segunda-feira, 11 de outubro de 2010

The Band- Music From Big Pink (1968)


Nome:Music From Big Pink
Ano:1968
Produção:John Simon
Músicos:Rick Danko (baixo, fiddle e vocal), Levon Helm (bateria, violão, percussão e vocal), Garth Hudson (órgão, piano, clavinete e saxofone), Richard Manuel (piano, órgão, bateria e vocal), Robbie Robertson (guitarra e vocal)
Faixas:
1.Tears of Rage
2.To Kingdom Come
3.In a Station
4.Caledonia Mission
5.The Weight
6.We Can Talk
7.Long Black Veil
8.Chest Fever
9.Lonesome Suzie
10.This Wheel's on Fire
11.I Shall Be Released

Antes de falar sobre o disco, voltemos ao tempo. Por volta de 1965, um público muito fiel e admirador leva um baque. Aquele jovem rapaz que subia aos palcos acompanhado de sua gaita e seu violão tocando coisas como "Blowing in the Wind" e "It ain't me" agora estava sendo acompanhado por um grupo de rock. Dylan excursionou com sua banda elétrica chamada The Hawks pela Europa e não foi muito bem recebido pelo público. Após essa turnê, Dylan sofrera um sério acidente de moto que o manteve afastado dos palcos e das gravações até 1968. Nesse período, o empresário de sir Zimmerman, Albert Grossman, sugere aos músicos do The Hawks a mudarem-se para Woodstock para ficarem mais próximos de Dylan e mantê-lo produzindo. Robbie Robertson tinha ido na frente e estava morando em uma casa em West Saugarties. Logo, Rick Danko comprou a lendária casa rosa próxima a casa de Robertson onde logo depois Richard Manuel, Garth Hudson e Levon Helm também viriam a se hospedar. A casa de Danko, apelidada de "Big Pink" tornou-se o point dos músicos do Hawks e também de Bob Dylan. Um belo motivo para isso? O estúdio montado pelos músicos no porão da casa. No estúdio da Big Pink, os músicos do The Hawks criaram um dos mais influentes e profundos álbuns de todos os tempos e assumiram de vez o nome de The Band. "Music From The Big Pink" é o álbum de estréia do fabuloso bando de Dylan. Como já devem ter imaginado, o nome que deu-se ao álbum é exatamente por suas músicas terem sido criadas na casa Big Pink. Music From Big Pink mostra a essência e a criatividade dos músicos do The Band ao longo de suas 11 faixas. A sonoridade desse maravilhoso grupo que surgiu no meio de toda a psicodélia que começou a reinar no fim da década de 60 mostra um Country Rock com letras belíssimas, melodias e arranjos bem feitos e muito profissionalismo (afinal, eram a banda de apoio do Dylan). Há nesse disco muito órgão e teclas, as linhas de baixo bem desenhadas feitas onde Rick Danko não se preocupa em encher de notas e exageros, o timbre característico e os vocais maravilhosos de Levon Helm, que mais tarde ainda seria definido como "o único baterista capaz de causar emoção", além da guitarra do genial Robbie Robertson, o grande centro criativo da banda, responsável pela maioria das letras. Robertson tinha em sua guitarra bases que se completavam com as teclas de Garth e Manuel, além dos seus solos também não tão complexos, mas que encaixavam perfeitos na temática das músicas. O álbum inicia-se com "Tears of Rage", um dos maiores clássicos do grupo, fruto de uma parceria de Richard Manuel com Dylan. Nessa faixa, Manuel faz os vocais principais e faz com muita técnica, aproveitando o melhor da mesma. O destaque fica por conta do órgão, tocado por Garth Hudson e também vale citar sua letra que baseia-se no tema da ingratidão. "To Kingdom Come" carrega um ritmo mais acelerado, onde o baixo de Rick destaca-se mais e também o solinho feito por Robbie no final da música e mais uma vez os sons do piano aparecem bem. "In A Station" é outra belíssima canção, que tem uma letra profunda e recebe toda a emoção da voz de Richard Manuel, que é seguida dos backing vocals da banda, recebendo assim maior sentimento. Pulando um pouco, temos o maior clássico da banda, uma das mais belas canções já criadas, "The Weight", onde Levon Helm faz jus a frase de que era um baterista emocionante. "The Weight" tem melodias e arranjos magníficos, é uma música realmente tocante não só por sua melodia como também pela letra que passa mensagens magníficas sobre a juventude da época. Porém, faço uma indicação: ouçam a versão do show The Last Waltz, que deu outra vida a música. Prosseguindo, vem a música "We Can Talk", que abre com as teclas de Hudson e Manuel e é uma canção que apresenta uma bela divisão dos vocais. "Long Black Veil" é uma balada country de grande sucesso que foi regravado pelo The Band. A música é composição de Danny Dill e Marijohn Wilkin e sua letra fala sobre um homem que é confundido com um assassino. Essa música foi gravada também por nomes como Johnny Cash e Dave Matthews Band. "Long Black Veil" é seguida por "Chester Fever", uma canção que na introdução passa a idéia de ser uma música mais pesada e de certa forma realmente é. A canção possuí um riff característico que varia-se no refrão. Já nos primeiros versos pode-se presumir o compositor de "The Wheels on Fire". A forma como a letra soa já entregam o Bob Dylan de cara. "The Wheels on Fire" é uma parceria de Dylan e o baixista Rick Danko e na gravação deste álbum recebe Danko na voz principal e Helm nos backings. Algo interessante nessa música é a sonoridade do clavinet de Hudson que soa parecido com um banjo. Por último, temos outra composição de Dylan que se tornou um clássico do The Band, "I Shall Be Released", uma música onde o piano faz a base e sua letra fala sobre um presidiário e seu cotidiano na prisão. O vocal principal fica por conta de Richard Manuel e Danko harmoniza junto de Helm no refrão. Um disco ímpar do final da década de 60, diferenciando-se do som característico da época sem deixar de ser bom.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pato Fu- Música de Brinquedo (2010)



