domingo, 13 de fevereiro de 2011

Primus- Frizzle Fry (1990)


Nome:Frizzle Fry
Ano:1990
Produção:Primus e Matt "Exxon" Winegar
Músicos:Les Claypool (baixo e vocal), Larry LaLonde (guitarra e violão) e Tim "Herb" Alexander (bateria)
Faixas:
1.To Defy the Laws of Tradition
2.Groundhog's Day
3.Too Many Puppies
4.Mr. Knowitall
5.Frizzle Fry
6.John the Fisherman
7.You Can't Kill Michael Malloy
8.The Toys Go Winding Down
9.Pudding Time
10.Sathington Willoughby
11.Spegetti Western
12.Harold of the Rocks
13.To Defy

O Primus é uma banda bem maluca, chega ser difícil definir o estilo da banda. É uma mistura de Funk, Metal, Rock, Country e de qualquer coisa que não seja nem um pouco dotada de sanidade. A banda sempre manteve a formação de power trio. O lunático líder da banda, o baixista e vocalista Les Claypool é certamente o mais louco de todos com seu timbre de voz inconfudível e uma habilidade contrabaixística que não fica devendo a nenhum Flea. Claypool consegue misturar todas as técnicas básicas do baixo - sendo elas: pizzicato, slap e tapping - numa mesma música ou parte desta. Ao comando das baquetas está o vulgo Herb, um baterista daqueles que gostam de "castigar" a bateria e além de despejar força sobre ela, também ataca com bastante precisão e técnica. Visto que o Primus é o tipo da banda onde o guitarrista não é a "estrelinha da banda", a guitarra de Larry Lalonde vem para completar a sonoridade excêntrica da banda. Após as apresentações, vamos para o álbum. Frizzle Fry, é o primeiro álbum de estúdio do grupo, lançado no ano de 1990, um ano após o ao vivo Suck on This. Nota-se bastante o crescimento que a banda teve no decorrer deste período, o que pode ser notado nos arranjos das músicas e na produção do álbum. Quatro músicas de Suck on This foram regravadas em Frizzle Fry, sendo elas a faixa título, que possui viradas incríveis de bateria e muito peso em sua parte final, fora sua letra falando sobre dúvidas e descrenças. Além dela fora regravada "John The Fisherman", grande clássico da banda com Claypool usando distorção no baixo na introdução e seu arranjo bem variado e bem feito, com a letra contando a vida de um pescador que gostava de enfrentar o mar, também "Groundhog's Day", uma canção aparentemente mais leve, com Claypool fazendo acordes no baixo, Lalonde fazendo belos fraseados e Herb marcando bem o ritmo e "Harold of The Rocks", mais funk e com um ritmo bem quebrado. A música ainda tem uma variação mais rápida que lhe dá um outro clima e casa muito bem com o estilo da música. Além dessas faixas, temos "To Defy The Laws of Tradition" abrindo o disco, uma crítica aos hábitos e valores da sociedade com tappings, slaps, solos de guitarra, além de ser uma das músicas onde Les melhor usa sua voz. Mais insanidade e peso aparecem em "Mr. Knowitall" e "Too Many Puppies", também clássicos da banda. O disco tem também três vinhetas, "To Defy", reprodução de um pedaço da música de abertura, "Satthington Willoughby" que faz lembrar música oriental e "You Can't Kill Michael Malloy", parte instrumental de uma peça do grupo The Spent Poets. De resto, ainda temos "Pudding Time" que é toda baseada numa linha de slap e "Spegetti Western" com destaque da bateria de Herb que constrói a base da música ao lado da guitarra de Lalonde.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vanguart- Vanguart (2007)



