sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Todo Blogspot tem seu fim...




..e é o fim, é o fiiim."

A partir de hoje, esse blog não funcionará mais nesse endereço, o The Lucas's Discopédia estará agora nesse novo link:

http://dizconauta.wordpress.com/

Vejo vocês por lá, tem um post de apresentação explicando direitinho o motivo da mudança! ;)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

T.Rex- The Slider (1972)


Nome: The Slider
Ano: 1972
Produção: Tony Visconti
Músicos: Marc Bolan (guitarra e voz), Steve Currie (baixo), Mickey Finn (percussão e vocais), Bill Legend (bateria), Howard Kaylan (vocais) e Mark Volman (vocais)
Faixas:
1.Metal Guru
2.Mystic Lady
3.Rock On
4.The Slider
5.Baby Boomerang
6.Spaceball Ricochet
7.Buick Mackane
8.Telegram Sam
9.Rabbit Fighter
10.Baby Stranger
11.Ballrooms Of Mars
12.Chariot Choogle
13.Main Man

Originalmente formada como Tyranossaurus Rex, a banda tinha um som mais acústico, voltado para o folk, que era influência direta do vocalista e guitarrista Marc Bolan (Bolan= BOb DyLAN). Mais ou menos na virada da década de 60 para os 70, as guitarras começam a mexer com o lado criativo de Bolan. Sendo assim, os músicos são despedidos e forma-se então o T.Rex, um fenômeno do glam rock com nome mais simples e melodias eletrificadas. Após o lançamento de dois bons álbuns, a banda atinge o sucesso com The Slider. Com muita influência dos temas acústicos, The Slider é uma mistura de um rock maduro, com guitarras sujas e temas simples, sem a necessidade de canções complexas. Sua capa, traz Marc Bolan em preto e branco, portando uma cartola e foi clicada por ninguém menos que o beatle Ringo Starr, que também filmou um documentário sobre o grupo. O álbum começa com "Metal Guru", primeiro single do álbum, uma balada folk, com uma guitarra distorcida e backing vocals constantes. "Mystic Lady" segue o mesmo estilo da anterior, porém ainda conta com um arranjo de cordas de fundo. Em "Rock On", um efeito faz parecer que os violinos estão distorcidos. A música título do álbum, é meio que uma síntese dos elementos da banda. "The Slider" começa muito bem com uma virada de bateria e segue com a voz suave de Bolan, acompanhada da guitarra com uma distorção bem dosada, sem parecer pesada. Após determinado momento da música, os violinos acompanham a guitarra. "Baby Boomerang" tem um ritmo meio de "blues de boteco", com efeitos na voz e vocais acompanhando a voz principal no refrão. "Spaceball Ricochet" é basicamente uma base de violão e voz com o baixo fazendo umas escalas no fundo e uma letra inteligente e profunda. A próxima canção, "Buick Mackane" traz um lado mais hard, numa melodia característica de bandas no estilo do Led Zeppelin. Outro sucesso, "Telegram Sam" dá continuidade ao disco, com um estilo bastante glam. "Rabbit Fighter" é mais calma, com um violão base e uns belos gemidos da guitarra. Após a comediante contagem de tempo de Marc Bolan, ouvimos "Baby Strange", que tem uma forte influência de blues e uma bateria com marcação bastante precisa. "Ballrooms of Mars" é uma balada que fez parte da trilha do filme School of Rock ("Escola de Rock") e na letra são citados nomes como John Lennon e Bob Dylan. "Chariot Choogle" é diferente de sua anterior, mais pesada, com riffs distorcidos e a voz de Bolan parece estar dobrada. O álbum acaba com "Main Man", mais uma das músicas com base do violão, além de ter um vocal psicodélico no início e ser uma das músicas onde podemos notar melhor o som do baixo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cássia Eller- Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo (1999)


Nome: Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo
Ano: 1999
Produção: Nando Reis e Luiz Brasil
Músicos: Cássia Eller (voz, violão e percussão), João Viana (bateria), Walter Vilaça (guitarra), Fernando Nunes (baixo), Lanlan (percussão), Thamyma Brasil (percussão), Luiz Brasil (violão, percussão, guitarra, arranjos e violão de 12 cordas), Renato Massa (bateria), Maurício Barros (piano e órgão), Mingo Araújo (percussão), Chiquinho Chagas (acordeom), Cesinha (bateria e percussão), Rodrigo Garcia (violão), Paulo Calasans (piano, órgão e clavinete) e Nanci Ribeiro (voz)
Faixas:
1.Segundo Sol
2.Mapa do Meu Nada
3.Gatas Extraordinárias
4.Um Branco, Um Xis, Um Zero
5.Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)
6.Palavras Ao Vento
7.Aprendiz de Feiticeiro
8.Pedra Gigante
9.Infernal
10.Maluca
11.As Coisas Tão Mais Lindas
12.Esse Filme Eu Já Vi

Com a produção impecável de Nando Reis e Luiz Brasil, Cássia Eller grava em 1999 um disco que traz uma enxurrada de clássicos. Com um verdadeiro time de músicos e uma orquestra, Com Você...Meu Mundo Ficaria Completo, foi a concretização e o auge do sucesso da cantora no fim da década de 90. Como grande intérprete que sempre foi, Cássia traz no disco composições de diversos gêneros e de autoria de vários grandes nomes da música brasileira. O disco já começa com seu maior sucesso ao lado de "Malandragem", "Segundo Sol", que segundo a própria cantora, ela "roubou" de Nando Reis. A música é daquelas perfeitas para se tocar no violão e traz um belo arranjo de cordas, além da participação do "barão" Maurício Barros pilotando as teclas. A segunda faixa, "Mapa do Meu Nada", é uma declaração amorosa de Carlinhos Brown e possui a participação especial de Jussara Silveira no disco. O final de "Mapa do Meu Nada" parece até uma ponte para "Gatas Extraordinárias", do Caetano. O destaque da faixa são as flautas e, claro, a letra impecável do Caetano. Depois dessa dupla de canções de amor, aparece uma canção inversa, "Um Branco, um Xis, um Zero", do trio Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Pepeu Gomes. A canção tem uma forte influência do rock e a voz da Cássia sai, como de costume, extraordinária. A canção título do álbum, também composição de Nando Reis, tem o solo de guitarra do Walter Vilaça e uma letra muito bem construída, falando que perto do amor os problemas parecem pequenos. Seguindo, a sexta faixa traz mais um clássico, composição do baiano Moraes Moreira em parceria com a outra maravilhosa cantora Marisa Monte, "Palavras Ao Vento", com Paulo Calasans tocando um órgão maravilhosamente bonito e Luiz Brasil e Rodrigo Garcia nos violões. Mudando bruscamente o estilo, Cássia Eller mostra sua versatilidade interpretando "Aprendiz de Feiticeiro", do gênio paulista Itamar Assumpção, oriundo da Vanguarda Paulista. Destaque para o acordeom e a percussão. Também com bastante percussão e acordeom, Cássia interpreta, absorvendo o estilo único do compositor baiano Gilberto Gil, "Pedra Gigante", feita em parceria com Bené Fonteles. A nona faixa leva o nome da banda de apoio de seu compositor. "Infernal", de Nando Reis, tem uma fortíssima influência de funk, expressada por Paulo Calasans em seu clavinete, que é completado pelos sopros. "Maluca", de Luiz Capucho, é um samba muito bonito, praticamente montado pelo violão, o arranjo de cordas e a letra falando sobre o amor de uma mulher por flores. Chegando ao final, temos mais uma do Nando Reis, "As Coisas Tão Mais Lindas", muito bem interpretada pela Cássia e por último "Esse Filme Eu Já Vi", de Luiz Melodia e Piau, com grande influência de jazz.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

The Smiths- Rank (1988)



Nome: Rank
Ano: 1988
Produção: Pete Dauncey e Grant Showbiz
Músicos: Morissey (voz), Andy Rourke (baixo), Johnny Marr (guitarra), Mike Joyce (bateria) e Craig Gannon (guitarra)
Faixas:
1.The Queen Is Dead
2.Panic
3.Vicar in a Tutu
4.Ask
5.His Latest Flame/Rusholme Ruffians
6.The Boy with the Thorn in His Side
7.Rubber Ring/What She Said
8.Is It Really So Strange?
9.Cemetry Gates
10.London
11.I Know It's Over
12.The Draize Train
13.Still Ill
14.Bigmouth Strikes Again

