terça-feira, 29 de março de 2011

Secos e Molhados- Ao Vivo no Maracanãzinho (1980)



Nome:Secos e Molhados Ao Vivo no Maracanãzinho
Ano:1980
Produção:Dado não encontrado
Músicos:Dado incerto, os músicos que formavam a banda na época eram: João Ricardo (voz, violão e gaita), Gerson Conrad (voz e violão), Ney Matogrosso (voz), Marcelo Frias (bateria e percussão), Emilio Carrera (piano e órgão), Sergio Rosadas (flauta), John Flavin (guitarra), Willy Verdaguer (baixo)
Faixas:
1.As Andorinhas
2.Rosa de Hiroshima
3.Instrumental I
4.Mulher Barriguda
5.Primavera nos Dentes
6.El Rey
7.Toada & Rock & Mambo & Tango & etc
8.Fala
9.Assim Assado
10.Instrumental II
11.O Vira

Fevereiro de 1974, estádio do Maracanãzinho. Trinta mil pessoas dentro do estádio lotado e mais noventa mil do lado de fora, números incríveis, recorde de público. Já não bastasse bater o "rei" Roberto Carlos em vendas, o Secos e Molhados estavam batendo recorde de público com um espetáculo! Lançado seis anos após a gravação, esse disco ao vivo é de derrubar o queixo de todo mundo que conheça o meteórico disco de estréia da banda, definido pelos próprios por vezes como "um disco de rock que não é um disco de rock". Quero dizer que ao vivo a banda era totalmente diferente, no álbum vemos um grupo tocando rocks ou não de forma mais contida, já nesse disco é uma pedrada só! Há uma combinação bastante perceptível entre os instrumentos e também juntos com a voz do Ney. O repertório é composto por oito músicas do primeiro álbum, duas passagens instrumentais e a até então inédita "Toada & Rock & Mambo & Tango & etc", lançada no segundo disco do grupo. Nota-se bastante a mudança nos arranjos das músicas. O grupo já entra no palco com "As Andorinhas", a banda denuncia o peso na primeira nota e o piano do Carrera segue incrível até Ney derramar os versos dessa verdadeira poesia cantada. Falando em poesia, em seguida ouvimos "Rosa de Hiroshima", o poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, dominado pela flauta de Rosadas e a magnífica voz do Ney Matogrosso. Detalhe que apesar da baixa qualidade da gravação, podemos ouvir o coro da platéia cantando a música. O primeiro tema instrumental aparece, de início bem pesado, com palhetadas rápidas no baixo e na guitarra. Por volta dos dois minutos de duração, as cordas dão lugar a flauta e ao piano, tornando a música mais calma e segue até a variação final, onde volta a parte pesada. Outra das canções mais ligadas ao rock aparece, "Mulher Barriguda", sem muitas diferenças da versão original. Se no primeiro álbum "Primavera Nos Dentes" se mostrava parecida com "Breathe" do Pink Floyd, o mesmo não acontece na versão ao vivo. De início vemos efeitos bastante curiosos, as teclas em primeiro plano e depois Ney faz mais uma de suas incríveis interpretações, com um vocal bastante forte e presente. Passamos rapidamente por "El Rey" sem muitas variações da versão original e depois vamos à "Toada & Rock & Mambo & Tango & etc". A música é basicamente o violão na base e Flavin ditando regras com sua guitarra enquanto Ney, João Ricardo e Gerson Conrad passam o recado com a letra, até que ocorre uma variação onde a música fica mais pesada e até um acordeon aparece. Ney mais uma vez dá um show "solo" na música "Fala", presente em seu repertório até os dias atuais, nesta ocasião sendo acompanhado apenas pelo piano. Para dar continuidade ao espetáculo, mais um classicão do grupo, "Assim Assado", trocando as percussões e sopros da introdução por uma boa batida de bateria e o acompanhamento do baixo. A grande diferença nessa versão são as acelerações que ocorrem nos refrões e principalmente a parte final da música, uma passagem bem interessante destacando piano e baixo primeiro e por fim um solo de guitarra. Após tudo isso, aparece o segundo tema instrumental, bem curtinho, com pouco mais de um minuto de duração, soando mais com uma vinheta. Eis que o show encerra-se com o maior sucesso do grupo, sendo muito executada nas rádios até hoje, "O Vira", também sem muitas diferenças da versão original. Um disco valioso, tanto pela raridade quanto por ser um registro histórico, sem falar da capa sensacional. (:

domingo, 20 de março de 2011

Bob Dylan- Desire (1976)