Nome:Vanguart
Ano:2007
Produção:Thiago Marques
Músicos:Hélio Flanders (violão, voz e gaita), Luiz "Lazza" Lazzaroto (teclado e vocais), David Dafré (guitarra e vocais), Reginaldo Lincoln (baixo e vocais) e Douglas Godoy (bateria)
Faixas:
1.Semáforo
2.Just To See Your Bue Eyes
3.Hey Yo Siver
4.Cachaça
5.Miss Universe
6.Christmas Crack
7.Los Chicos de Ayer
8.Enquanto Isso Na Lanchonete
9.Antes Que Eu Me Esqueça
10.Cosmonauta
11.Beloved
12.Dream About Your Love
13.The Last Time I Saw You
14.Para Abrir Os Olhos

Das poucas bandas atuais de rock que gosto, uma das que posso citar é esta. O Vanguart surgiu em 2002 quando o vocalista do grupo, Hélio Flanders voltou de uma viagem de auto-exílio na Bolívia. A princípio, a banda só tocava canções em inglês, mas hoje já notamos grande presença do Português e até do espanhol nas composições da banda. As canções soam como uma mistura do som folk do Bob Dylan, com uns toques dos Beatles e letras bastante poéticas. O disco inicia-se com as batidas de "Semáforo", onde presenciamos várias metáforas na letra, tratando de temas como crença e morte. Depois vem "Just To See Your Blue Eyes", onde Reginaldo tira um ótimo solo do seu baixo. Em um ritmo mais animado, surge "Hey Yo Silver", que nos faz lembrar os filmes antigos de velho oeste e aquele clima de Saloons. "Cachaça", outro hit da banda, possuí um clima introspectivo, uma letra muito bem escrita e interessante. Vale ressaltar que pelo fato da banda usar de três línguas, o vocalista e compositor Hélio Flanders usa muito bem as palavras. "Christmas Crack" é uma canção mais alegre e fala sobre descobertas, soando como uma balada Folk. "Los Chicos de Ayer", cantanda em espanhol, é parceria de Flanders com o baixista Reginaldo Lincoln onde a banda canta sobre lugares, dor e solidão. Depois, outra canção em português, "Enquanto Isso Na Lanchonete", falando sobre amor e da visão distinta do homem e da mulher com direito a solo de escaleta. Com slides e muitos - ênfase no muitos - agudos na guitarra temos a nona faixa, "Antes Que Eu Me Esqueça". Mais outra em português, a minha favorita, "Cosmonauta", com uma parte lenta e uma mais rápida. Em "Beloved", Reginaldo Lincoln assume os vocais para cantar a sua composição sobre despedida e fim de um amor. Hélio põe todo seu feeling em uma canção onde aparecem somente sua voz, seu violão e sua gaita, "The Last Time I Saw You", uma despedida declarada. Para finalizar, uma canção bem versátil, que serviu muito bem para terminar esse disco e iniciar o seu posterior, "Para Abrir Os Olhos", uma canção agradável com uma letra falando sobre o sentido das coisas. E por hoje é só, pessoal (:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Grupo Agua- Transparencia (1978)



Nome:Transparencia
Ano:1978
Produção:Dado não encontrado
Músicos:Nelson Araya (voz, violão, bandolim), Leopoldo Polo Cabrera (voz, violão, charango), Nano Stuven (flauta), Oscar Ratón Pérez (violão, bandolim) e Pedro Jara (percussão)
Faixas:
1.El Colibrí
2.Esperanzas
3.Transparencia
4.Juerga
5.La luna llena
6.El Guillatún
7.La semilla
8.Caldera
9.Baioncito
10.Volver a los 17
11.Tarkeada