Considerada por alguns a banda alternativa mais importante da década de 80, o The Smiths, com sua mistura de pós-punk e new wave, é certamente uma das bandas mais influentes dessa década. Rank foi lançado um ano após o fim da banda e gravado um ano antes, em Outubro de 86. O disco ao vivo traz o áudio das sempre perfomáticas apresentações do grupo, com as tradicionais atitudes e dancinhas do Morissey, a guitarra de Johnny Marr sempre com efeitos que dão cara de anos 80 aos timbres da banda e o baixo e a bateria de Andy Rourke e Joyce sempre em perfeita sintonia, além da participação do músico Craig Gannon tocando uma segunda guitarra. Grande parte do repertório é formada por músicas do álbum lançado no mesmo ano, The Queen is Dead, mas o show ainda conta com músicas que apareceriam em seu sucessor, Louder Than Bombs. Reforçando a idéia de que seja o registro de um show da turnê de The Queen is Dead, o grupo abre com a canção de mesmo nome, com o solo de bateria e no meio da música Morissey empunhando um cartaz escrito "The Queen is Dead" no melhor estilo de Joey Ramone quando os Ramones tocavam "Pinhead" ao vivo. A canção influenciada pela paixão de Morissey pelo cinema britânico da década de 60 ("The Queen is Dead" faz referência ao filme "The L-Shaped Room", de 1962) dá lugar a "Panic", que tornaria-se hit no álbum seguinte, uma canção agradável com poucas variações na melodia e também na letra. "Vicar in a Tutu", tem um ritmo bem rápido, com guitarras dedilhadas e bateria bem marcante. Morissey faz uma declaração sobre os problemas causados por características como a timidez em "Ask". Nessa composição do vocalista em parceria com o guitarrista Johnny Marr, aborda uma temática comum nas canções da banda, que sempre possuiu esse lado introspectivo e até um pouco depressivo. O primeiro medley do disco, "His Latest Flame/Rusholme Ruffians", mistura uma música gravada por Elvis Presley com uma composição de Morissey e Marr do álbum Meat is Murder, mostrando a influência do rockabilly no som do grupo. Mais uma de The Queen is Dead, "The Boy with the Thorn in His Side", com bastante presença do baixo e das guitarras. Outro medley, "Rubber Ring/What She Said", tem um clima diferente, inicialmente com "Rubber Ring" parece perfeita para um daqueles filme de "Sessão da Tarde" dos anos 80, misturando jazz e blues, daí a música vai mudando para "What She Said" e se torna bem pesada, falando inclusive de temas como a morte. "Is It Really So Strange?" tem timbres mais estridentes, que fazem contraste com a voz rasgada e Morissey, tudo com uma boa influência do velho blues. "Cemetry Gates" com o baixo e a bateria se destacando bastante, tem um clima bem agradável. O clima mais pesado no disco, aparece com "London", música totalmente pós-punk, rápida e de letra forte. A melancólica "I Know It's Over" vem em seguida, com arranjo bem parecido com o original. Morissey sai de cena para dar lugar a composição instrumental de Johnny Marr, "The Draize Train", com uma notável influência de funk, no mesmo estilo da música "Barbarisms Begins at Home", de Meat is Murder. Não é algo que seja fácil perceber no som geral do Smiths, mas a influência do funk está lá, por menor que seja. A penúltima música, "Still Ill", tem uma linha de baixo pesada e timbres de guitarra nostálgicos. Por fim, o clássico máximo da banda, "Bigmouth Strikes Again", com sua temática violenta, citando, inclusive, a Joana D'arc. Rank é um belo registro dessa banda que foi muito importante para o rock na década de 80 que, infelizmente, teve uma curta duração, tendo influenciado, inclusive, bandas brasileiras, como a famosa Legião Urbana.

terça-feira, 29 de março de 2011

Secos e Molhados- Ao Vivo no Maracanãzinho (1980)



Nome:Secos e Molhados Ao Vivo no Maracanãzinho
Ano:1980
Produção:Dado não encontrado
Músicos:Dado incerto, os músicos que formavam a banda na época eram: João Ricardo (voz, violão e gaita), Gerson Conrad (voz e violão), Ney Matogrosso (voz), Marcelo Frias (bateria e percussão), Emilio Carrera (piano e órgão), Sergio Rosadas (flauta), John Flavin (guitarra), Willy Verdaguer (baixo)
Faixas:
1.As Andorinhas
2.Rosa de Hiroshima
3.Instrumental I
4.Mulher Barriguda
5.Primavera nos Dentes
6.El Rey
7.Toada & Rock & Mambo & Tango & etc
8.Fala
9.Assim Assado
10.Instrumental II
11.O Vira

Fevereiro de 1974, estádio do Maracanãzinho. Trinta mil pessoas dentro do estádio lotado e mais noventa mil do lado de fora, números incríveis, recorde de público. Já não bastasse bater o "rei" Roberto Carlos em vendas, o Secos e Molhados estavam batendo recorde de público com um espetáculo! Lançado seis anos após a gravação, esse disco ao vivo é de derrubar o queixo de todo mundo que conheça o meteórico disco de estréia da banda, definido pelos próprios por vezes como "um disco de rock que não é um disco de rock". Quero dizer que ao vivo a banda era totalmente diferente, no álbum vemos um grupo tocando rocks ou não de forma mais contida, já nesse disco é uma pedrada só! Há uma combinação bastante perceptível entre os instrumentos e também juntos com a voz do Ney. O repertório é composto por oito músicas do primeiro álbum, duas passagens instrumentais e a até então inédita "Toada & Rock & Mambo & Tango & etc", lançada no segundo disco do grupo. Nota-se bastante a mudança nos arranjos das músicas. O grupo já entra no palco com "As Andorinhas", a banda denuncia o peso na primeira nota e o piano do Carrera segue incrível até Ney derramar os versos dessa verdadeira poesia cantada. Falando em poesia, em seguida ouvimos "Rosa de Hiroshima", o poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, dominado pela flauta de Rosadas e a magnífica voz do Ney Matogrosso. Detalhe que apesar da baixa qualidade da gravação, podemos ouvir o coro da platéia cantando a música. O primeiro tema instrumental aparece, de início bem pesado, com palhetadas rápidas no baixo e na guitarra. Por volta dos dois minutos de duração, as cordas dão lugar a flauta e ao piano, tornando a música mais calma e segue até a variação final, onde volta a parte pesada. Outra das canções mais ligadas ao rock aparece, "Mulher Barriguda", sem muitas diferenças da versão original. Se no primeiro álbum "Primavera Nos Dentes" se mostrava parecida com "Breathe" do Pink Floyd, o mesmo não acontece na versão ao vivo. De início vemos efeitos bastante curiosos, as teclas em primeiro plano e depois Ney faz mais uma de suas incríveis interpretações, com um vocal bastante forte e presente. Passamos rapidamente por "El Rey" sem muitas variações da versão original e depois vamos à "Toada & Rock & Mambo & Tango & etc". A música é basicamente o violão na base e Flavin ditando regras com sua guitarra enquanto Ney, João Ricardo e Gerson Conrad passam o recado com a letra, até que ocorre uma variação onde a música fica mais pesada e até um acordeon aparece. Ney mais uma vez dá um show "solo" na música "Fala", presente em seu repertório até os dias atuais, nesta ocasião sendo acompanhado apenas pelo piano. Para dar continuidade ao espetáculo, mais um classicão do grupo, "Assim Assado", trocando as percussões e sopros da introdução por uma boa batida de bateria e o acompanhamento do baixo. A grande diferença nessa versão são as acelerações que ocorrem nos refrões e principalmente a parte final da música, uma passagem bem interessante destacando piano e baixo primeiro e por fim um solo de guitarra. Após tudo isso, aparece o segundo tema instrumental, bem curtinho, com pouco mais de um minuto de duração, soando mais com uma vinheta. Eis que o show encerra-se com o maior sucesso do grupo, sendo muito executada nas rádios até hoje, "O Vira", também sem muitas diferenças da versão original. Um disco valioso, tanto pela raridade quanto por ser um registro histórico, sem falar da capa sensacional. (:

domingo, 20 de março de 2011

Bob Dylan- Desire (1976)


Nome:Desire
Ano:1976
Produção:Don DeVito
Músicos:Bob Dylan (voz, violão, gaita e piano), Scarlet Rivera (violino), Howard Wyeth (bateria e piano), Dominic Cortese (acordeon e bandolim), Vincent Bell (bouzouki), Rob Stoner (baixo e vocais), Luther Rix (conga), Emmylou Harris, Ronee Blakley e Steven Soles (vocais)
Faixas:
1.Hurricane
2.Isis
3.Mozambique
4.One More Cup of Coffee (Valley Below)
5.Oh, Sister
6.Joey
7.Romance in Durango
8.Black Diamond Bay
9.Sara

O 17º álbum da carreira de Bob Dylan foi lançado no ano de 1976 e trazia em seu repertório, com exceção de duas canções, parcerias com o compositor Jacques Levy. Neste álbum, Dylan mostra-se menos apegado ao lado elétrico de sua música e conta na maioria das músicas com o violino de Scarlet Riviera. As letras desse disco, como um bom disco de folk pede, vêm a contar histórias. Para começar o álbum, Dylan narra ao longo dos mais de 8 minutos de "Hurricane" a história do boxeador Rubbir Carter, que foi preso injustamente por um crime que não cometeu. A canção possui um belo acompanhamento de violino, além de percussões. O piano bem tocado e mais uma vez o violino, são os destaques em "Isis". Com uma agradável linha de baixo e cantada em duas vozes, "Mozambique" traz consigo o ar das primeiras composições de Dylan, mais puxado para as raízes do folk, acústico. Segue-se com "One More Cup of Coffee", outra canção de Dylan bastante conhecida, onde ele descreve uma mulher, acompanhado de uma melodia com poucas variações. Com um ar mais depressivo, aparece "Oh Sister", canção belíssima sobre a relação irmão e irmã, onde há uma perfeita sintonia entre a gaita de Dylan e o então onipresente violino. Na longa "Joey", com letra feita por Levy, Dylan narra a história do gangster Joey Gallo, com um arranjo digno de receber a característica de orquestral. "Romance in Durango" têm uma pítada de música latina em sua composição. Isso fica notório quando Dylan mistura o espanhol com o inglês na letra, além do som de alguns instrumentos como o acordeon e o bandolim. Divida em sete estrofes, "Black Diamond Bay" vem a contar a história da destruição de uma pequena ilha através de duas visões, a dos hospedeiros de um hotel localizado nessa ilha e do próprio narrador, que assistia a tudo no telejornal. O disco termina com "Sara", canção feita por Dylan para sua esposa, Sara Dylan em um momento em que seu casamento não ia bem. É interessante por ser uma letra bem pessoal de Dylan, mas infezlimente (ou felizmente =p) o casamento de Dylan com Sara terminaria no ano seguinte. Desire foi na época grande sucesso de vendas e críticas e atinge em uma das listas da Rolling Stone a posição de 174º álbum mais importante da história.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os Mutantes- A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)