Nome:Música de Brinquedo
Ano:2010
Produção:John Ulhoa
Músicos:Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo*
Faixas:
1.Primavera
2.Sonífera Ilha
3.Rock And Roll Lullaby
4.Frevo Mulher
5.Ovelha Negra
6.Todos Estão Surdos
7.Live and Let Die
8.Pelo Interfone
9.Twiggy Twiggy
10.My Girl
11.Ska
12.Love Me Tender

É, um álbum de 2010! Para mim o único e mais aguardado do ano. Música de Brinquedo foi um projeto um tanto audacioso do Pato Fu. Como o próprio título sugere, o disco foi gravados com instrumentos de brinquedo e miniaturas de alguns outros, o que poderia ser mais experimental que isso? No geral, se saiu um disco muito bom. Quando a banda lançou na internet os clipes das gravações de "Primavera", eternizada na voz de Tim Maia e "Live and Let Die" do McCartney, fiquei bastante curioso para ver como ficaria o trabalho no final. Gostei bastante do disco, os timbres soam bastante suaves, as crianças tiveram um empenho muito bom, mesmo que às vezes os vocais fiquem "fofinhos demais". Não que atrapalhe a qualidade do disco, pelo contrário, caiu bem com a proposta. A voz da Fernanda ficou ótima em "Primavera", que contou com a participação das crianças Nina (filha de Fernanda e John), Mariana Devin e João Lucas Ulhoa, sobrinho de John. "Sonífera Ilha" teria ficado bem mais legal se tivesse entrado no disco como medley com "Ska", como fizeram no Paralamas e Titãs Ao Vivo, mas ambas ficaram legais, contando bastante com o piano de brinquedo e uma marcação rítmica bem precisa. Mostrando a versatilidade do disco, a banda gravou "Frevo Mulher", composição do Zé Ramalho e tanto nesta, quanto na próxima faixa, "Ovelha Negra", clássico de vossa majestade Rita Lee Jones, o coral das crianças ficou legal. Ainda vale ressaltar "Todos Estão Surdos" de Roberto e Erasmo, onde piano, vozes, baixo, sopros e qualquer outro tipo de brinquedo aqui presente fizeram um trabalho notável, uma versão bem bacana. Mesmo que eu já tenha postado o vídeo e comentado um pouquinho, "Live and Let Die" merece atenção maior. A voz suave de Fernanda, misturada aos vocais rasgados dos pequenos cantores e o ritmo progressivo dessa música ficaram perfeitos na temática do disco, canção que faria falta no repertório com certeza. Ainda resta comentar o grande clássico do senhor Elvis Presley, "Love Me Tender", que não pareceu tanto de brinquedo assim, mas ficou muito boa. Resumindo, Música de Brinquedo é uma brincadeira muito séria. Ah, e também não baixem o disco, ele é uma prova viva de que a qualidade do CD é muito superior ao download ;)