É bom dar uma variada vez em quando, né? (Postar também é bom, senhor Lucas (Y)) Eis que hoje vocês não terão um álbum em inglês ou português, vai aí um álbum em espanhol de uma banda chilena. Começando do começo, o Grupo Agua foi bem famoso, inciaram a carreira em 1974 e logo no ano seguinte pegaram a estrada e viajaram por todo o continente americano divulgando suas músicas e adquirindo novas experiências espirituais no Equador. Sua passagem pelo nosso país também foi notável, quando chegaram vindos da Bolívia e após algumas apresentações conheceram Milton Nascimento, que os convidou a participar de algumas músicas do seu disco Geraes - que por sinal acabou vendendo mais de um milhão de cópias. Após a experiência com Milton, em 1978 a Som Livre os convida a gravar um disco, o ilustre Transparencia. Podemos considerar este álbum como um "road-album", um diário onde a banda registrou todas as experiências que obtiveram nesse período de quatro anos de estrada. Para abrir o disco, a banda escolheu a canção "El Colibrí", mágica canção que possui sons do pássaro, belas linhas e execuções dos instrumentos de cordas e da flauta e um agradável conjunto vocal. Violões e flauta andam lado a lado na segunda faixa, a canção "Esperanzas", que parece ilustrar e comprovar o que Nelson Araya diz quando classifica o mecanismo da banda como intuitivo. Ainda falando sobre a forma como o grupo funcionava, outro fato interessante é que o nome de quem compunha as canções não era dito ou registrado, usavam sempre o nome do grupo como autor, para evitar crescimento de ego. Acaba que isso é refletido nas canções, como por exemplo na faixa título do álbum, "Transparencia", onde a flauta de Nano Stuven "carrega" a música, mas não se torna um destaque total na canção, aonde vale também prestar atenção nas percussões e no violão de aço. A influência da música brasileira é bem ilustrada na canção "Juerga", onde usam berimbaus em certa parte da música. O mais bacana em "La Luna llena" são os arranjos vocais e o ritmo da canção. Seguimos com "El Guillatun", música sobre um rito Mapuche que é um tipo de prece. Ainda vale destacar a grandiosa canção "La Semilla", o tema "Caldera", a última canção "Tarkeada", onde os sopros comandam e ainda a interpretação de "Volver a los 17", canção eternizada na voz de Mercedes Sossa e também gravada por Milton Nascimento. Desde o primeiro post eu disse que não iria incentivar a pirataria, mas esse disco é quase uma peça de museu, então encontrem ele para baixar e desfrutem bastante!

Ah, esse blog completou 1 ano na segunda-feira. Queria agradecer a todo mundo que acessa, segue e contribui direta ou indiretamente comigo e com o blog!! Um feliz 2011 a todos com muita paz, luz, saúde e boa música!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chico Science e Nação Zumbí- Afrociberdelia (1996)



Nome:Afrociberdelia
Ano:1996
Produção:Eduardo BID e Chico Science e Nação Zumbí
Músicos: Chico Science (vocal), Dengue (baixo), Lúcio Maia (guitarras), Pupilo (bateria), Jorge du Peixe (alfaia), Toca Ogan (alfaia), Gilmar Bola 8 (alfaia), Gira (alfaia), Marcelo Lobato (teclados), Lucas Santana (flauta), Gustavo Didalva (percussão), Hugo Hori (flauta e sax), Tiquinho (trombone), Bidinho (trumpete e flugelhorn), Sérginho Trombone (trombone), Eduardo Bid (guitarra dub), Fred 04 (cavaquinho)
Faixas:
1.Mateus Enter
2.O Cidadão do Mundo
3.Etnia
4.Quilombo Groove
5.Macô
6.Um Passeio no Mundo Livre
7.Samba do lado
8.Maracatu Atômico
9.O Encontro de Issac Asimov com Santos Dumont no Céu
10.Corpo de Lama
11.Sobremesa
12.Manguetown
13.Um Satélite na Cabeça
14.Baião Ambiental
15.Sangue de Bairro
16.Enquanto o Mundo Explode
17.Interlude Zumbi
18.Criança de Domingo
19.Amor de Muito
20.Samidarish
21.Maracatu Atômico (Atomic Version)
22.Maracatu Atômico (Ragga Mix)
23.Maracatu Atômico (Trip Hop)