Nome:A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
Ano:1970
Produção:Arnaldo Saccomani
Músicos: Arnaldo Baptista (teclado, baixo e voz), Rita Lee (voz, percussão e efeitos), Sérgio Dias (guitarra, baixo e voz), Ronaldo "Dinho" Leme (bateria), Raphael Vilardi (vocais e violão), Arnolpho "Liminha" Lima Jr (baixo) e Naná Vasconcelos (conga)
Faixas:
1.Ando meio desligado
2.Quem tem medo de brincar de amor
3.Ave, Lúcifer
4.Desculpe, babe
5.Meu refrigerador não funciona
6.Hey boy
7.Preciso urgentemente encontrar um amigo
8.Chão de estrelas
9.Jogo de calçada
10.Oh! mulher infiel

41 anos atrás o Brasil ganhava seu terceiro terceiro título mundial no futebol, o mundo perdia Hendrix e Os Mutantes nos davam de presente seu terceiro disco. O disco marca a entrada do baixista Liminha no grupo e mostra também uma sonoridade mais afastada do Tropicalismo. O disco abre já com um clássico do grupo, "Ando meio desligado", com congas na introdução, um som maravilhoso de órgão e um solo estupendo do Sérgio no final da música. Arnaldo e Lima comandam em "Quem tem medo de brincar de amor" que traz ainda uns efeitos muito loucos como os tradicionais assobios da Rita e no meio ainda cantam um trecho de "Parabéns pra você". Os Mutantes ainda fazem uma homenagem a Lúcifer em "Ave Lúcifer", com vocais muito bem feitos e divididos. Na música notamos a presença do theremin e a lendária Régulus com seus efeitos. Na composição de Rita e Arnaldo "Desculpe, babe", uma balada recheada pela conga de Naná Vasconcelos, falam algo sobre seguir em frente após o fim de uma relação ou coisa do tipo. Agora um ponto alto do disco é a quinta faixa. Podemos dividir "O meu refrigerador não funciona" em duas partes. Na primeira, Arnaldo arrebenta nas teclas e Rita Lee manda uns vocais à la Janis Joplin, com um feeling tremendo. Ainda dá pra perceber um pouco do baixo e a marcação da bateria de fundo. Na segunda parte, Arnaldo também assume os vocais, Dinho se torna mais presente, o baixo torna-se uma loucura com várias frases em walking bass e ainda surge um sax. O som dos teclados de Arnaldo também torna-se mais presente numa onda meio progressiva. Depois dessa "odisséia", surge "Hey Boy", uma balada bem agradável, com sua letra sobre um típico playboy paulista e a presença dos backing vocals de Raphael Vilardi, guitarrista do embrião dos Mutantes, o O'Seis. Sérgio manda muito bem na guitarra nessa faixa, sendo o principal destaque. O grupo gravou neste álbum também uma música de Erasmo e Roberto. "Preciso urgentemente encontrar um amigo" começa com efeitos vindos do órgão e da guitarra e segue numa onda de iê-iê-iê mas com todo o toque dos Mutantes. "Chão de estrelas" é outro ponto alto dessa obra. Um clássico da música brasileira, composição de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, ganhou uma versão toda especial do grupo. Na intro podemos ouvir a parte final de "Panis et Circenses" e segue com Arnaldo interpretando a música com uma voz de timbre grave e debochado e efeitos na música que nem se o Duprat quisesse se esconder ele conseguiria. Há efeitos de tiros, panos se rasgando, despertador e tudo mais. "Jogo de calçada", composição de Arnaldo em parceria com Wandler Cunha e Ilton Silveira. A intro lembra de cara o som do violão do Gilberto Gil, embora não seja ele tocando. A música segue numa rítmica beat, bem reta. Por fim, temos duas composições do grande Arnaldo, "Haleluia", uma espécie de canto religioso devidamente acompanhado do órgão e um baixo no fundo e para terminar, "Oh! mulher infiel", iniciando com um solo fantástico do Dinho e seguindo com uma linha de guitarra fabulosa e a base sendo feita pelo órgão. O efeito da guitarra nessa música, mostra-se semelhante ao de "Batmacumba" e no fim, ela fica bem mais calma abaixando o som até acabar e volta com Sérgio arrebentando na guitarra.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Primus- Frizzle Fry (1990)


Nome:Frizzle Fry
Ano:1990
Produção:Primus e Matt "Exxon" Winegar
Músicos:Les Claypool (baixo e vocal), Larry LaLonde (guitarra e violão) e Tim "Herb" Alexander (bateria)
Faixas:
1.To Defy the Laws of Tradition
2.Groundhog's Day
3.Too Many Puppies
4.Mr. Knowitall
5.Frizzle Fry
6.John the Fisherman
7.You Can't Kill Michael Malloy
8.The Toys Go Winding Down
9.Pudding Time
10.Sathington Willoughby
11.Spegetti Western
12.Harold of the Rocks
13.To Defy

O Primus é uma banda bem maluca, chega ser difícil definir o estilo da banda. É uma mistura de Funk, Metal, Rock, Country e de qualquer coisa que não seja nem um pouco dotada de sanidade. A banda sempre manteve a formação de power trio. O lunático líder da banda, o baixista e vocalista Les Claypool é certamente o mais louco de todos com seu timbre de voz inconfudível e uma habilidade contrabaixística que não fica devendo a nenhum Flea. Claypool consegue misturar todas as técnicas básicas do baixo - sendo elas: pizzicato, slap e tapping - numa mesma música ou parte desta. Ao comando das baquetas está o vulgo Herb, um baterista daqueles que gostam de "castigar" a bateria e além de despejar força sobre ela, também ataca com bastante precisão e técnica. Visto que o Primus é o tipo da banda onde o guitarrista não é a "estrelinha da banda", a guitarra de Larry Lalonde vem para completar a sonoridade excêntrica da banda. Após as apresentações, vamos para o álbum. Frizzle Fry, é o primeiro álbum de estúdio do grupo, lançado no ano de 1990, um ano após o ao vivo Suck on This. Nota-se bastante o crescimento que a banda teve no decorrer deste período, o que pode ser notado nos arranjos das músicas e na produção do álbum. Quatro músicas de Suck on This foram regravadas em Frizzle Fry, sendo elas a faixa título, que possui viradas incríveis de bateria e muito peso em sua parte final, fora sua letra falando sobre dúvidas e descrenças. Além dela fora regravada "John The Fisherman", grande clássico da banda com Claypool usando distorção no baixo na introdução e seu arranjo bem variado e bem feito, com a letra contando a vida de um pescador que gostava de enfrentar o mar, também "Groundhog's Day", uma canção aparentemente mais leve, com Claypool fazendo acordes no baixo, Lalonde fazendo belos fraseados e Herb marcando bem o ritmo e "Harold of The Rocks", mais funk e com um ritmo bem quebrado. A música ainda tem uma variação mais rápida que lhe dá um outro clima e casa muito bem com o estilo da música. Além dessas faixas, temos "To Defy The Laws of Tradition" abrindo o disco, uma crítica aos hábitos e valores da sociedade com tappings, slaps, solos de guitarra, além de ser uma das músicas onde Les melhor usa sua voz. Mais insanidade e peso aparecem em "Mr. Knowitall" e "Too Many Puppies", também clássicos da banda. O disco tem também três vinhetas, "To Defy", reprodução de um pedaço da música de abertura, "Satthington Willoughby" que faz lembrar música oriental e "You Can't Kill Michael Malloy", parte instrumental de uma peça do grupo The Spent Poets. De resto, ainda temos "Pudding Time" que é toda baseada numa linha de slap e "Spegetti Western" com destaque da bateria de Herb que constrói a base da música ao lado da guitarra de Lalonde.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vanguart- Vanguart (2007)



Nome:Vanguart
Ano:2007
Produção:Thiago Marques
Músicos:Hélio Flanders (violão, voz e gaita), Luiz "Lazza" Lazzaroto (teclado e vocais), David Dafré (guitarra e vocais), Reginaldo Lincoln (baixo e vocais) e Douglas Godoy (bateria)
Faixas:
1.Semáforo
2.Just To See Your Bue Eyes
3.Hey Yo Siver
4.Cachaça
5.Miss Universe
6.Christmas Crack
7.Los Chicos de Ayer
8.Enquanto Isso Na Lanchonete
9.Antes Que Eu Me Esqueça
10.Cosmonauta
11.Beloved
12.Dream About Your Love
13.The Last Time I Saw You
14.Para Abrir Os Olhos