Nome:Desire
Ano:1976
Produção:Don DeVito
Músicos:Bob Dylan (voz, violão, gaita e piano), Scarlet Rivera (violino), Howard Wyeth (bateria e piano), Dominic Cortese (acordeon e bandolim), Vincent Bell (bouzouki), Rob Stoner (baixo e vocais), Luther Rix (conga), Emmylou Harris, Ronee Blakley e Steven Soles (vocais)
Faixas:
1.Hurricane
2.Isis
3.Mozambique
4.One More Cup of Coffee (Valley Below)
5.Oh, Sister
6.Joey
7.Romance in Durango
8.Black Diamond Bay
9.Sara

O 17º álbum da carreira de Bob Dylan foi lançado no ano de 1976 e trazia em seu repertório, com exceção de duas canções, parcerias com o compositor Jacques Levy. Neste álbum, Dylan mostra-se menos apegado ao lado elétrico de sua música e conta na maioria das músicas com o violino de Scarlet Riviera. As letras desse disco, como um bom disco de folk pede, vêm a contar histórias. Para começar o álbum, Dylan narra ao longo dos mais de 8 minutos de "Hurricane" a história do boxeador Rubbir Carter, que foi preso injustamente por um crime que não cometeu. A canção possui um belo acompanhamento de violino, além de percussões. O piano bem tocado e mais uma vez o violino, são os destaques em "Isis". Com uma agradável linha de baixo e cantada em duas vozes, "Mozambique" traz consigo o ar das primeiras composições de Dylan, mais puxado para as raízes do folk, acústico. Segue-se com "One More Cup of Coffee", outra canção de Dylan bastante conhecida, onde ele descreve uma mulher, acompanhado de uma melodia com poucas variações. Com um ar mais depressivo, aparece "Oh Sister", canção belíssima sobre a relação irmão e irmã, onde há uma perfeita sintonia entre a gaita de Dylan e o então onipresente violino. Na longa "Joey", com letra feita por Levy, Dylan narra a história do gangster Joey Gallo, com um arranjo digno de receber a característica de orquestral. "Romance in Durango" têm uma pítada de música latina em sua composição. Isso fica notório quando Dylan mistura o espanhol com o inglês na letra, além do som de alguns instrumentos como o acordeon e o bandolim. Divida em sete estrofes, "Black Diamond Bay" vem a contar a história da destruição de uma pequena ilha através de duas visões, a dos hospedeiros de um hotel localizado nessa ilha e do próprio narrador, que assistia a tudo no telejornal. O disco termina com "Sara", canção feita por Dylan para sua esposa, Sara Dylan em um momento em que seu casamento não ia bem. É interessante por ser uma letra bem pessoal de Dylan, mas infezlimente (ou felizmente =p) o casamento de Dylan com Sara terminaria no ano seguinte. Desire foi na época grande sucesso de vendas e críticas e atinge em uma das listas da Rolling Stone a posição de 174º álbum mais importante da história.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os Mutantes- A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)



Nome:A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
Ano:1970
Produção:Arnaldo Saccomani
Músicos: Arnaldo Baptista (teclado, baixo e voz), Rita Lee (voz, percussão e efeitos), Sérgio Dias (guitarra, baixo e voz), Ronaldo "Dinho" Leme (bateria), Raphael Vilardi (vocais e violão), Arnolpho "Liminha" Lima Jr (baixo) e Naná Vasconcelos (conga)
Faixas:
1.Ando meio desligado
2.Quem tem medo de brincar de amor
3.Ave, Lúcifer
4.Desculpe, babe
5.Meu refrigerador não funciona
6.Hey boy
7.Preciso urgentemente encontrar um amigo
8.Chão de estrelas
9.Jogo de calçada
10.Oh! mulher infiel

