente que define o grupo como "Neo-Tropicalista", uma definição até válida, porém definir o estilo desta banda é complicado. O disco trouxe grandes composições principalmente da dupla Galvão/Moraes Moreira, além de uma grande variedade de estilos musicais misturando, entre outros, rock, baião, frevo, bossa nova e samba. "Brasil Pandeiro", é uma declaração da paixão do brasileiro pelo samba e da "descoberta" do samba pelos gringos. "Eu ia lhe chamar/enquanto corria a barca"(x1000), essa é a canção "Preta, Pretinha"!rsrs. Essa canção foi, é e sempre será um dos maiores clássicos da banda e mostra bem a mistura dos ritmos que citei. "Tinindo Trincando", cantada pela Baby e com destaque para a guitarra de Pepeu, é uma das minhas canções favoritas do álbum, forte demonstração da presença do rock na musicalidade do grupo. "Swing de Campo Grande" um "sambão" sobre malandragem e carnaval, com backing vocals muito legais no refrão é uma composição de Paulinho Boca de Cantor junto com Moraes e Galvão. A quinta faixa, que dá título ao álbum, "Acabou Chorare" é de longe uma das composições mais bonitas que já ouvi, uma bossa de Galvão e Moraes que também foi grande sucesso nos anos 70(santa década!rs). "Mistério do Planeta", cantada pelo Paulinho Boca de Cantor, talvez seja uma visão "hippie-brasileira" do universo. "A Menina Dança" outra cantada pela Baby Consuelo, uma balada meio rock com elementos de baião(eu me pergunto como cabe tanta coisa numa música só!rs). A letra parece retratar a própria Baby e mais tarde essa canção foi regravada pela Marisa Monte, que como já era de se esperar dela, não fez feio com a música. Depois vem "Besta é Tú", um "samba-choro" de Moraes, Pepeu e Galvão, que diz que apesar dos apesares, "o mundo é bom, Sebastião" e temos que aproveitá-lo, já que estamos nele e não tem jeito. Um tema instrumental, de um cara que era um dos melhores instrumentistas da banda, Jorginho Gomes, o baterista. "Bilhete pra Didi" é uma síntese da sonoridade da banda, aonde eles fazem uma grande mistura de ritmos que dá um resultado incrível e todos os instrumentistas mandam muito bem por aqui.Para encerrar o álbum, mais 3 minutos e meio de "Preta Pretinha" rsrs. Embora muita gente implique e "tire sarro" com essa música pela repetição dos versos "Eu ia lhe chamar/Enquanto corria a barca"(vide Maria Gabi Gabiherpes) eu acho essa música espetacular e a letra é muito bonita, vale a pena conferir. Acho que não tenho muito mais a dizer sobre esse álbum, querem um desafio? Ouçam e tentem ficar parados ;]

Até breve, eu espero!