Das poucas bandas atuais de rock que gosto, uma das que posso citar é esta. O Vanguart surgiu em 2002 quando o vocalista do grupo, Hélio Flanders voltou de uma viagem de auto-exílio na Bolívia. A princípio, a banda só tocava canções em inglês, mas hoje já notamos grande presença do Português e até do espanhol nas composições da banda. As canções soam como uma mistura do som folk do Bob Dylan, com uns toques dos Beatles e letras bastante poéticas. O disco inicia-se com as batidas de "Semáforo", onde presenciamos várias metáforas na letra, tratando de temas como crença e morte. Depois vem "Just To See Your Blue Eyes", onde Reginaldo tira um ótimo solo do seu baixo. Em um ritmo mais animado, surge "Hey Yo Silver", que nos faz lembrar os filmes antigos de velho oeste e aquele clima de Saloons. "Cachaça", outro hit da banda, possuí um clima introspectivo, uma letra muito bem escrita e interessante. Vale ressaltar que pelo fato da banda usar de três línguas, o vocalista e compositor Hélio Flanders usa muito bem as palavras. "Christmas Crack" é uma canção mais alegre e fala sobre descobertas, soando como uma balada Folk. "Los Chicos de Ayer", cantanda em espanhol, é parceria de Flanders com o baixista Reginaldo Lincoln onde a banda canta sobre lugares, dor e solidão. Depois, outra canção em português, "Enquanto Isso Na Lanchonete", falando sobre amor e da visão distinta do homem e da mulher com direito a solo de escaleta. Com slides e muitos - ênfase no muitos - agudos na guitarra temos a nona faixa, "Antes Que Eu Me Esqueça". Mais outra em português, a minha favorita, "Cosmonauta", com uma parte lenta e uma mais rápida. Em "Beloved", Reginaldo Lincoln assume os vocais para cantar a sua composição sobre despedida e fim de um amor. Hélio põe todo seu feeling em uma canção onde aparecem somente sua voz, seu violão e sua gaita, "The Last Time I Saw You", uma despedida declarada. Para finalizar, uma canção bem versátil, que serviu muito bem para terminar esse disco e iniciar o seu posterior, "Para Abrir Os Olhos", uma canção agradável com uma letra falando sobre o sentido das coisas. E por hoje é só, pessoal (:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Grupo Agua- Transparencia (1978)



Nome:Transparencia
Ano:1978
Produção:Dado não encontrado
Músicos:Nelson Araya (voz, violão, bandolim), Leopoldo Polo Cabrera (voz, violão, charango), Nano Stuven (flauta), Oscar Ratón Pérez (violão, bandolim) e Pedro Jara (percussão)
Faixas:
1.El Colibrí
2.Esperanzas
3.Transparencia
4.Juerga
5.La luna llena
6.El Guillatún
7.La semilla
8.Caldera
9.Baioncito
10.Volver a los 17
11.Tarkeada

É bom dar uma variada vez em quando, né? (Postar também é bom, senhor Lucas (Y)) Eis que hoje vocês não terão um álbum em inglês ou português, vai aí um álbum em espanhol de uma banda chilena. Começando do começo, o Grupo Agua foi bem famoso, inciaram a carreira em 1974 e logo no ano seguinte pegaram a estrada e viajaram por todo o continente americano divulgando suas músicas e adquirindo novas experiências espirituais no Equador. Sua passagem pelo nosso país também foi notável, quando chegaram vindos da Bolívia e após algumas apresentações conheceram Milton Nascimento, que os convidou a participar de algumas músicas do seu disco Geraes - que por sinal acabou vendendo mais de um milhão de cópias. Após a experiência com Milton, em 1978 a Som Livre os convida a gravar um disco, o ilustre Transparencia. Podemos considerar este álbum como um "road-album", um diário onde a banda registrou todas as experiências que obtiveram nesse período de quatro anos de estrada. Para abrir o disco, a banda escolheu a canção "El Colibrí", mágica canção que possui sons do pássaro, belas linhas e execuções dos instrumentos de cordas e da flauta e um agradável conjunto vocal. Violões e flauta andam lado a lado na segunda faixa, a canção "Esperanzas", que parece ilustrar e comprovar o que Nelson Araya diz quando classifica o mecanismo da banda como intuitivo. Ainda falando sobre a forma como o grupo funcionava, outro fato interessante é que o nome de quem compunha as canções não era dito ou registrado, usavam sempre o nome do grupo como autor, para evitar crescimento de ego. Acaba que isso é refletido nas canções, como por exemplo na faixa título do álbum, "Transparencia", onde a flauta de Nano Stuven "carrega" a música, mas não se torna um destaque total na canção, aonde vale também prestar atenção nas percussões e no violão de aço. A influência da música brasileira é bem ilustrada na canção "Juerga", onde usam berimbaus em certa parte da música. O mais bacana em "La Luna llena" são os arranjos vocais e o ritmo da canção. Seguimos com "El Guillatun", música sobre um rito Mapuche que é um tipo de prece. Ainda vale destacar a grandiosa canção "La Semilla", o tema "Caldera", a última canção "Tarkeada", onde os sopros comandam e ainda a interpretação de "Volver a los 17", canção eternizada na voz de Mercedes Sossa e também gravada por Milton Nascimento. Desde o primeiro post eu disse que não iria incentivar a pirataria, mas esse disco é quase uma peça de museu, então encontrem ele para baixar e desfrutem bastante!

Ah, esse blog completou 1 ano na segunda-feira. Queria agradecer a todo mundo que acessa, segue e contribui direta ou indiretamente comigo e com o blog!! Um feliz 2011 a todos com muita paz, luz, saúde e boa música!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chico Science e Nação Zumbí- Afrociberdelia (1996)



Nome:Afrociberdelia
Ano:1996
Produção:Eduardo BID e Chico Science e Nação Zumbí
Músicos: Chico Science (vocal), Dengue (baixo), Lúcio Maia (guitarras), Pupilo (bateria), Jorge du Peixe (alfaia), Toca Ogan (alfaia), Gilmar Bola 8 (alfaia), Gira (alfaia), Marcelo Lobato (teclados), Lucas Santana (flauta), Gustavo Didalva (percussão), Hugo Hori (flauta e sax), Tiquinho (trombone), Bidinho (trumpete e flugelhorn), Sérginho Trombone (trombone), Eduardo Bid (guitarra dub), Fred 04 (cavaquinho)
Faixas:
1.Mateus Enter
2.O Cidadão do Mundo
3.Etnia
4.Quilombo Groove
5.Macô
6.Um Passeio no Mundo Livre
7.Samba do lado
8.Maracatu Atômico
9.O Encontro de Issac Asimov com Santos Dumont no Céu
10.Corpo de Lama
11.Sobremesa
12.Manguetown
13.Um Satélite na Cabeça
14.Baião Ambiental
15.Sangue de Bairro
16.Enquanto o Mundo Explode
17.Interlude Zumbi
18.Criança de Domingo
19.Amor de Muito
20.Samidarish
21.Maracatu Atômico (Atomic Version)
22.Maracatu Atômico (Ragga Mix)
23.Maracatu Atômico (Trip Hop)

Quando as coisas começam a ficar todas iguais, tem que surgir algo para diversificar. Quando na década de 90 o pop rock que era a cara do rock brasileiro desde a década de 80 começou a se tornar um ciclo de repetições eis que surgiram os Caranguejos com Cérebro e o movimento Mangue Beat. Resumindo, o Mangue Beat foi um movimento cultural/estilo de música que misturou a música regional nordestina - mais precisamente a pernambucana - com elementos do rock e da música eletrônica (tá vendo como essa de misturar música regional com rock sempre dá certo?). Os principais expoentes do movimento foram o Mundo Livre S/A e o Chico Science & Nação Zumbí e seus respectivos líderes Fred 04 e Chico Science. Para não desvirtuar o texto, vamos direto ao álbum e a banda. Na época desse disco, Nação Zumbí tinha uma verdadeira orquestra percussiva que contava com o atual vocalista do grupo Jorge du Peixe, Toca Ogan, Gira e Gilmar Bola 8 nas alfaias além da bateria do recém-chegado Pupilo. Somavam-se a eles o baixo grooveado de Dengue e a guitarra pesada e suingada de Lúcio Maia. À frente da banda estava a cabeça pensante de Chico Science, indiscutivelmente um dos grandes gênios da música brasileira e que tinha uma voz inconfundível (infelizmente, Chico Science veio a falecer em um acidente de carro no dia 2 de Fevereiro de 1997). O nome "Afrociberdelia", segundo o encarte, vem da união de África + Cibernética + Psicodelia e para abrir o álbum temos "Mateus Enter", uma verdadeira apresentação que faz-se de ponte para "Cidadão do Mundo" que julgo ser o verdadeiro retrato do "Mangue Boy". A música traz um timbre de bateria que parece ser eletrônica, os grooves de Dengue e conta ainda com efeitos digitais e berimbau. A terceira faixa, "Etnia", traz na letra genial de composição do Chico falando sobre miscigenação da qual nos originamos e da igualdade entre elas e tem a sonoridade típica do grupo, contando ainda com os sopros. "Quilombo Groove" é uma passagem instrumental que podemos classificá-la como uma "Moby Dick"(canção do grupo Led Zeppelin) à la Mangue Beat. Outra ilustre canção e clássico do banda que dá continuação ao álbum é "Macô", com a intro de "A Minha Menina", a participação de Gilberto Gil e Marcelo D2 nos vocais e a fenomenal linha de flauta de Hugo Hori. Lucio Maia abre a próxima canção com sua guitarra no melhor estilo samba rock e é acompanhada pelas alfaias e pelo baixo de Dengue que se não é está com uma timbragem próxima de um acústico. A letra de "Um Passeio no Mundo Livre" mostra a visão de Science de um lugar onde pode-se ser livre, talvez seja uma Olinda que ele mesmo criou. Os músicos da Nação Zumbí ainda homenagearam o samba em "Samba de Lado" que conta com a participação de Fred 04 no cavaquinho. Bom...O que falar de "Maracatu Atômico"? Às vezes quando ouço esta versão (a primeira de quatro presentes no disco) me questiono se Mautner e Jacobina não compuseram esta música uns bons 30 anos antes para o Nação gravar. Nem a versão do Gil, nem a do Mautner chegaram perto da versão do Nação, por melhores que sejam. Uma canção bem intrigante é "O Encontro de Isaac Asimov Com Santos Dumont No Céu", canção de curta duração, com Dengue mais uma vez usando o acústico e a banda explorando os efeitos eletrônicos. Mais um clássico do grupo, "Corpo de Lama", fala na letra de não irmos pelas aparências e no fim ainda traz uma mensagem sobre honestidade. Em "Sobremesa", Chico mistura inglês com português mais alfaias, guitarra com wah e um baixo bem escondido. Junto de "Maracatu Atômico", a próxima faixa é o maior clássico da banda. A faixa "Manguetown" tem um ar mais pop e ilustra uma cidade erguida sobre o mangue e mostra o belo casamento dos instrumentos de cordas com a percussão, sendo essa uma canção mais "crua", pelo fatos dos únicos efeitos presentes serem os da guitarra. Pandeirolas e distorção são as principais características da faixa 13, "Um Satélite na Cabeça". Mais uma instrumental, de autoria de Dengue, Gira e Lucio Maia, a faixa "Baião Ambiental" mistura o tradicional baião a um grande número de efeitos eletrônicos. Em "Sangue de Bairro" a banda faz uma "pedrada" em homenagem aos cangaceiros do bando de lampião e diga-se de passagem: haja fôlego, Chico Science! "Enquanto o Mundo Explode" é o tipo de música para banda de black metal nenhum botar defeito. Imagine se o baterista de uma banda como o Slayer trocasse o pedal duplo pelos tambores de maracatu? Sem falar da fantástica e pesada letra anticapitalista. Depois há "Interlude Zumbi", uma faixa curta homenageando o grande escravo guerreiro com berimbaus e batuques. O disco segue com "Criança de Domingo", uma canção mais calma conta que com violão, alfaias e uma guitarra distorcida vez ou outra, depois vem "Amor de Muito", com a melodia nos melhores moldes de "A Minha Menina" e com a guitarra soando bem psicodélica e percussão e baixo em perfeita harmonia, ainda podemos ouvir no fundo o teclado de Marcelo Lobato e depois o belíssimo arranjo de sopro. Quase no fim, entra a instrumental "Samidarish", canção que traz um clima bem pacífico, estilo música oriental, mas, claro, com todo o toque Mangue Beat do grupo. Com 2:30 de música, começamos a ouvir um diálogo entre os membros devaneando sobre o dinheiro e sua sujeira. O disco finaliza-se com mais três versões remixadas e bem distintas de "Maracatu Atômico". A primeira é a "Atomic Version" e nessa versão o ritmo da bateria está mais acelerado e ouve-se diferentes efeitos sonoros harmônicos. Depois entra a versão "Ragga Mix", adicionando-se vários efeitos e transformando a música numa levada ragga. Por último, a versão "Trip Hop", contando com bastante scratches e efeitos na voz do Chico. Afrociberdelia ocupa o 18º lugar na lista dos 100 maiores álbuns de música brasileira feita pela revista Rolling Stone e é junto de seu antecessor, Da Lama ao Caos (1994) um dos álbuns fundamentais para entender a estética e proposta do Mangue Beat, um movimento de importância riquíssima para a música e a cultura brasileira não tão reconhecido.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