41 anos atrás o Brasil ganhava seu terceiro terceiro título mundial no futebol, o mundo perdia Hendrix e Os Mutantes nos davam de presente seu terceiro disco. O disco marca a entrada do baixista Liminha no grupo e mostra também uma sonoridade mais afastada do Tropicalismo. O disco abre já com um clássico do grupo, "Ando meio desligado", com congas na introdução, um som maravilhoso de órgão e um solo estupendo do Sérgio no final da música. Arnaldo e Lima comandam em "Quem tem medo de brincar de amor" que traz ainda uns efeitos muito loucos como os tradicionais assobios da Rita e no meio ainda cantam um trecho de "Parabéns pra você". Os Mutantes ainda fazem uma homenagem a Lúcifer em "Ave Lúcifer", com vocais muito bem feitos e divididos. Na música notamos a presença do theremin e a lendária Régulus com seus efeitos. Na composição de Rita e Arnaldo "Desculpe, babe", uma balada recheada pela conga de Naná Vasconcelos, falam algo sobre seguir em frente após o fim de uma relação ou coisa do tipo. Agora um ponto alto do disco é a quinta faixa. Podemos dividir "O meu refrigerador não funciona" em duas partes. Na primeira, Arnaldo arrebenta nas teclas e Rita Lee manda uns vocais à la Janis Joplin, com um feeling tremendo. Ainda dá pra perceber um pouco do baixo e a marcação da bateria de fundo. Na segunda parte, Arnaldo também assume os vocais, Dinho se torna mais presente, o baixo torna-se uma loucura com várias frases em walking bass e ainda surge um sax. O som dos teclados de Arnaldo também torna-se mais presente numa onda meio progressiva. Depois dessa "odisséia", surge "Hey Boy", uma balada bem agradável, com sua letra sobre um típico playboy paulista e a presença dos backing vocals de Raphael Vilardi, guitarrista do embrião dos Mutantes, o O'Seis. Sérgio manda muito bem na guitarra nessa faixa, sendo o principal destaque. O grupo gravou neste álbum também uma música de Erasmo e Roberto. "Preciso urgentemente encontrar um amigo" começa com efeitos vindos do órgão e da guitarra e segue numa onda de iê-iê-iê mas com todo o toque dos Mutantes. "Chão de estrelas" é outro ponto alto dessa obra. Um clássico da música brasileira, composição de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, ganhou uma versão toda especial do grupo. Na intro podemos ouvir a parte final de "Panis et Circenses" e segue com Arnaldo interpretando a música com uma voz de timbre grave e debochado e efeitos na música que nem se o Duprat quisesse se esconder ele conseguiria. Há efeitos de tiros, panos se rasgando, despertador e tudo mais. "Jogo de calçada", composição de Arnaldo em parceria com Wandler Cunha e Ilton Silveira. A intro lembra de cara o som do violão do Gilberto Gil, embora não seja ele tocando. A música segue numa rítmica beat, bem reta. Por fim, temos duas composições do grande Arnaldo, "Haleluia", uma espécie de canto religioso devidamente acompanhado do órgão e um baixo no fundo e para terminar, "Oh! mulher infiel", iniciando com um solo fantástico do Dinho e seguindo com uma linha de guitarra fabulosa e a base sendo feita pelo órgão. O efeito da guitarra nessa música, mostra-se semelhante ao de "Batmacumba" e no fim, ela fica bem mais calma abaixando o som até acabar e volta com Sérgio arrebentando na guitarra.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Primus- Frizzle Fry (1990)


Nome:Frizzle Fry
Ano:1990
Produção:Primus e Matt "Exxon" Winegar
Músicos:Les Claypool (baixo e vocal), Larry LaLonde (guitarra e violão) e Tim "Herb" Alexander (bateria)
Faixas:
1.To Defy the Laws of Tradition
2.Groundhog's Day
3.Too Many Puppies
4.Mr. Knowitall
5.Frizzle Fry
6.John the Fisherman
7.You Can't Kill Michael Malloy
8.The Toys Go Winding Down
9.Pudding Time
10.Sathington Willoughby
11.Spegetti Western
12.Harold of the Rocks
13.To Defy