Quando as coisas começam a ficar todas iguais, tem que surgir algo para diversificar. Quando na década de 90 o pop rock que era a cara do rock brasileiro desde a década de 80 começou a se tornar um ciclo de repetições eis que surgiram os Caranguejos com Cérebro e o movimento Mangue Beat. Resumindo, o Mangue Beat foi um movimento cultural/estilo de música que misturou a música regional nordestina - mais precisamente a pernambucana - com elementos do rock e da música eletrônica (tá vendo como essa de misturar música regional com rock sempre dá certo?). Os principais expoentes do movimento foram o Mundo Livre S/A e o Chico Science & Nação Zumbí e seus respectivos líderes Fred 04 e Chico Science. Para não desvirtuar o texto, vamos direto ao álbum e a banda. Na época desse disco, Nação Zumbí tinha uma verdadeira orquestra percussiva que contava com o atual vocalista do grupo Jorge du Peixe, Toca Ogan, Gira e Gilmar Bola 8 nas alfaias além da bateria do recém-chegado Pupilo. Somavam-se a eles o baixo grooveado de Dengue e a guitarra pesada e suingada de Lúcio Maia. À frente da banda estava a cabeça pensante de Chico Science, indiscutivelmente um dos grandes gênios da música brasileira e que tinha uma voz inconfundível (infelizmente, Chico Science veio a falecer em um acidente de carro no dia 2 de Fevereiro de 1997). O nome "Afrociberdelia", segundo o encarte, vem da união de África + Cibernética + Psicodelia e para abrir o álbum temos "Mateus Enter", uma verdadeira apresentação que faz-se de ponte para "Cidadão do Mundo" que julgo ser o verdadeiro retrato do "Mangue Boy". A música traz um timbre de bateria que parece ser eletrônica, os grooves de Dengue e conta ainda com efeitos digitais e berimbau. A terceira faixa, "Etnia", traz na letra genial de composição do Chico falando sobre miscigenação da qual nos originamos e da igualdade entre elas e tem a sonoridade típica do grupo, contando ainda com os sopros. "Quilombo Groove" é uma passagem instrumental que podemos classificá-la como uma "Moby Dick"(canção do grupo Led Zeppelin) à la Mangue Beat. Outra ilustre canção e clássico do banda que dá continuação ao álbum é "Macô", com a intro de "A Minha Menina", a participação de Gilberto Gil e Marcelo D2 nos vocais e a fenomenal linha de flauta de Hugo Hori. Lucio Maia abre a próxima canção com sua guitarra no melhor estilo samba rock e é acompanhada pelas alfaias e pelo baixo de Dengue que se não é está com uma timbragem próxima de um acústico. A letra de "Um Passeio no Mundo Livre" mostra a visão de Science de um lugar onde pode-se ser livre, talvez seja uma Olinda que ele mesmo criou. Os músicos da Nação Zumbí ainda homenagearam o samba em "Samba de Lado" que conta com a participação de Fred 04 no cavaquinho. Bom...O que falar de "Maracatu Atômico"? Às vezes quando ouço esta versão (a primeira de quatro presentes no disco) me questiono se Mautner e Jacobina não compuseram esta música uns bons 30 anos antes para o Nação gravar. Nem a versão do Gil, nem a do Mautner chegaram perto da versão do Nação, por