*No encarte não vem escrito quem toca o que, mas tem o seguinte texto:

"Este disco, é claro, foi todo gravado com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. Também foram utilizados instrumentos ligados à musicalização infantil como flauta, xilofone, kalimba e escaleta. Um cavaquinho foi usado como violão folk e também como baixo. O piano de brinquedo, o glockenspiel de latão e o kazoo de plástico foram os reis do pedaço. Um tecladinho-calculadora Casio VL1 fez a alegria das crianças na faixa dos 40 aqui. Qualquer brinquedo valeu, seja de madeira, pelúcia ou eletrônico."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cream- Wheels of Fire (1968)



Nome:Wheels of Fire
Ano:1968
Produção:Felix Pappalardi
Músicos:Jack Bruce (baixo, gaita, cello, violão e vocal), Eric Clapton (guitarra e vocal), Ginger Baker (bateria e percussão) e Felix Pappalardi (órgão, viola e instrumento de orquestras)
Faixas:
1.White Room
2.Sitting on Top of the World
3.Passing The Time
4.As You Said
5.Pressed Ratand Warthog
6.Politician
7.Those Were The Days
8.Born Under a Bad Sign
9.Desert Cities of The Hearts
10.Crossroads
11.Spoonful
12.Train Time
13.Toad

Um mês e treze dias sem escrever aqui no blog, será que ainda sei como fazer isso? rss

Então, para esse retorno escolhi um álbum desse estupendo Power Trio que foi o Cream. Me lembro de estar voltando de viagem, andando do centro até a minha casa ouvindo esse disco e pensando "Oh, como a minha década é cruel, 'Socorro el Justiciero, ajuda-me por favor'" (tá, não foi com essas palavras). Wheels of Fire é o terceiro álbum do Cream, lançado em 1968. O álbum mostra a banda fazendo um som mais psicodélico, não tão puxado para o blues quanto seus antecessores. O disco foi lançado em formato duplo, sendo o primeiro disco uma gravação de estúdio (das faixas 1 até a 9) e o segundo gravações da banda tocando no Fillmore e no Winterland Ballroom. No primeiro, temos de cara o maior hit do grupo ao lado de "Sunshine of Your Love", "White Room", psicodélica até cansar, com vocais bem arranjados e a guitarra de Clapton arrebentando. Outros bons clássicos do Cream aparecem ainda no primeiro disco, a exemplo temos "Politician", que já é mais puxada pro Blues e "Sitting on Top of the World", música do Howlin' Wolf que o trio regravou, dando a ela um caracter mais leve, menos "raiz" que a original. Ainda de regravações o disco tem "Born Under a Bad Sign", de Albert King, na interpretação do Cream contando com pandeirolas e o timbre e estilo únicos de Bruce (Gibson EB3, né) e assim como em "Sitting on Top the World", traz um vocal bem diferenciado da original, marcando a "assinatura" do Cream (a disciplina pra escrever é tanta que estou até tocando ela aqui rs). Um pouco diferente do som da banda, temos "Passing the Time" que a princípio nem é tão diferente assim, mas adquire um ar progressivo, com partes meio acústicas, com o soar de vários sinos, depois tendo partes com o tradicional blues rock da banda e também "As You Said", canção acústica contando com as cordas de Pappalardi e Bruce. Em "Those Were The Days", Bruce e Clapton mandam muito bem, fazem seus papéis direitinho, digamos, mas o mérito mesmo vai para Ginger Baker com seu estilo de tocar único, uma grande característica de todos os integrantes da banda. No segundo disco, temos atuações magistrais, como Clapton em "Crossroads", cantando e fazendo estupendas linhas em sua guitarra ou então Baker em sua composição, "Toad", recebendo com esta versão o mérito de um dos melhores solos de bateria ao vivo da história (é pra quem pode, Restart!). Além delas, temos uma versão de 16 minutos da canção "Spoonful", outro clássico da banda, um blues cheio de improvisos e "Traintime", com Bruce e Ginger brincando de "trenzinho". Puta disco, bicho! Ah, acalmem-se que o blog voltou \o