O Primus é uma banda bem maluca, chega ser difícil definir o estilo da banda. É uma mistura de Funk, Metal, Rock, Country e de qualquer coisa que não seja nem um pouco dotada de sanidade. A banda sempre manteve a formação de power trio. O lunático líder da banda, o baixista e vocalista Les Claypool é certamente o mais louco de todos com seu timbre de voz inconfudível e uma habilidade contrabaixística que não fica devendo a nenhum Flea. Claypool consegue misturar todas as técnicas básicas do baixo - sendo elas: pizzicato, slap e tapping - numa mesma música ou parte desta. Ao comando das baquetas está o vulgo Herb, um baterista daqueles que gostam de "castigar" a bateria e além de despejar força sobre ela, também ataca com bastante precisão e técnica. Visto que o Primus é o tipo da banda onde o guitarrista não é a "estrelinha da banda", a guitarra de Larry Lalonde vem para completar a sonoridade excêntrica da banda. Após as apresentações, vamos para o álbum. Frizzle Fry, é o primeiro álbum de estúdio do grupo, lançado no ano de 1990, um ano após o ao vivo Suck on This. Nota-se bastante o crescimento que a banda teve no decorrer deste período, o que pode ser notado nos arranjos das músicas e na produção do álbum. Quatro músicas de Suck on This foram regravadas em Frizzle Fry, sendo elas a faixa título, que possui viradas incríveis de bateria e muito peso em sua parte final, fora sua letra falando sobre dúvidas e descrenças. Além dela fora regravada "John The Fisherman", grande clássico da banda com Claypool usando distorção no baixo na introdução e seu arranjo bem variado e bem feito, com a letra contando a vida de um pescador que gostava de enfrentar o mar, também "Groundhog's Day", uma canção aparentemente mais leve, com Claypool fazendo acordes no baixo, Lalonde fazendo belos fraseados e Herb marcando bem o ritmo e "Harold of The Rocks", mais funk e com um ritmo bem quebrado. A música ainda tem uma variação mais rápida que lhe dá um outro clima e casa muito bem com o estilo da música. Além dessas faixas, temos "To Defy The Laws of Tradition" abrindo o disco, uma crítica aos hábitos e valores da sociedade com tappings, slaps, solos de guitarra, além de ser uma das músicas onde Les melhor usa sua voz. Mais insanidade e peso aparecem em "Mr. Knowitall" e "Too Many Puppies", também clássicos da banda. O disco tem também três vinhetas, "To Defy", reprodução de um pedaço da música de abertura, "Satthington Willoughby" que faz lembrar música oriental e "You Can't Kill Michael Malloy", parte instrumental de uma peça do grupo The Spent Poets. De resto, ainda temos "Pudding Time" que é toda baseada numa linha de slap e "Spegetti Western" com destaque da bateria de Herb que constrói a base da música ao lado da guitarra de Lalonde.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vanguart- Vanguart (2007)



Nome:Vanguart
Ano:2007
Produção:Thiago Marques
Músicos:Hélio Flanders (violão, voz e gaita), Luiz "Lazza" Lazzaroto (teclado e vocais), David Dafré (guitarra e vocais), Reginaldo Lincoln (baixo e vocais) e Douglas Godoy (bateria)
Faixas:
1.Semáforo
2.Just To See Your Bue Eyes
3.Hey Yo Siver
4.Cachaça
5.Miss Universe
6.Christmas Crack
7.Los Chicos de Ayer
8.Enquanto Isso Na Lanchonete
9.Antes Que Eu Me Esqueça
10.Cosmonauta
11.Beloved
12.Dream About Your Love
13.The Last Time I Saw You
14.Para Abrir Os Olhos