melhores que sejam. Uma canção bem intrigante é "O Encontro de Isaac Asimov Com Santos Dumont No Céu", canção de curta duração, com Dengue mais uma vez usando o acústico e a banda explorando os efeitos eletrônicos. Mais um clássico do grupo, "Corpo de Lama", fala na letra de não irmos pelas aparências e no fim ainda traz uma mensagem sobre honestidade. Em "Sobremesa", Chico mistura inglês com português mais alfaias, guitarra com wah e um baixo bem escondido. Junto de "Maracatu Atômico", a próxima faixa é o maior clássico da banda. A faixa "Manguetown" tem um ar mais pop e ilustra uma cidade erguida sobre o mangue e mostra o belo casamento dos instrumentos de cordas com a percussão, sendo essa uma canção mais "crua", pelo fatos dos únicos efeitos presentes serem os da guitarra. Pandeirolas e distorção são as principais características da faixa 13, "Um Satélite na Cabeça". Mais uma instrumental, de autoria de Dengue, Gira e Lucio Maia, a faixa "Baião Ambiental" mistura o tradicional baião a um grande número de efeitos eletrônicos. Em "Sangue de Bairro" a banda faz uma "pedrada" em homenagem aos cangaceiros do bando de lampião e diga-se de passagem: haja fôlego, Chico Science! "Enquanto o Mundo Explode" é o tipo de música para banda de black metal nenhum botar defeito. Imagine se o baterista de uma banda como o Slayer trocasse o pedal duplo pelos tambores de maracatu? Sem falar da fantástica e pesada letra anticapitalista. Depois há "Interlude Zumbi", uma faixa curta homenageando o grande escravo guerreiro com berimbaus e batuques. O disco segue com "Criança de Domingo", uma canção mais calma conta que com violão, alfaias e uma guitarra distorcida vez ou outra, depois vem "Amor de Muito", com a melodia nos melhores moldes de "A Minha Menina" e com a guitarra soando bem psicodélica e percussão e baixo em perfeita harmonia, ainda podemos ouvir no fundo o teclado de Marcelo Lobato e depois o belíssimo arranjo de sopro. Quase no fim, entra a instrumental "Samidarish", canção que traz um clima bem pacífico, estilo música oriental, mas, claro, com todo o toque Mangue Beat do grupo. Com 2:30 de música, começamos a ouvir um diálogo entre os membros devaneando sobre o dinheiro e sua sujeira. O disco finaliza-se com mais três versões remixadas e bem distintas de "Maracatu Atômico". A primeira é a "Atomic Version" e nessa versão o ritmo da bateria está mais acelerado e ouve-se diferentes efeitos sonoros harmônicos. Depois entra a versão "Ragga Mix", adicionando-se vários efeitos e transformando a música numa levada ragga. Por último, a versão "Trip Hop", contando com bastante scratches e efeitos na voz do Chico. Afrociberdelia ocupa o 18º lugar na lista dos 100 maiores álbuns de música brasileira feita pela revista Rolling Stone e é junto de seu antecessor, Da Lama ao Caos (1994) um dos álbuns fundamentais para entender a estética e proposta do Mangue Beat, um movimento de importância riquíssima para a música e a cultura brasileira não tão reconhecido.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