The Band- Music From Big Pink (1968)


Nome:Music From Big Pink
Ano:1968
Produção:John Simon
Músicos:Rick Danko (baixo, fiddle e vocal), Levon Helm (bateria, violão, percussão e vocal), Garth Hudson (órgão, piano, clavinete e saxofone), Richard Manuel (piano, órgão, bateria e vocal), Robbie Robertson (guitarra e vocal)
Faixas:
1.Tears of Rage
2.To Kingdom Come
3.In a Station
4.Caledonia Mission
5.The Weight
6.We Can Talk
7.Long Black Veil
8.Chest Fever
9.Lonesome Suzie
10.This Wheel's on Fire
11.I Shall Be Released

Antes de falar sobre o disco, voltemos ao tempo. Por volta de 1965, um público muito fiel e admirador leva um baque. Aquele jovem rapaz que subia aos palcos acompanhado de sua gaita e seu violão tocando coisas como "Blowing in the Wind" e "It ain't me" agora estava sendo acompanhado por um grupo de rock. Dylan excursionou com sua banda elétrica chamada The Hawks pela Europa e não foi muito bem recebido pelo público. Após essa turnê, Dylan sofrera um sério acidente de moto que o manteve afastado dos palcos e das gravações até 1968. Nesse período, o empresário de sir Zimmerman, Albert Grossman, sugere aos músicos do The Hawks a mudarem-se para Woodstock para ficarem mais próximos de Dylan e mantê-lo produzindo. Robbie Robertson tinha ido na frente e estava morando em uma casa em West Saugarties. Logo, Rick Danko comprou a lendária casa rosa próxima a casa de Robertson onde logo depois Richard Manuel, Garth Hudson e Levon Helm também viriam a se hospedar. A casa de Danko, apelidada de "Big Pink" tornou-se o point dos músicos do Hawks e também de Bob Dylan. Um belo motivo para isso? O estúdio montado pelos músicos no porão da casa. No estúdio da Big Pink, os músicos do The Hawks criaram um dos mais influentes e profundos álbuns de todos os tempos e assumiram de vez o nome de The Band. "Music From The Big Pink" é o álbum de estréia do fabuloso bando de Dylan. Como já devem ter imaginado, o nome que deu-se ao álbum é exatamente por suas músicas terem sido criadas na casa Big Pink. Music From Big Pink mostra a essência e a criatividade dos músicos do The Band ao longo de suas 11 faixas. A sonoridade desse maravilhoso grupo que surgiu no meio de toda a psicodélia que começou a reinar no fim da década de 60 mostra um Country Rock com letras belíssimas, melodias e arranjos bem feitos e muito profissionalismo (afinal, eram a banda de apoio do Dylan). Há nesse disco muito órgão e teclas, as linhas de baixo bem desenhadas feitas onde Rick Danko não se preocupa em encher de notas e exageros, o timbre característico e os vocais maravilhosos de Levon Helm, que mais tarde ainda seria definido como "o único baterista capaz de causar emoção", além da guitarra do genial Robbie Robertson, o grande centro criativo da banda, responsável pela maioria das letras. Robertson tinha em sua guitarra bases que se completavam com as teclas de Garth e Manuel, além dos seus solos também não tão complexos, mas que encaixavam perfeitos na temática das músicas. O álbum inicia-se com "Tears of Rage", um dos maiores clássicos do grupo, fruto de uma parceria de Richard Manuel com Dylan. Nessa faixa, Manuel faz os vocais principais e faz com muita técnica, aproveitando o melhor da mesma. O destaque fica por conta do órgão, tocado por Garth Hudson e também vale citar sua letra que baseia-se no tema da ingratidão. "To Kingdom Come" carrega um ritmo mais acelerado, onde o baixo de Rick destaca-se mais e também o solinho feito por Robbie no final da música e mais uma vez os sons do piano aparecem bem. "In A Station" é outra belíssima canção, que tem uma letra profunda e recebe toda a emoção da voz de Richard Manuel, que é seguida dos backing vocals da banda, recebendo assim maior sentimento. Pulando um pouco, temos o maior clássico da banda, uma das mais belas canções já criadas, "The Weight", onde Levon Helm faz jus a frase de que era um baterista emocionante. "The Weight" tem melodias e arranjos magníficos, é uma música realmente tocante não só por sua melodia como também pela letra que passa mensagens magníficas sobre a juventude da época. Porém, faço uma indicação: ouçam a versão do show The Last Waltz, que deu outra vida a música. Prosseguindo, vem a música "We Can Talk", que abre com as teclas de Hudson e Manuel e é uma canção que apresenta uma bela divisão dos vocais. "Long Black Veil" é uma balada country de grande sucesso que foi regravado pelo The Band. A música é composição de Danny Dill e Marijohn Wilkin e sua letra fala sobre um homem que é confundido com um assassino. Essa música foi gravada também por nomes como Johnny Cash e Dave Matthews Band. "Long Black Veil" é seguida por "Chester Fever", uma canção que na introdução passa a idéia de ser uma música mais pesada e de certa forma realmente é. A canção possuí um riff característico que varia-se no refrão. Já nos primeiros versos pode-se presumir o compositor de "The Wheels on Fire". A forma como a letra soa já entregam o Bob Dylan de cara. "The Wheels on Fire" é uma parceria de Dylan e o baixista Rick Danko e na gravação deste álbum recebe Danko na voz principal e Helm nos backings. Algo interessante nessa música é a sonoridade do clavinet de Hudson que soa parecido com um banjo. Por último, temos outra composição de Dylan que se tornou um clássico do The Band, "I Shall Be Released", uma música onde o piano faz a base e sua letra fala sobre um presidiário e seu cotidiano na prisão. O vocal principal fica por conta de Richard Manuel e Danko harmoniza junto de Helm no refrão. Um disco ímpar do final da década de 60, diferenciando-se do som característico da época sem deixar de ser bom.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pato Fu- Música de Brinquedo (2010)



Nome:Música de Brinquedo
Ano:2010
Produção:John Ulhoa
Músicos:Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo*
Faixas:
1.Primavera
2.Sonífera Ilha
3.Rock And Roll Lullaby
4.Frevo Mulher
5.Ovelha Negra
6.Todos Estão Surdos
7.Live and Let Die
8.Pelo Interfone
9.Twiggy Twiggy
10.My Girl
11.Ska
12.Love Me Tender