Das poucas bandas atuais de rock que gosto, uma das que posso citar é esta. O Vanguart surgiu em 2002 quando o vocalista do grupo, Hélio Flanders voltou de uma viagem de auto-exílio na Bolívia. A princípio, a banda só tocava canções em inglês, mas hoje já notamos grande presença do Português e até do espanhol nas composições da banda. As canções soam como uma mistura do som folk do Bob Dylan, com uns toques dos Beatles e letras bastante poéticas. O disco inicia-se com as batidas de "Semáforo", onde presenciamos várias metáforas na letra, tratando de temas como crença e morte. Depois vem "Just To See Your Blue Eyes", onde Reginaldo tira um ótimo solo do seu baixo. Em um ritmo mais animado, surge "Hey Yo Silver", que nos faz lembrar os filmes antigos de velho oeste e aquele clima de Saloons. "Cachaça", outro hit da banda, possuí um clima introspectivo, uma letra muito bem escrita e interessante. Vale ressaltar que pelo fato da banda usar de três línguas, o vocalista e compositor Hélio Flanders usa muito bem as palavras. "Christmas Crack" é uma canção mais alegre e fala sobre descobertas, soando como uma balada Folk. "Los Chicos de Ayer", cantanda em espanhol, é parceria de Flanders com o baixista Reginaldo Lincoln onde a banda canta sobre lugares, dor e solidão. Depois, outra canção em português, "Enquanto Isso Na Lanchonete", falando sobre amor e da visão distinta do homem e da mulher com direito a solo de escaleta. Com slides e muitos - ênfase no muitos - agudos na guitarra temos a nona faixa, "Antes Que Eu Me Esqueça". Mais outra em português, a minha favorita, "Cosmonauta", com uma parte lenta e uma mais rápida. Em "Beloved", Reginaldo Lincoln assume os vocais para cantar a sua composição sobre despedida e fim de um amor. Hélio põe todo seu feeling em uma canção onde aparecem somente sua voz, seu violão e sua gaita, "The Last Time I Saw You", uma despedida declarada. Para finalizar, uma canção bem versátil, que serviu muito bem para terminar esse disco e iniciar o seu posterior, "Para Abrir Os Olhos", uma canção agradável com uma letra falando sobre o sentido das coisas. E por hoje é só, pessoal (:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Grupo Agua- Transparencia (1978)



Nome:Transparencia
Ano:1978
Produção:Dado não encontrado
Músicos:Nelson Araya (voz, violão, bandolim), Leopoldo Polo Cabrera (voz, violão, charango), Nano Stuven (flauta), Oscar Ratón Pérez (violão, bandolim) e Pedro Jara (percussão)
Faixas:
1.El Colibrí
2.Esperanzas
3.Transparencia
4.Juerga
5.La luna llena
6.El Guillatún
7.La semilla
8.Caldera
9.Baioncito
10.Volver a los 17
11.Tarkeada

É bom dar uma variada vez em quando, né? (Postar também é bom, senhor Lucas (Y)) Eis que hoje vocês não terão um álbum em inglês ou português, vai aí um álbum em espanhol de uma banda chilena. Começando do começo, o Grupo Agua foi bem famoso, inciaram a carreira em 1974 e logo no ano seguinte pegaram a estrada e viajaram por todo o continente americano divulgando suas músicas e adquirindo novas experiências espirituais no Equador. Sua passagem pelo nosso país também foi notável, quando chegaram vindos da Bolívia e após algumas apresentações conheceram Milton Nascimento, que os convidou a participar de algumas músicas do seu disco Geraes - que por sinal acabou vendendo mais de um milhão de cópias. Após a experiência com Milton, em 1978 a Som Livre os convida a gravar um disco, o ilustre Transparencia. Podemos considerar este álbum como um "road-album", um diário onde a banda registrou todas as experiências que obtiveram nesse período de quatro anos de estrada. Para abrir o disco, a banda escolheu a canção "El Colibrí", mágica canção que possui sons do pássaro, belas linhas e execuções dos instrumentos de cordas e da flauta e um agradável conjunto vocal. Violões e flauta andam lado a lado na segunda faixa, a canção "Esperanzas", que parece ilustrar e comprovar o que Nelson Araya diz quando classifica o mecanismo da banda como intuitivo. Ainda falando sobre a forma como o grupo funcionava, outro fato interessante é que o nome de quem compunha as canções não era dito ou registrado, usavam sempre o nome do grupo como autor, para evitar crescimento de ego. Acaba que isso é refletido nas canções, como por exemplo na faixa título do álbum, "Transparencia", onde a flauta de Nano Stuven "carrega" a música, mas não se torna um destaque total na canção, aonde vale também prestar atenção nas percussões e no violão de aço. A influência da música brasileira é bem ilustrada na canção "Juerga", onde usam berimbaus em certa parte da música. O mais bacana em "La Luna llena" são os arranjos vocais e o ritmo da canção. Seguimos com "El Guillatun", música sobre um rito Mapuche que é um tipo de prece. Ainda vale destacar a grandiosa canção "La Semilla", o tema "Caldera", a última canção "Tarkeada", onde os sopros comandam e ainda a interpretação de "Volver a los 17", canção eternizada na voz de Mercedes Sossa e também gravada por Milton Nascimento. Desde o primeiro post eu disse que não iria incentivar a pirataria, mas esse disco é quase uma peça de museu, então encontrem ele para baixar e desfrutem bastante!