terça-feira, 6 de julho de 2010

Arnaldo Baptista- Loki? (1974)



Nome:Loki?
Ano:1974
Produção:Roberto Menescal e Marco Mazzola
Músicos:Arnaldo Baptista (piano, órgão, clavinet, sintetizador, violão de 12 cordas e vocal), Liminha (baixo), Dinho Leme (bateria), Rafa (baixo), Rita Lee* (backing vocals)
Faixas:
1.Será que eu vou virar bolor?
2.Uma pessoa só
3.Não estou nem aí
4.Vou me afundar na lingerie
5.Honky Tonky (Patrulha do Espaço)
6.Cê tá pensando que eu sou Loki?
7.Desculpe
8.Navegar de novo
9.Te amo podes crer
10.É fácil

Como eu havia prometido, aqui está o álbum do nosso grande aniversariante. Loki foi gravado ao vivo, em 16 canais, numa época em que Arnaldo estava muito depressivo e triste. Tá, acho que só de se tratar da obra-prima do pai do Rock brasileiro (vá se habituando a ouvir muitos elogios nesse texto, acho que já é clara a minha devoção pelo Arnaldo) não precisava falar de muito mais, mas é muito difícil não falar dos arranjos de adivinha quem? Rogério Duprat! O "mago" fez os arranjos de "Uma pessoa só" e de "Cê tá pensando que eu sou Loki?". Não satisfeitos ainda? Temos a "cozinha" d'Os Mutantes aqui, formada por Dinho e Liminha. Loki? é um disco muito pessoal. Mostra como Arnaldo era e como estava se sentindo após ter saído d'Os Mutantes e ter se separado da senhorita Rita Lee Jones. Resumindo, Loki? é um desabafo. "Será que eu vou virar bolor?" e "Vou me afundar na lingerie" expressam bem essa tristeza do Arnaldo. "Uma pessoa só", música d'Os Mutantes, presente no disco O A e o Z (gravado em 1973, porém lançado somente em 1992) recebeu uma nova roupagem, com os arranjos feitos pelo Duprat, como eu disse acima. Arnaldo também fez uma música que parece ser um pedido de desculpas a Rita, a faixa "Desculpe", uma das mais rapidinhas do disco, com Arnaldo dando o melhor da sua voz e da sua genialidade nas teclas (Arnaldo toca aqui órgão, clavinet e o lendário sintetizador Moog), sem contar com uma perfeita linha de baixo tocada pelo baixista Rafa, do qual não tenho grandes informações. Falando ainda em Arnaldo e suas teclas, há aqui uma canção instrumental, chamada "Honky Tonky", onde Arnaldo despeja seu virtuosismo e a canção é bem definida no encarte do disco: "Só piano". Arnaldo abrange a idéia de que as coisas perderam os sentidos e mostra que tanto faz viver ou morrer na canção "Não estou nem aí", outra das mais puxadas para o rock. "Te amo podes crer" também aborda essa idéia, sendo esta uma canção bem complexa pela letra sofisticada. Já "Navegar de novo" é uma espécie de clamor pela vida, onde Arnaldo também fala do espaço, velocidade da luz e toda aquela onda espacial que ele curte, composta somente por Arnaldo no piano e cantando. Bom, "Cê tá pensando que eu sou Loki?" a canção síntese do disco, que para mim, junto de "Balada do Louco" ilustra quem é o Arnaldo Baptista e mostra grande influência do Samba e da Bossa na musicalidade do Arnaldo. Por fim, temos a curtinha "É Fácil", composta apenas por três versos, violão de 12 cordas e voz e reúne uma série de fatores, como blues, psicodélia e música indiana. Por mais que digam que o Arnaldo está acabado, que ele está lúcido ou qualquer outra besteira, ele no auge dos seus 62 anos recém completados está mais vivo do que nunca! Esta é uma sincera homenagem de um grande fã e admirador de um dos maiores nomes da música brasileira. Parabéns Arnaldo, que ainda venham muitos aniversários e que em breve possamos ouvir "A Esfera da Espera"!!