É, um álbum de 2010! Para mim o único e mais aguardado do ano. Música de Brinquedo foi um projeto um tanto audacioso do Pato Fu. Como o próprio título sugere, o disco foi gravados com instrumentos de brinquedo e miniaturas de alguns outros, o que poderia ser mais experimental que isso? No geral, se saiu um disco muito bom. Quando a banda lançou na internet os clipes das gravações de "Primavera", eternizada na voz de Tim Maia e "Live and Let Die" do McCartney, fiquei bastante curioso para ver como ficaria o trabalho no final. Gostei bastante do disco, os timbres soam bastante suaves, as crianças tiveram um empenho muito bom, mesmo que às vezes os vocais fiquem "fofinhos demais". Não que atrapalhe a qualidade do disco, pelo contrário, caiu bem com a proposta. A voz da Fernanda ficou ótima em "Primavera", que contou com a participação das crianças Nina (filha de Fernanda e John), Mariana Devin e João Lucas Ulhoa, sobrinho de John. "Sonífera Ilha" teria ficado bem mais legal se tivesse entrado no disco como medley com "Ska", como fizeram no Paralamas e Titãs Ao Vivo, mas ambas ficaram legais, contando bastante com o piano de brinquedo e uma marcação rítmica bem precisa. Mostrando a versatilidade do disco, a banda gravou "Frevo Mulher", composição do Zé Ramalho e tanto nesta, quanto na próxima faixa, "Ovelha Negra", clássico de vossa majestade Rita Lee Jones, o coral das crianças ficou legal. Ainda vale ressaltar "Todos Estão Surdos" de Roberto e Erasmo, onde piano, vozes, baixo, sopros e qualquer outro tipo de brinquedo aqui presente fizeram um trabalho notável, uma versão bem bacana. Mesmo que eu já tenha postado o vídeo e comentado um pouquinho, "Live and Let Die" merece atenção maior. A voz suave de Fernanda, misturada aos vocais rasgados dos pequenos cantores e o ritmo progressivo dessa música ficaram perfeitos na temática do disco, canção que faria falta no repertório com certeza. Ainda resta comentar o grande clássico do senhor Elvis Presley, "Love Me Tender", que não pareceu tanto de brinquedo assim, mas ficou muito boa. Resumindo, Música de Brinquedo é uma brincadeira muito séria. Ah, e também não baixem o disco, ele é uma prova viva de que a qualidade do CD é muito superior ao download ;)

*No encarte não vem escrito quem toca o que, mas tem o seguinte texto:

"Este disco, é claro, foi todo gravado com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. Também foram utilizados instrumentos ligados à musicalização infantil como flauta, xilofone, kalimba e escaleta. Um cavaquinho foi usado como violão folk e também como baixo. O piano de brinquedo, o glockenspiel de latão e o kazoo de plástico foram os reis do pedaço. Um tecladinho-calculadora Casio VL1 fez a alegria das crianças na faixa dos 40 aqui. Qualquer brinquedo valeu, seja de madeira, pelúcia ou eletrônico."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cream- Wheels of Fire (1968)



Nome:Wheels of Fire
Ano:1968
Produção:Felix Pappalardi
Músicos:Jack Bruce (baixo, gaita, cello, violão e vocal), Eric Clapton (guitarra e vocal), Ginger Baker (bateria e percussão) e Felix Pappalardi (órgão, viola e instrumento de orquestras)
Faixas:
1.White Room
2.Sitting on Top of the World
3.Passing The Time
4.As You Said
5.Pressed Ratand Warthog
6.Politician
7.Those Were The Days
8.Born Under a Bad Sign
9.Desert Cities of The Hearts
10.Crossroads
11.Spoonful
12.Train Time
13.Toad

Um mês e treze dias sem escrever aqui no blog, será que ainda sei como fazer isso? rss

Então, para esse retorno escolhi um álbum desse estupendo Power Trio que foi o Cream. Me lembro de estar voltando de viagem, andando do centro até a minha casa ouvindo esse disco e pensando "Oh, como a minha década é cruel, 'Socorro el Justiciero, ajuda-me por favor'" (tá, não foi com essas palavras). Wheels of Fire é o terceiro álbum do Cream, lançado em 1968. O álbum mostra a banda fazendo um som mais psicodélico, não tão puxado para o blues quanto seus antecessores. O disco foi lançado em formato duplo, sendo o primeiro disco uma gravação de estúdio (das faixas 1 até a 9) e o segundo gravações da banda tocando no Fillmore e no Winterland Ballroom. No primeiro, temos de cara o maior hit do grupo ao lado de "Sunshine of Your Love", "White Room", psicodélica até cansar, com vocais bem arranjados e a guitarra de Clapton arrebentando. Outros bons clássicos do Cream aparecem ainda no primeiro disco, a exemplo temos "Politician", que já é mais puxada pro Blues e "Sitting on Top of the World", música do Howlin' Wolf que o trio regravou, dando a ela um caracter mais leve, menos "raiz" que a original. Ainda de regravações o disco tem "Born Under a Bad Sign", de Albert King, na interpretação do Cream contando com pandeirolas e o timbre e estilo únicos de Bruce (Gibson EB3, né) e assim como em "Sitting on Top the World", traz um vocal bem diferenciado da original, marcando a "assinatura" do Cream (a disciplina pra escrever é tanta que estou até tocando ela aqui rs). Um pouco diferente do som da banda, temos "Passing the Time" que a princípio nem é tão diferente assim, mas adquire um ar progressivo, com partes meio acústicas, com o soar de vários sinos, depois tendo partes com o tradicional blues rock da banda e também "As You Said", canção acústica contando com as cordas de Pappalardi e Bruce. Em "Those Were The Days", Bruce e Clapton mandam muito bem, fazem seus papéis direitinho, digamos, mas o mérito mesmo vai para Ginger Baker com seu estilo de tocar único, uma grande característica de todos os integrantes da banda. No segundo disco, temos atuações magistrais, como Clapton em "Crossroads", cantando e fazendo estupendas linhas em sua guitarra ou então Baker em sua composição, "Toad", recebendo com esta versão o mérito de um dos melhores solos de bateria ao vivo da história (é pra quem pode, Restart!). Além delas, temos uma versão de 16 minutos da canção "Spoonful", outro clássico da banda, um blues cheio de improvisos e "Traintime", com Bruce e Ginger brincando de "trenzinho". Puta disco, bicho! Ah, acalmem-se que o blog voltou \o

terça-feira, 6 de julho de 2010

Arnaldo Baptista- Loki? (1974)



Nome:Loki?
Ano:1974
Produção:Roberto Menescal e Marco Mazzola
Músicos:Arnaldo Baptista (piano, órgão, clavinet, sintetizador, violão de 12 cordas e vocal), Liminha (baixo), Dinho Leme (bateria), Rafa (baixo), Rita Lee* (backing vocals)
Faixas:
1.Será que eu vou virar bolor?
2.Uma pessoa só
3.Não estou nem aí
4.Vou me afundar na lingerie
5.Honky Tonky (Patrulha do Espaço)
6.Cê tá pensando que eu sou Loki?
7.Desculpe
8.Navegar de novo
9.Te amo podes crer
10.É fácil

Como eu havia prometido, aqui está o álbum do nosso grande aniversariante. Loki foi gravado ao vivo, em 16 canais, numa época em que Arnaldo estava muito depressivo e triste. Tá, acho que só de se tratar da obra-prima do pai do Rock brasileiro (vá se habituando a ouvir muitos elogios nesse texto, acho que já é clara a minha devoção pelo Arnaldo) não precisava falar de muito mais, mas é muito difícil não falar dos arranjos de adivinha quem? Rogério Duprat! O "mago" fez os arranjos de "Uma pessoa só" e de "Cê tá pensando que eu sou Loki?". Não satisfeitos ainda? Temos a "cozinha" d'Os Mutantes aqui, formada por Dinho e Liminha. Loki? é um disco muito pessoal. Mostra como Arnaldo era e como estava se sentindo após ter saído d'Os Mutantes e ter se separado da senhorita Rita Lee Jones. Resumindo, Loki? é um desabafo. "Será que eu vou virar bolor?" e "Vou me afundar na lingerie" expressam bem essa tristeza do Arnaldo. "Uma pessoa só", música d'Os Mutantes, presente no disco O A e o Z (gravado em 1973, porém lançado somente em 1992) recebeu uma nova roupagem, com os arranjos feitos pelo Duprat, como eu disse acima. Arnaldo também fez uma música que parece ser um pedido de desculpas a Rita, a faixa "Desculpe", uma das mais rapidinhas do disco, com Arnaldo dando o melhor da sua voz e da sua genialidade nas teclas (Arnaldo toca aqui órgão, clavinet e o lendário sintetizador Moog), sem contar com uma perfeita linha de baixo tocada pelo baixista Rafa, do qual não tenho grandes informações. Falando ainda em Arnaldo e suas teclas, há aqui uma canção instrumental, chamada "Honky Tonky", onde Arnaldo despeja seu virtuosismo e a canção é bem definida no encarte do disco: "Só piano". Arnaldo abrange a idéia de que as coisas perderam os sentidos e mostra que tanto faz viver ou morrer na canção "Não estou nem aí", outra das mais puxadas para o rock. "Te amo podes crer" também aborda essa idéia, sendo esta uma canção bem complexa pela letra sofisticada. Já "Navegar de novo" é uma espécie de clamor pela vida, onde Arnaldo também fala do espaço, velocidade da luz e toda aquela onda espacial que ele curte, composta somente por Arnaldo no piano e cantando. Bom, "Cê tá pensando que eu sou Loki?" a canção síntese do disco, que para mim, junto de "Balada do Louco" ilustra quem é o Arnaldo Baptista e mostra grande influência do Samba e da Bossa na musicalidade do Arnaldo. Por fim, temos a curtinha "É Fácil", composta apenas por três versos, violão de 12 cordas e voz e reúne uma série de fatores, como blues, psicodélia e música indiana. Por mais que digam que o Arnaldo está acabado, que ele está lúcido ou qualquer outra besteira, ele no auge dos seus 62 anos recém completados está mais vivo do que nunca! Esta é uma sincera homenagem de um grande fã e admirador de um dos maiores nomes da música brasileira. Parabéns Arnaldo, que ainda venham muitos aniversários e que em breve possamos ouvir "A Esfera da Espera"!!