Ah, esse blog completou 1 ano na segunda-feira. Queria agradecer a todo mundo que acessa, segue e contribui direta ou indiretamente comigo e com o blog!! Um feliz 2011 a todos com muita paz, luz, saúde e boa música!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chico Science e Nação Zumbí- Afrociberdelia (1996)



Nome:Afrociberdelia
Ano:1996
Produção:Eduardo BID e Chico Science e Nação Zumbí
Músicos: Chico Science (vocal), Dengue (baixo), Lúcio Maia (guitarras), Pupilo (bateria), Jorge du Peixe (alfaia), Toca Ogan (alfaia), Gilmar Bola 8 (alfaia), Gira (alfaia), Marcelo Lobato (teclados), Lucas Santana (flauta), Gustavo Didalva (percussão), Hugo Hori (flauta e sax), Tiquinho (trombone), Bidinho (trumpete e flugelhorn), Sérginho Trombone (trombone), Eduardo Bid (guitarra dub), Fred 04 (cavaquinho)
Faixas:
1.Mateus Enter
2.O Cidadão do Mundo
3.Etnia
4.Quilombo Groove
5.Macô
6.Um Passeio no Mundo Livre
7.Samba do lado
8.Maracatu Atômico
9.O Encontro de Issac Asimov com Santos Dumont no Céu
10.Corpo de Lama
11.Sobremesa
12.Manguetown
13.Um Satélite na Cabeça
14.Baião Ambiental
15.Sangue de Bairro
16.Enquanto o Mundo Explode
17.Interlude Zumbi
18.Criança de Domingo
19.Amor de Muito
20.Samidarish
21.Maracatu Atômico (Atomic Version)
22.Maracatu Atômico (Ragga Mix)
23.Maracatu Atômico (Trip Hop)