The Band- Music From Big Pink (1968)


Nome:Music From Big Pink
Ano:1968
Produção:John Simon
Músicos:Rick Danko (baixo, fiddle e vocal), Levon Helm (bateria, violão, percussão e vocal), Garth Hudson (órgão, piano, clavinete e saxofone), Richard Manuel (piano, órgão, bateria e vocal), Robbie Robertson (guitarra e vocal)
Faixas:
1.Tears of Rage
2.To Kingdom Come
3.In a Station
4.Caledonia Mission
5.The Weight
6.We Can Talk
7.Long Black Veil
8.Chest Fever
9.Lonesome Suzie
10.This Wheel's on Fire
11.I Shall Be Released

Antes de falar sobre o disco, voltemos ao tempo. Por volta de 1965, um público muito fiel e admirador leva um baque. Aquele jovem rapaz que subia aos palcos acompanhado de sua gaita e seu violão tocando coisas como "Blowing in the Wind" e "It ain't me" agora estava sendo acompanhado por um grupo de rock. Dylan excursionou com sua banda elétrica chamada The Hawks pela Europa e não foi muito bem recebido pelo público. Após essa turnê, Dylan sofrera um sério acidente de moto que o manteve afastado dos palcos e das gravações até 1968. Nesse período, o empresário de sir Zimmerman, Albert Grossman, sugere aos músicos do The Hawks a mudarem-se para Woodstock para ficarem mais próximos de Dylan e mantê-lo produzindo. Robbie Robertson tinha ido na frente e estava morando em uma casa em West Saugarties. Logo, Rick Danko comprou a lendária casa rosa próxima a casa de Robertson onde logo depois Richard Manuel, Garth Hudson e Levon Helm também viriam a se hospedar. A casa de Danko, apelidada de "Big Pink" tornou-se o point dos músicos do Hawks e também de Bob Dylan. Um belo motivo para isso? O estúdio montado pelos músicos no porão da casa. No estúdio da Big Pink, os músicos do The Hawks criaram um dos mais influentes e profundos álbuns de todos os tempos e assumiram de vez o nome de The Band. "Music From The Big Pink" é o álbum de estréia do fabuloso bando de Dylan. Como já devem ter imaginado, o nome que deu-se ao álbum é exatamente por suas músicas terem sido criadas na casa Big Pink. Music From Big Pink mostra a essência e a criatividade dos músicos do The Band ao longo de suas 11 faixas. A sonoridade desse maravilhoso grupo que surgiu no meio de toda a psicodélia que começou a reinar no fim da década de 60 mostra um Country Rock com letras belíssimas, melodias e arranjos bem feitos e muito profissionalismo (afinal, eram a banda de apoio do Dylan). Há nesse disco muito órgão e teclas, as linhas de baixo bem desenhadas feitas onde Rick Danko não se preocupa em encher de notas e exageros, o timbre característico e os vocais maravilhosos de Levon Helm, que mais tarde ainda seria definido como "o único baterista capaz de causar emoção", além da guitarra do genial Robbie Robertson, o grande centro criativo da banda, responsável pela maioria das letras. Robertson tinha em sua guitarra bases que se completavam com as teclas de Garth e Manuel, além dos seus solos também não tão complexos, mas que encaixavam perfeitos na temática das músicas. O álbum inicia-se com "Tears of Rage", um dos maiores clássicos do grupo, fruto de uma parceria de Richard Manuel com Dylan. Nessa faixa, Manuel faz os vocais principais e faz com muita técnica, aproveitando o melhor da mesma. O destaque fica por conta do órgão, tocado por Garth Hudson e também vale citar sua letra que baseia-se no tema da ingratidão. "To Kingdom Come" carrega um ritmo mais acelerado, onde o baixo de Rick destaca-se mais e também o solinho feito por Robbie no final da música e mais uma vez os sons do piano aparecem bem. "In A Station" é outra belíssima canção, que tem uma letra profunda e recebe toda a emoção da voz de Richard Manuel, que é seguida dos backing vocals da banda, recebendo assim maior sentimento. Pulando um pouco, temos o maior clássico da banda, uma das mais belas canções já criadas, "The Weight", onde Levon Helm faz jus a frase de que era um baterista emocionante. "The Weight" tem melodias e arranjos magníficos, é uma música realmente tocante não só por sua melodia como também pela letra que passa mensagens magníficas sobre a juventude da época. Porém, faço uma indicação: ouçam a versão do show The Last Waltz, que deu outra vida a música. Prosseguindo, vem a música "We Can Talk", que abre com as teclas de Hudson e Manuel e é uma canção que apresenta uma bela divisão dos vocais. "Long Black Veil" é uma balada country de grande sucesso que foi regravado pelo The Band. A música é composição de Danny Dill e Marijohn Wilkin e sua letra fala sobre um homem que é confundido com um assassino. Essa música foi gravada também por nomes como Johnny Cash e Dave Matthews Band. "Long Black Veil" é seguida por "Chester Fever", uma canção que na introdução passa a idéia de ser uma música mais pesada e de certa forma realmente é. A canção possuí um riff característico que varia-se no refrão. Já nos primeiros versos pode-se presumir o compositor de "The Wheels on Fire". A forma como a letra soa já entregam o Bob Dylan de cara. "The Wheels on Fire" é uma parceria de Dylan e o baixista Rick Danko e na gravação deste álbum recebe Danko na voz principal e Helm nos backings. Algo interessante nessa música é a sonoridade do clavinet de Hudson que soa parecido com um banjo. Por último, temos outra composição de Dylan que se tornou um clássico do The Band, "I Shall Be Released", uma música onde o piano faz a base e sua letra fala sobre um presidiário e seu cotidiano na prisão. O vocal principal fica por conta de Richard Manuel e Danko harmoniza junto de Helm no refrão. Um disco ímpar do final da década de 60, diferenciando-se do som característico da época sem deixar de ser bom.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pato Fu- Música de Brinquedo (2010)