* Que diabos Rita Lee fazia nesse disco?^o)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Joni Mitchell- Shadows and Light(1980)



Nome:Shadows and Light
Ano:1980
Produção:Joni Mitchell
Músicos:Joni Mitchell(guitarra e vocal), Jaco Pastorius(baixo), Pat Metheny(guitarra), Don Alias(bateria), Lyle Mays(teclados), Michael Brecker(saxofone), The Persuasions(vocais)
Faixas:
1.Introduction
2.In France They Kiss On Main Street
3.Edith and the Kingpin
4.Coyote
5.Goodbye Pork Pie Hat
6.Jaco's Solo
7.The Dry Cleaner from Des Moines
8.Amelia
9.Pat's Solo
10.Hejira
11.Black Crow
12.Don's Solo
13.Dreamland
14.Free Man in Paris
15.Band Introduction
16.Fury Sings the Blues
17.Raised on Robbery
18.Why Do Fools Fall in Love
19.Shadows and Light
20.God Must be a Boogie Man
21.Woodstock

Bom, essa é uma resenha especial. É a primeira vez que escrevo sobre um álbum ao vivo e sobre um DVD. Shadows and Light é, digamos "cheio de coisas". Certas "coisas" só existem pra versão em DVD/VHS, outras só na primeira tiragem do cd e outras só na segunda. Esse álbum é uma experiência alucinante, o som literalmente entra em você. O DVD em si é uma obra de arte. Quer algumas provas?Bem, vejamos. A voz única, incrível, maravilhosa, sensacional de Joni Mitchell cantando suas também maravilhosas composições, com Pat Metheny na guitarra e Jaco Pastorius no baixo. Claro, sem desmerecer a bateria de Don Alias, o sax de Brecker e os teclados de Lyle Mays. Se já não bastasse tudo isso, ainda passa junto com a imagem do show alguns vídeos que têm a ver com as músicas, como em "Introduction", a introdução do show onde passam vídeos no maior estilo de filmes dos anos 70, onde os vídeos são mais notáveis em "Coyote" e principalmente "Black Crow", onde Joni aparece com uma capa aparentando um corvo fazendo patinação no gelo. Quanto a sonoridade do álbum, Joni fez uma mistura do Folk, estilo em que já era consagrada com o Jazz, um campo um tanto diferente, mas não deixou a desejar, pois tinha um time de feras na sua banda. O show foi gravado em Santa Barbara em Setembro de 1979, durante a turnê do álbum "Mingus", álbum que Joni Mitchell criou letras em cima das melodias do grande baixista de jazz Charles Mingus, inclusive há uma música do mesmo no Shadows and Light chamada "Goodbye Pork Pie Hat", assim como uma parceria dos dois, que é a canção "The Dry Cleaner from Des Moines". No começo, poucos acreditavam nesse projeto, por incrível que pareça. Jaco, como sempre, se destacou. Faixas como "In France They Kiss On Main Street", "Edith and the Kingpin"(nesta, principalmente na intro) e "Free Man in Paris", onde além dele, o saxofonista Michael Brecker também faz um trabalho notório, o "rei do fretless" faz jus à tantos títulos de melhor baixista do mundo. O jovem e ainda não tão famoso Pat Metheny também não faz feio. Pat explora bastante suas técnicas e usa bem os harmônicos. O interessante de ressaltar sobre um trabalho ao vivo, na minha opinião, são as performances. As músicas totalmente bem estruturadas, arranjos bem trabalhados, perfeito sincronismo da banda e alguns improvisos são destaques aqui. Falando ainda em performances, existem três faixas do disco que contam com solos dos integrantes, sendo elas "Pat's Solo", onde Metheny faz um notável solo em cima de uma melodia um tanto melancólica, mas atingindo bem o clima do disco e conta ainda com os teclados de Lyle ao fundo."Don's Solo", solo do baterista Don Alias, é uma bela demonstração de suas habilidades na percussão. Por fim, "Jaco's Solo", onde Pastorius usa alguns efeitos além de um sequencer, para realizar toda a sua "baixaria". Além das composições de Mitchell e as canções com Mingus, o disco ainda traz a bela interpretação de "Why Do Fools Fall in Love", composição de Frankie Lymon em parceria com Morris Levy que conta com a participação do grupo vocal The Persuasions. Mesmo que eu já tenha falado de alguns, os pontos altos do disco, são, além do solo dos músicos, as canções "Black Crow" e "Coyote", principalmente pelos vídeos, como eu já havia dito, "Dreamland", que inicia-se quase como um medley com "Don's Solo" e "In France They Kiss On Main Street", uma ótima escolha para abrir o show. Além disso, Joni fez uma versão muito interessante de sua canção "Woodstock", que também foi gravada pelo Crosby, Stills, Nash & Young em seu álbum "Deja Vú", lançado em 1972. Shadows and Light é um álbum artisticamente completo, assim como Joni também é uma artista fenomenal, que nunca faz feio ou deixa a desejar. Abaixo, a lista das canções que são exclusivas de algumas versões desse trabalho:

"Jaco's Solo"- Exclusiva da versão VHS/DVD
"Black Crow"- Excluída da primeira tiragem da versão CD
"Don's Solo"- Excluída da versão VHS/DVD e da primeira tiragem da versão CD
"Dreamland"- Excluída da versão VHS/DVD
"Free Man in Paris"- Excluída da primeira tiragem da versão CD
"Raised on Robbery"- Exclusiva da versão VHS/DVD
"God Must be a Boogie Man"- Excluída da versão VHS/DVD
"Woodstock"- Excluída da versão VHS/DVD

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Plástico Lunar- Coleção de Viagens Espaciais(2009)



Nome:Coleção de Viagens Espaciais
Ano:2009
Produção:Leo Airplane
Músicos:Daniel Torres(voz e guitarra), Plástico Jr.(baixo e vocais), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados, efeitos e vocais), Marcos Odara(bateria e vocais)
Faixas:
1.Moderna
2.Formato cereja
3.Boca aberta
4.Sua casa é o seu paletó
5.Quarto azul
6.Tudo do seu jeito
7.Próxima parada
8.Banquete dos gafanhotos
9.Cínico arrependido
10.Gargantas do deserto
11.Coleção de viagens espaciais
12.Vestígios da noite passada
13.Você vê o Sol se por

Uma coisa que acho que eu nunca deixei claro aqui no blog é que apoio e procuro frequentemente por bandas do cenário independente. No mês passado, quando fui à edição Friburguense do festival Fora do Eixo, comprei por indicação do Alexandre, guitarrista do Mini Box Lunar esse cd do Plástico Lunar. Falando um pouco da banda, eles são de Aracajú-SE e tem em sua formação os integrantes Daniel Torres(guitarra e vocal), Plástico Jr(baixo), Rafael Costello(guitarra), Leo Airplane(teclados) e Marcos Odara(bateria). O som da banda é uma soma de elementos do rock psicodélico dos anos 70 com R&B e um pouco de jazz e as letras são realmente boas viagens. Se eu fosse citar alguns artistas que fazem um som parecido, diria que são os gaúchos do Cachorro Grande e o cantor Júpiter Maçã(ou Apple, como preferir). O disco mostra bem todos esses fatores já começando com "Moderna", canção que abre o disco, um jazz-rock com grande destaque para o baixo, que possui linhas bem características do estilo. Algumas canções tem um lado beat com bastante efeitos, como "Formato cereja" e "Banquete dos gafanhotos", hits que tem letras bem psicodélicas. Um lado mais pesado também está presente nesse disco, mostrado pelas canções "Coleção de viagens espaciais" e "Próxima parada" e o lado setentista com músicas como "Sua casa é o seu paletó" e "Gargantas do deserto", além de "Boca aberta", que me lembrou o som da fenomenal banda Casa das Máquinas. Em "Tudo do seu jeito", canção "romântica" ao seu modo, citam a ilustre "Balada do Louco", dos Mutantes. Para finalizar, o lado blues da banda fica ilustrado em "Vestígios da noite passada" e a grande influência psicodélica pode ser notada em "Cínico arrependido" e na progressiva "Você vê o Sol se por", que conta com uma centena de efeitos e linhas instrumentais muito bem trabalhadas. Resumindo, esse álbum é uma prova de que o rock brasileiro não acabou e que existem boas bandas surgindo de diversos lugares do Brasil que a gente nem imagina. Dá para dar uma sacada do som no myspace dos caras e quem quiser adquirir o álbum, compre através do site www.baratosafins.com.br. Vale muito a pena, os caras estão de parabéns!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nirvana- Nevermind(1991)