Quando as coisas começam a ficar todas iguais, tem que surgir algo para diversificar. Quando na década de 90 o pop rock que era a cara do rock brasileiro desde a década de 80 começou a se tornar um ciclo de repetições eis que surgiram os Caranguejos com Cérebro e o movimento Mangue Beat. Resumindo, o Mangue Beat foi um movimento cultural/estilo de música que misturou a música regional nordestina - mais precisamente a pernambucana - com elementos do rock e da música eletrônica (tá vendo como essa de misturar música regional com rock sempre dá certo?). Os principais expoentes do movimento foram o Mundo Livre S/A e o Chico Science & Nação Zumbí e seus respectivos líderes Fred 04 e Chico Science. Para não desvirtuar o texto, vamos direto ao álbum e a banda. Na época desse disco, Nação Zumbí tinha uma verdadeira orquestra percussiva que contava com o atual vocalista do grupo Jorge du Peixe, Toca Ogan, Gira e Gilmar Bola 8 nas alfaias além da bateria do recém-chegado Pupilo. Somavam-se a eles o baixo grooveado de Dengue e a guitarra pesada e suingada de Lúcio Maia. À frente da banda estava a cabeça pensante de Chico Science, indiscutivelmente um dos grandes gênios da música brasileira e que tinha uma voz inconfundível (infelizmente, Chico Science veio a falecer em um acidente de carro no dia 2 de Fevereiro de 1997). O nome "Afrociberdelia", segundo o encarte, vem da união de África + Cibernética + Psicodelia e para abrir o álbum temos "Mateus Enter", uma verdadeira apresentação que faz-se de ponte para "Cidadão do Mundo" que julgo ser o verdadeiro retrato do "Mangue Boy". A música traz um timbre de bateria que parece ser eletrônica, os grooves de Dengue e conta ainda com efeitos digitais e berimbau. A terceira faixa, "Etnia", traz na letra genial de composição do Chico falando sobre miscigenação da qual nos originamos e da igualdade entre elas e tem a sonoridade típica do grupo, contando ainda com os sopros. "Quilombo Groove" é uma passagem instrumental que podemos classificá-la como uma "Moby Dick"(canção do grupo Led Zeppelin) à la Mangue Beat. Outra ilustre canção e clássico do banda que dá continuação ao álbum é "Macô", com a intro de "A Minha Menina", a participação de Gilberto Gil e Marcelo D2 nos vocais e a fenomenal linha de flauta de Hugo Hori. Lucio Maia abre a próxima canção com sua guitarra no melhor estilo samba rock e é acompanhada pelas alfaias e pelo baixo de Dengue que se não é está com uma timbragem próxima de um acústico. A letra de "Um Passeio no Mundo Livre" mostra a visão de Science de um lugar onde pode-se ser livre, talvez seja uma Olinda que ele mesmo criou. Os músicos da Nação Zumbí ainda homenagearam o samba em "Samba de Lado" que conta com a participação de Fred 04 no cavaquinho. Bom...O que falar de "Maracatu Atômico"? Às vezes quando ouço esta versão (a primeira de quatro presentes no disco) me questiono se Mautner e Jacobina não compuseram esta música uns bons 30 anos antes para o Nação gravar. Nem a versão do Gil, nem a do Mautner chegaram perto da versão do Nação, por melhores que sejam. Uma canção bem intrigante é "O Encontro de Isaac Asimov Com Santos Dumont No Céu", canção de curta duração, com Dengue mais uma vez usando o acústico e a banda explorando os efeitos eletrônicos. Mais um clássico do grupo, "Corpo de Lama", fala na letra de não irmos pelas aparências e no fim ainda traz uma mensagem sobre honestidade. Em "Sobremesa", Chico mistura inglês com português mais alfaias, guitarra com wah e um baixo bem escondido. Junto de "Maracatu Atômico", a próxima faixa é o maior clássico da banda. A faixa "Manguetown" tem um ar mais pop e ilustra uma cidade erguida sobre o mangue e mostra o belo casamento dos instrumentos de cordas com a percussão, sendo essa uma canção mais "crua", pelo fatos dos únicos efeitos presentes serem os da guitarra. Pandeirolas e distorção são as principais características da faixa 13, "Um Satélite na Cabeça". Mais uma instrumental, de autoria de Dengue, Gira e Lucio Maia, a faixa "Baião Ambiental" mistura o tradicional baião a um grande número de efeitos eletrônicos. Em "Sangue de Bairro" a banda faz uma "pedrada" em homenagem aos cangaceiros do bando de lampião e diga-se de passagem: haja fôlego, Chico Science! "Enquanto o Mundo Explode" é o tipo de música para banda de black metal nenhum botar defeito. Imagine se o baterista de uma banda como o Slayer trocasse o pedal duplo pelos tambores de maracatu? Sem falar da fantástica e pesada letra anticapitalista. Depois há "Interlude Zumbi", uma faixa curta homenageando o grande escravo guerreiro com berimbaus e batuques. O disco segue com "Criança de Domingo", uma canção mais calma conta que com violão, alfaias e uma guitarra distorcida vez ou outra, depois vem "Amor de Muito", com a melodia nos melhores moldes de "A Minha Menina" e com a guitarra soando bem psicodélica e percussão e baixo em perfeita harmonia, ainda podemos ouvir no fundo o teclado de Marcelo Lobato e depois o belíssimo arranjo de sopro. Quase no fim, entra a instrumental "Samidarish", canção que traz um clima bem pacífico, estilo música oriental, mas, claro, com todo o toque Mangue Beat do grupo. Com 2:30 de música, começamos a ouvir um diálogo entre os membros devaneando sobre o dinheiro e sua sujeira. O disco finaliza-se com mais três versões remixadas e bem distintas de "Maracatu Atômico". A primeira é a "Atomic Version" e nessa versão o ritmo da bateria está mais acelerado e ouve-se diferentes efeitos sonoros harmônicos. Depois entra a versão "Ragga Mix", adicionando-se vários efeitos e transformando a música numa levada ragga. Por último, a versão "Trip Hop", contando com bastante scratches e efeitos na voz do Chico. Afrociberdelia ocupa o 18º lugar na lista dos 100 maiores álbuns de música brasileira feita pela revista Rolling Stone e é junto de seu antecessor, Da Lama ao Caos (1994) um dos álbuns fundamentais para entender a estética e proposta do Mangue Beat, um movimento de importância riquíssima para a música e a cultura brasileira não tão reconhecido.