* Que diabos Rita Lee fazia nesse disco?^o)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Joni Mitchell- Shadows and Light(1980)



Nome:Shadows and Light
Ano:1980
Produção:Joni Mitchell
Músicos:Joni Mitchell(guitarra e vocal), Jaco Pastorius(baixo), Pat Metheny(guitarra), Don Alias(bateria), Lyle Mays(teclados), Michael Brecker(saxofone), The Persuasions(vocais)
Faixas:
1.Introduction
2.In France They Kiss On Main Street
3.Edith and the Kingpin
4.Coyote
5.Goodbye Pork Pie Hat
6.Jaco's Solo
7.The Dry Cleaner from Des Moines
8.Amelia
9.Pat's Solo
10.Hejira
11.Black Crow
12.Don's Solo
13.Dreamland
14.Free Man in Paris
15.Band Introduction
16.Fury Sings the Blues
17.Raised on Robbery
18.Why Do Fools Fall in Love
19.Shadows and Light
20.God Must be a Boogie Man
21.Woodstock

Bom, essa é uma resenha especial. É a primeira vez que escrevo sobre um álbum ao vivo e sobre um DVD. Shadows and Light é, digamos "cheio de coisas". Certas "coisas" só existem pra versão em DVD/VHS, outras só na primeira tiragem do cd e outras só na segunda. Esse álbum é uma experiência alucinante, o som literalmente entra em você. O DVD em si é uma obra de arte. Quer algumas provas?Bem, vejamos. A voz única, incrível, maravilhosa, sensacional de Joni Mitchell cantando suas também maravilhosas composições, com Pat Metheny na guitarra e Jaco Pastorius no baixo. Claro, sem desmerecer a bateria de Don Alias, o sax de Brecker e os teclados de Lyle Mays. Se já não bastasse tudo isso, ainda passa junto com a imagem do show alguns vídeos que têm a ver com as músicas, como em "Introduction", a introdução do show onde passam vídeos no maior estilo de filmes dos anos 70, onde os vídeos são mais notáveis em "Coyote" e principalmente "Black Crow", onde Joni aparece com uma capa aparentando um corvo fazendo patinação no gelo. Quanto a sonoridade do álbum, Joni fez uma mistura do Folk, estilo em que já era consagrada com o Jazz, um campo um tanto diferente, mas não deixou a desejar, pois tinha um time de feras na sua banda. O show foi gravado em Santa Barbara em Setembro de 1979, durante a turnê do álbum "Mingus", álbum que Joni Mitchell criou letras em cima das melodias do grande baixista de jazz Charles Mingus, inclusive há uma música do mesmo no Shadows and Light chamada "Goodbye Pork Pie Hat", assim como uma parceria dos dois, que é a canção "The Dry Cleaner from Des Moines". No começo, poucos acreditavam nesse projeto, por incrível que pareça. Jaco, como sempre, se destacou. Faixas como "In France They Kiss On Main Street", "Edith and the Kingpin"(nesta, principalmente na intro) e "Free Man in Paris", onde além dele, o saxofonista Michael Brecker também faz um trabalho notório, o "rei do fretless" faz jus à tantos títulos de melhor baixista do mundo. O jovem e ainda não tão famoso Pat Metheny também não faz feio. Pat explora bastante suas técnicas e usa bem os harmônicos. O interessante de ressaltar sobre um trabalho ao vivo, na minha opinião, são as performances. As músicas totalmente bem estruturadas, arranjos bem trabalhados, perfeito sincronismo da banda e alguns improvisos são destaques aqui. Falando ainda em performances, existem três faixas do disco que contam com solos dos integrantes, sendo elas "Pat's Solo", onde Metheny faz um notável solo em cima de uma melodia um tanto melancólica, mas atingindo bem o clima do disco e conta ainda com os teclados de Lyle ao fundo."Don's Solo", solo do baterista Don Alias, é uma bela demonstração de suas habilidades na percussão. Por fim, "Jaco's Solo", onde Pastorius usa alguns efeitos além de um sequencer, para realizar toda a sua "baixaria". Além das composições de Mitchell e as canções com Mingus, o disco ainda traz a bela interpretação de "Why Do Fools Fall in Love", composição de Frankie Lymon em parceria com Morris Levy que conta com a participação do grupo vocal The Persuasions. Mesmo que eu já tenha falado de alguns, os pontos altos do disco, são, além do solo dos músicos, as canções "Black Crow" e "Coyote", principalmente pelos vídeos, como eu já havia dito, "Dreamland", que inicia-se quase como um medley com "Don's Solo" e "In France They Kiss On Main Street", uma ótima escolha para abrir o show. Além disso, Joni fez uma versão muito interessante de sua canção "Woodstock", que também foi gravada pelo Crosby, Stills, Nash & Young em seu álbum "Deja Vú", lançado em 1972. Shadows and Light é um álbum artisticamente completo, assim como Joni também é uma artista fenomenal, que nunca faz feio ou deixa a desejar. Abaixo, a lista das canções que são exclusivas de algumas versões desse trabalho:

"Jaco's Solo"- Exclusiva da versão VHS/DVD
"Black Crow"- Excluída da primeira tiragem da versão CD
"Don's Solo"- Excluída da versão VHS/DVD e da primeira tiragem da versão CD
"Dreamland"- Excluída da versão VHS/DVD
"Free Man in Paris"- Excluída da primeira tiragem da versão CD
"Raised on Robbery"- Exclusiva da versão VHS/DVD
"God Must be a Boogie Man"- Excluída da versão VHS/DVD
"Woodstock"- Excluída da versão VHS/DVD

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Plástico Lunar- Coleção de Viagens Espaciais(2009)



Nome:Coleção de Viagens Espaciais
Ano:2009
Produção:Leo Airplane
Músicos:Daniel Torres(voz e guitarra), Plástico Jr.(baixo e vocais), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados, efeitos e vocais), Marcos Odara(bateria e vocais)
Faixas:
1.Moderna
2.Formato cereja
3.Boca aberta
4.Sua casa é o seu paletó
5.Quarto azul
6.Tudo do seu jeito
7.Próxima parada
8.Banquete dos gafanhotos
9.Cínico arrependido
10.Gargantas do deserto
11.Coleção de viagens espaciais
12.Vestígios da noite passada
13.Você vê o Sol se por

Uma coisa que acho que eu nunca deixei claro aqui no blog é que apoio e procuro frequentemente por bandas do cenário independente. No mês passado, quando fui à edição Friburguense do festival Fora do Eixo, comprei por indicação do Alexandre, guitarrista do Mini Box Lunar esse cd do Plástico Lunar. Falando um pouco da banda, eles são de Aracajú-SE e tem em sua formação os integrantes Daniel Torres(guitarra e vocal), Plástico Jr(baixo), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados) e Marcos Odara(bateria). O som da banda é uma soma de elementos do rock psicodélico dos anos 70 com R&B e um pouco de jazz e as letras são realmente boas viagens. Se eu fosse citar alguns artistas que fazem um som parecido, diria que são os gaúchos do Cachorro Grande e o cantor Júpiter Maçã(ou Apple, como preferir). O disco mostra bem todos esses fatores já começando com "Moderna", canção que abre o disco, um jazz-rock com grande destaque para o baixo, que possui linhas bem características do estilo. Algumas canções tem um lado beat com bastante efeitos, como "Formato cereja" e "Banquete dos gafanhotos", hits que tem letras bem psicodélicas. Um lado mais pesado também está presente nesse disco, mostrado pelas canções "Coleção de viagens espaciais" e "Próxima parada" e o lado setentista com músicas como "Sua casa é o seu paletó" e "Gargantas do deserto", além de "Boca aberta", que me lembrou o som da fenomenal banda Casa das Máquinas. Em "Tudo do seu jeito", canção "romântica" ao seu modo, citam a ilustre "Balada do Louco", dos Mutantes. Para finalizar, o lado blues da banda fica ilustrado em "Vestígios da noite passada" e a grande influência psicodélica pode ser notada em "Cínico arrependido" e na progressiva "Você vê o Sol se por", que conta com uma centena de efeitos e linhas instrumentais muito bem trabalhadas. Resumindo, esse álbum é uma prova de que o rock brasileiro não acabou e que existem boas bandas surgindo de diversos lugares do Brasil que a gente nem imagina. Dá para dar uma sacada do som no myspace dos caras e quem quiser adquirir o álbum, compre através do site www.baratosafins.com.br. Vale muito a pena, os caras estão de parabéns!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nirvana- Nevermind(1991)



Nome:Nevermind
Ano:1991
Produção:Butch Vig
Músicos:Kurt Cobain(vocal e guitarra), Krist Novoselic(baixo e vocais), Dave Grohl(bateria e vocais), Kirk Canning(cello)
Faixas:
1.Smells Like Teen Spirit
2.In Bloom
3.Come as You Are
4.Breed
5.Lithium
6.Polly
7.Territorial Pissings
8.Drain You
9.Lounge Act
10.Stay Away
11.On a Plain
12.Something in the Way