Nome:Música de Brinquedo
Ano:2010
Produção:John Ulhoa
Músicos:Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo*
Faixas:
1.Primavera
2.Sonífera Ilha
3.Rock And Roll Lullaby
4.Frevo Mulher
5.Ovelha Negra
6.Todos Estão Surdos
7.Live and Let Die
8.Pelo Interfone
9.Twiggy Twiggy
10.My Girl
11.Ska
12.Love Me Tender

É, um álbum de 2010! Para mim o único e mais aguardado do ano. Música de Brinquedo foi um projeto um tanto audacioso do Pato Fu. Como o próprio título sugere, o disco foi gravados com instrumentos de brinquedo e miniaturas de alguns outros, o que poderia ser mais experimental que isso? No geral, se saiu um disco muito bom. Quando a banda lançou na internet os clipes das gravações de "Primavera", eternizada na voz de Tim Maia e "Live and Let Die" do McCartney, fiquei bastante curioso para ver como ficaria o trabalho no final. Gostei bastante do disco, os timbres soam bastante suaves, as crianças tiveram um empenho muito bom, mesmo que às vezes os vocais fiquem "fofinhos demais". Não que atrapalhe a qualidade do disco, pelo contrário, caiu bem com a proposta. A voz da Fernanda ficou ótima em "Primavera", que contou com a participação das crianças Nina (filha de Fernanda e John), Mariana Devin e João Lucas Ulhoa, sobrinho de John. "Sonífera Ilha" teria ficado bem mais legal se tivesse entrado no disco como medley com "Ska", como fizeram no Paralamas e Titãs Ao Vivo, mas ambas ficaram legais, contando bastante com o piano de brinquedo e uma marcação rítmica bem precisa. Mostrando a versatilidade do disco, a banda gravou "Frevo Mulher", composição do Zé Ramalho e tanto nesta, quanto na próxima faixa, "Ovelha Negra", clássico de vossa majestade Rita Lee Jones, o coral das crianças ficou legal. Ainda vale ressaltar "Todos Estão Surdos" de Roberto e Erasmo, onde piano, vozes, baixo, sopros e qualquer outro tipo de brinquedo aqui presente fizeram um trabalho notável, uma versão bem bacana. Mesmo que eu já tenha postado o vídeo e comentado um pouquinho, "Live and Let Die" merece atenção maior. A voz suave de Fernanda, misturada aos vocais rasgados dos pequenos cantores e o ritmo progressivo dessa música ficaram perfeitos na temática do disco, canção que faria falta no repertório com certeza. Ainda resta comentar o grande clássico do senhor Elvis Presley, "Love Me Tender", que não pareceu tanto de brinquedo assim, mas ficou muito boa. Resumindo, Música de Brinquedo é uma brincadeira muito séria. Ah, e também não baixem o disco, ele é uma prova viva de que a qualidade do CD é muito superior ao download ;)

*No encarte não vem escrito quem toca o que, mas tem o seguinte texto:

"Este disco, é claro, foi todo gravado com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. Também foram utilizados instrumentos ligados à musicalização infantil como flauta, xilofone, kalimba e escaleta. Um cavaquinho foi usado como violão folk e também como baixo. O piano de brinquedo, o glockenspiel de latão e o kazoo de plástico foram os reis do pedaço. Um tecladinho-calculadora Casio VL1 fez a alegria das crianças na faixa dos 40 aqui. Qualquer brinquedo valeu, seja de madeira, pelúcia ou eletrônico."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cream- Wheels of Fire (1968)



Nome:Wheels of Fire
Ano:1968
Produção:Felix Pappalardi
Músicos:Jack Bruce (baixo, gaita, cello, violão e vocal), Eric Clapton (guitarra e vocal), Ginger Baker (bateria e percussão) e Felix Pappalardi (órgão, viola e instrumento de orquestras)
Faixas:
1.White Room
2.Sitting on Top of the World
3.Passing The Time
4.As You Said
5.Pressed Ratand Warthog
6.Politician
7.Those Were The Days
8.Born Under a Bad Sign
9.Desert Cities of The Hearts
10.Crossroads
11.Spoonful
12.Train Time
13.Toad

Um mês e treze dias sem escrever aqui no blog, será que ainda sei como fazer isso? rss

Então, para esse retorno escolhi um álbum desse estupendo Power Trio que foi o Cream. Me lembro de estar voltando de viagem, andando do centro até a minha casa ouvindo esse disco e pensando "Oh, como a minha década é cruel, 'Socorro el Justiciero, ajuda-me por favor'" (tá, não foi com essas palavras). Wheels of Fire é o terceiro álbum do Cream, lançado em 1968. O álbum mostra a banda fazendo um som mais psicodélico, não tão puxado para o blues quanto seus antecessores. O disco foi lançado em formato duplo, sendo o primeiro disco uma gravação de estúdio (das faixas 1 até a 9) e o segundo gravações da banda tocando no Fillmore e no Winterland Ballroom. No primeiro, temos de cara o maior hit do grupo ao lado de "Sunshine of Your Love", "White Room", psicodélica até cansar, com vocais bem arranjados e a guitarra de Clapton arrebentando. Outros bons clássicos do Cream aparecem ainda no primeiro disco, a exemplo temos "Politician", que já é mais puxada pro Blues e "Sitting on Top of the World", música do Howlin' Wolf que o trio regravou, dando a ela um caracter mais leve, menos "raiz" que a original. Ainda de regravações o disco tem "Born Under a Bad Sign", de Albert King, na interpretação do Cream contando com pandeirolas e o timbre e estilo únicos de Bruce (Gibson EB3, né) e assim como em "Sitting on Top the World", traz um vocal bem diferenciado da original, marcando a "assinatura" do Cream (a disciplina pra escrever é tanta que estou até tocando ela aqui rs). Um pouco diferente do som da banda, temos "Passing the Time" que a princípio nem é tão diferente assim, mas adquire um ar progressivo, com partes meio acústicas, com o soar de vários sinos, depois tendo partes com o tradicional blues rock da banda e também "As You Said", canção acústica contando com as cordas de Pappalardi e Bruce. Em "Those Were The Days", Bruce e Clapton mandam muito bem, fazem seus papéis direitinho, digamos, mas o mérito mesmo vai para Ginger Baker com seu estilo de tocar único, uma grande característica de todos os integrantes da banda. No segundo disco, temos atuações magistrais, como Clapton em "Crossroads", cantando e fazendo estupendas linhas em sua guitarra ou então Baker em sua composição, "Toad", recebendo com esta versão o mérito de um dos melhores solos de bateria ao vivo da história (é pra quem pode, Restart!). Além delas, temos uma versão de 16 minutos da canção "Spoonful", outro clássico da banda, um blues cheio de improvisos e "Traintime", com Bruce e Ginger brincando de "trenzinho". Puta disco, bicho! Ah, acalmem-se que o blog voltou \o