Nome:Nevermind
Ano:1991
Produção:Butch Vig
Músicos:Kurt Cobain(vocal e guitarra), Krist Novoselic(baixo e vocais), Dave Grohl(bateria e vocais), Kirk Canning(cello)
Faixas:
1.Smells Like Teen Spirit
2.In Bloom
3.Come as You Are
4.Breed
5.Lithium
6.Polly
7.Territorial Pissings
8.Drain You
9.Lounge Act
10.Stay Away
11.On a Plain
12.Something in the Way

Uns massacram, outros ovacionam. Eu sou um dos que vão pela segunda opção. Embora alguns odeiem e digam que o Nirvana é uma banda sem criatividade, embora qualquer um consiga tocar "Come as You Are" no violão, embora milhões de posers sejam aficcionados pelo Nirvana e mesmo que quase ninguém reconheça o Krist como um puta baixista, eu sou um grande fã do Nirvana. Tirando o Mangue Beat, o Nirvana é o que mais curto relacionado a música dos anos 90. As linhas dos instrumentos não são complexas, não são riffs de 1000 notas. Mas quem não pira ouvindo clássicos desse álbum como as mais famosinhas "Smells Like Teen Spirit" e a própria "Come as You Are"? Lançado em 1991, Nevermind é o meu álbum favorito do movimento Grunge e traz melodias muito simples e grandes sucessos do Nirvana. O álbum tem a clássica capa com um bebê nú que parece ir na direção de um dólar preso a um anzol, uma crítica direta ao capitalimo. O álbum traz as características canções pesadas, como a já citada "Smells Like Teen Spirit", a sarcástica "Territorial Pissings" e também "Breed" e "In Bloom". Músicas calmas também estão presentes, como a fenomenal "Polly", que para mim é uma das melhores canções acústicas da banda e "Something in the Way", que soa num tom depressivo com uma letra carregada de significados e ainda conta com um cello tocado pelo Kirk Canning. Uma outra que é tão calma quanto não é e que talvez seja a minha favorita da banda chama-se "Lithium", que deve ser uma declaração muito pessoal do Kurt pelo que a letra demonstra. Como eu disse, virtuosismo nem sempre é tudo e o Nirvana mostra bem isso. A bateria de Dave Grohl soa muito bem na faixa "Lithium" que eu citei, Krist faz um bom trabalho também com seu baixo em "Lounge Act"(que provavelmente era um Gibson *-*), fora "Stay Away", em que ambos mandam bem na intro. Kurt disfere riffs em sua guitarra que ditaram o que grunge era e influenciou muitas bandas que surgiram depois com seu som pesado, agressivo e ao mesmo tempo calmo, ilustado com seu timbre característico de voz e suas composições extraordinárias e muitas vezes incompreendidas, junto a ele estava Krist com suas linhas de baixo simples que encaixavam perfeitamente ao som da banda e a pegada pesada da bateria de Dave Grohl e somando isso tudo "ganhamos" em 1991 este álbum, o 17º mais importante álbum de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.