Uns massacram, outros ovacionam. Eu sou um dos que vão pela segunda opção. Embora alguns odeiem e digam que o Nirvana é uma banda sem criatividade, embora qualquer um consiga tocar "Come as You Are" no violão, embora milhões de posers sejam aficcionados pelo Nirvana e mesmo que quase ninguém reconheça o Krist como um puta baixista, eu sou um grande fã do Nirvana. Tirando o Mangue Beat, o Nirvana é o que mais curto relacionado a música dos anos 90. As linhas dos instrumentos não são complexas, não são riffs de 1000 notas. Mas quem não pira ouvindo clássicos desse álbum como as mais famosinhas "Smells Like Teen Spirit" e a própria "Come as You Are"? Lançado em 1991, Nevermind é o meu álbum favorito do movimento Grunge e traz melodias muito simples e grandes sucessos do Nirvana. O álbum tem a clássica capa com um bebê nú que parece ir na direção de um dólar preso a um anzol, uma crítica direta ao capitalimo. O álbum traz as características canções pesadas, como a já citada "Smells Like Teen Spirit", a sarcástica "Territorial Pissings" e também "Breed" e "In Bloom". Músicas calmas também estão presentes, como a fenomenal "Polly", que para mim é uma das melhores canções acústicas da banda e "Something in the Way", que soa num tom depressivo com uma letra carregada de significados e ainda conta com um cello tocado pelo Kirk Canning. Uma outra que é tão calma quanto não é e que talvez seja a minha favorita da banda chama-se "Lithium", que deve ser uma declaração muito pessoal do Kurt pelo que a letra demonstra. Como eu disse, virtuosismo nem sempre é tudo e o Nirvana mostra bem isso. A bateria de Dave Grohl soa muito bem na faixa "Lithium" que eu citei, Krist faz um bom trabalho também com seu baixo em "Lounge Act"(que provavelmente era um Gibson *-*), fora "Stay Away", em que ambos mandam bem na intro. Kurt disfere riffs em sua guitarra que ditaram o que grunge era e influenciou muitas bandas que surgiram depois com seu som pesado, agressivo e ao mesmo tempo calmo, ilustado com seu timbre característico de voz e suas composições extraordinárias e muitas vezes incompreendidas, junto a ele estava Krist com suas linhas de baixo simples que encaixavam perfeitamente ao som da banda e a pegada pesada da bateria de Dave Grohl e somando isso tudo "ganhamos" em 1991 este álbum, o 17º mais importante álbum de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.

sábado, 5 de junho de 2010

Erasmo Carlos- Rock N' Roll(2009)



Nome:Rock N' Roll
Ano:2009
Produção:Liminha
Músicos:Liminha(guitarra, baixo e ukulele), Dadi (guitarra e baixo), Alex Veley(teclado), Erasmo(violão e voz), Pedro Dias e Luiz Lopez(vocais)
Faixas:
1.Jogo Sujo
2.Cover
3.Chuva Ácida
4.Olhar de Mangá
5.Noite Perfeita(Uma Farra No Tempo)
6.A Guitarra é uma Mulher
7.Um Beijo é um Tiro
8.Vozes da Solidão
9.Mar Vermelho
10.Noturno Carioca
11.Encontro às Escuras
12.Celebridade

Rock N' Roll é o primeiro disco de inéditas de Erasmo "Tremendão" Carlos desde 2004, quando lançou "Santa Música" seu disco que é considerado o mais autoral, visto que só possui composições suas, sem parcerias com ninguém. O álbum foi lançado há exatamente um ano, no dia 5 de Junho, quando a fera completou 68 anos de idade. O disco traz 5 composições suas, sendo elas "Jogo Sujo", uma canção onde Erasmo faz uso de metáforas, usando jogo de cartas como tema e fala sobre problemáticas da vida humana. A canção foi parte da trilha de alguma novela da rede G*** que eu não assisti(e me orgulho disso :) e no seu clipe ainda tem os integrantes da banda Skank vestido à la Laranja Mecânica. "Cover", um dos hits onde Erasmo conta que já viu cover de vários artistas, porém nenhum seu, então ele seria este "autocover" e ainda joga na dedicatória do disco: "Dedico este disco ao meu cover, que sou eu mesmo". Depois vem "Olhar de Mangá", a minha música favorita no disco, em que Erasmo relaciona o olhar das mulheres com dos personagens dos quadrinhos japoneses, que são os mangás e considera este um olhar "pidão". Erasmo depois canta uma canção bem pessoal, "Vozes da Solidão", um olhar seu das coisas em uma fase na qual andava bem depressivo e sua última composição 100% própria, uma balada chamada "Encontro às Escuras". Além das composições próprias, Erasmo conta com duas músicas em parceria com Nando Reis, sendo elas "O Beijo é um Tiro", em que Nando compara o beijo com um tiro(e pelas palavras do Erasmo "A inspiração do poeta não se discute") e "Mar Vermelho", com grande presença do órgão e o paralama João Barone tocando bateria, duas composições com o grande Nelson Motta, que são "Chuva Ácida", uma balada em que mesclam o problema das chuvas com amor e "Noturno Carioca", uma canção bem no estilo de música havaiana, algo que fica bem ilustrado nos ukuleles de Liminha. Mais duas canções em parceria são "Noite Perfeita" uma balada sobre noitadas, onde Gil Eduardo, filho do Erasmo toca bateria e o arranjo vocal presente aqui foi muito bem feito e "A Guitarra é uma Mulher", onde quem faz os solos é o guitarrista Billy Brandão que explora bastante diferentes timbres de guitarra, ambas compostas em parceria com Chico Amaral. Ainda tem a canção "Celebridade", com a letra feita pelo Liminha em parceria da Patrícia Travassos, onde conta a história de um homem apaixonado por uma mulher que gosta muito de aparecer e faz tudo pela fama. No geral, o disco tem a sonoridade no estilo do Folk Rock dos anos 60, com leves influências do blues sempre com melodias simples. Um ótimo trabalho de produção do Liminha, além da participação dos músicos da banda Filhos da Judith, que tem um som que eu particularmente curto muito(quem quiser conferir o som dos caras ouça no myspace deles). Um boa curtição esse álbum, de certeza um dos melhores de 2009(mesmo que sejam poucos os bons!)

The Doors- Morrison Hotel(1970)



Nome:Morrison Hotel
Ano:1970
Produção:Paul A.Rothchild
Músicos:Jim Morrison(vocal), Robby Krieger(guitarra), Ray Manzarek(piano, órgão, e baixo*), John Densmore(bateria)
Faixas:
1.Roadhouse Blues
2.Waiting For The Sun
3.You Make Me Real
4.Peace Frog
5.Blue Sunday
6.Ship of Fools
7.Land Ho!
8.The Spy
9.Queen of the Highway
10.Indian Summer
11.Maggie M'Gill

Eis aqui o quinto álbum da gigante banda The Doors. Lançado em fevereiro de 1970, mostra todos os motivos para idolatrarem a voz única do Morrison, toda a pegada de guitarra de Krieger, a forma com que Ray Manzarek domina seus teclados, e porque não, Densmore e sua bateria. Alguns referem-se a este álbum como "Hard Rock Cafe", pois era assim que era chamado o primeiro lado do seu LP(e o segundo, de "Morrison Hotel"). A sonoridade do álbum, mostra fortemente a influência do blues, somado às inovações das teclas de Manzarek e as letras, em sua maioria compostas pelo Morrison. Temos a participação do grande bluesman Lonnie Mack tocando baixo e um tal G.Puglese que não é ninguém mais, ninguém menos que John Sebastian, lendário por sua apresentação no festival de Woodstock e ex-integrante do grupo The Lovin' Spoonful tocando harmônica, num dos grandes hits da banda, "Roadhouse Blues", uma canção num estilo de blues clássico e a letra sobre dirigir por estradas e hotelarias. Amor ao Sol e um pouco de agonia é o principal tema de "Waiting for the Sun", canção que tem também uma melodia lenta com passagens mais pesadas. Desejo louco por uma mulher e a base de piano são os elementos que compõem "You Make Me Real", que é seguida por "Peace Frog", mostrando o bom desempenho da banda em sua totalidade e sua letra macabra, falando sobre sangue e coisas do tipo. "Blue Sunday" já é uma canção mais lenta e introspectiva, com os sons de órgão e guitarra no fundo, acompanhados da bateria. Depois de "Blues Sunday", vem de contrapeso duas composições da parceria Krieger-Morrison. Mais rapidinha que a canção anterior, uma balada com uma pitada de blues chamada "Ship of Fools", que traduzindo seria "Navio dos Insensatos", um conto sobre os insensatos, digo, humanos e depois "Land Ho!" com a melodia no mesmo estilo da anterior, com uma letra também falando de navios, porém a música é a história de um neto falando sobre seu avô marinheiro. "The Spy", outro blues lento com base no piano fala sobre "um espião na casa do amor". Mais uma de Morrison e Krieger, "Queen of the Highway", com um solinho do Krieger, um blues com uma cara de anos 70. "Indian Summer", também da dupla, uma bem lentinha, no estilo de "The End", uma declaração de amor incondicional. E para fechar o álbum, a canção "Maggie M'Gill" já entra com a guitarra e bateria marcando esse blues com o vocal de Morrison meio rasgado e forte somados uma letra que mescla consumismo e "tietagem". Com certeza este é um álbum importante para o The Doors, o precedente de L.A. Woman, álbum em que a banda explorou ferozmente o blues. Embora talvez não seja um dos maiores clássicos do The Doors, acho este fabuloso, então "Let it roll, baby, roll"!

*Marquei "baixo" no nome do Manzarek pelo fato deste fazer as linhas de baixo no teclado(nem parece, né não?)